sexta-feira, 20 de abril de 2012

»O que a primeira frase de um livro diz do seu todo?..?

Uma vez uma amiga disse-me que tem um conhecido que abre os livros na livraria, evitando fitar a capa durante mais tempo do que o necessário, para que a primeira impressão seja a da primeira frase do livro. Com base nisto, decidi listar aqui as primeiras frases de alguns livros que tenho aqui na prateleira...

1 - «Uma vez, quando eu tinha seis anos, vi uma imagem magnífica num livro sobre a Floresta Virgem chamado «Histórias Vididas», Antoine de Saint-Exupéry, O Principezinho
2 - «Sofia Amundsen regressava da escola.», Jorteein Gäarder, o Mundo de Sofia
3 - «Mary apertou com força o corrimão do banco dos réus quando o juiz entrou na sala do tribunal», Lesley Pearse, Nunca me esqueças
4 - «Quando eu sair daqui, vamo-nos casar na fazenda de minha feliz infância, lá na raíz da serra.», Chico Buarque, Leite Derramado
5 - «Olímpia Vieira era, aos sessenta e dois anos, um osso duro de roer.» Célia C. Loureiro, Demência

Um bocadinho de egocentrismo não me faz mal... eheh.




#25 REBELO, Tiago - Uma Promessa de Amor


SinopseUm jornalista de televisão no topo da fama. Uma criativa de sucesso no mundo da publicidade. Uma repórter cubana que busca a liberdade. Três pessoas movidas pela força de vontade nas suas profissões que perseguem objectivos maiores para as suas vidas incompletas. A perigosa aventura de Luz María a caminho do exílio leva-a a cruzar-se com Lourenço e este não podia imaginar que uma decisão tomada numa ilha tropical iria afectar irremediavelmente a sua vida. Um encontro fortuito numa estação de comboios em Lisboa, um momento de pânico motivado pela perseguição política, atira Luz Maria para os braços de Lourenço quando este vai ao encontro de Isabel. Se num primeiro instante foi apenas por solidariedade que decidiu ajudar Luz María a começar uma nova vida em Portugal, em breve Lourenço vai ver-se envolvido num turbilhão de sentimentos que o irão obrigar a fazer uma escolha impossível entre a mulher dos seus sonhos e a mulher da sua vida.  Autor de enormes sucessos literários, como O Tempo dos Amores Perfeitos, O Último ano em Luanda e o mais recente O Homem Que Sonhava Ser Hitler, Tiago Rebelo apresenta-nos aqui uma história intensa de paixão, amor e amizade, que prova como a felicidade nem sempre se encontra no caminho mais evidente.

Opinião: Tiago Rebelo, Tiago Rebelo…

Talvez deva gabar a perícia que este senhor tem para reconhecer crianças nos homens. É o segundo livro dele que leio e, segundo sei, a fórmula é a mesma. Metem-se duas mulheres ao barulho, maduras e admiráveis, e um homem indeciso como uma criança numa loja de doces. Recorta-se uma cena em duas, mete-se metade no início e metade no fim e tem-se assim uma fórmula “infalível”. Depois é preciso que as mulheres digam que estão fartas de ser espezinhadas, e que o homem seja tão encantador – e encantador é a palavra favorita do autor – que lhe dê a volta no final sabe-se lá como (ele também não se dá ao trabalho de explicar). O que dizer deste romance em específico?
Temos uma mulher (Luz María) presa ao regime cubano – encantadora – que tem um caso quase fortuito com um homem-criança, idiota, atraente, metido por entre todas as saias que passam. Temos essa mulher a quase arriscar a vida para conseguir fugir do país, com a mãe atrelada. Depois temos outra mulher (Isabel) com uma carreira de sucesso no ramo da publicidade, cuja vida já foi inúmeras vezes estraçalhada pelo mesmo homem que ela considera o amor da sua vida, e a quem este Lourenço, também homem-criança, considera o amor da sua. Posto isto, não entendo como é que a mestria deste senhor se mete a enrolar as cabeças das pessoas. A mim parece-me tudo muito simples – ele passou a vida a destruir a felicidade da mulher que diz amar (apetece-me rir pelo facto de ela, aparentemente, lhe ter dado essas oportunidades todas), e então vem a cubana. A cubana, uma mulher admirável, sem dúvida, embora nunca se entenda muito bem o que a move – sem ser o desejo por liberdade, que me parece comum a qualquer ser-humano num regime opressivo – e por quem ele se encanta. E o encantamento é suficiente para, uma vez que não pode tê-la, meter novamente “a mulher da sua vida” na gaveta. Foi o final que me chocou mais quando uma destas mulheres, descritas como fortes e dignas pelo autor, decide aceitá-lo. E desvie agora os olhos quem tiver intenções de embarcar neste mar de frases feitas, informações dispensáveis e evidente falta de empenho do autor.  Mas ela ACEITA-O. Para mim era evidente que o final do livro é cada uma delas a dispensar o idiota do homem, que viveu por entre pernas uma vida inteira, que se despiu da Isabel porque “não estava preparado”, que voltou para ela só para voltar a deixá-la uma e outra vez. Que final mais perfeito, mais adulto, seria este? Desdenhou tantas vezes do doce que devia era ficar sozinho na sua casa “enorme” no Parque das Nações, a beber o típico uísque e a olhar para as luzes da Vasco da Gama. Aí sim, talvez eu admirasse um pouco este livro. Agora um final feliz para um pulha? Uma mulher de personalidade forte a submeter-se outra vez?
Poupa-me, Tiago. Não me convenceste.
Classificação: 2**

quinta-feira, 19 de abril de 2012

#24 MODIGNANI, Sveva Casati


Sinopse: Um casamento em crise: como se a baunilha e o chocolate já não combinassem tão bem como outrora... O grande "clássico" de Sveva Casati Modignani.
O que se passa com Penelope e Andrea após dezoito anos de um casamento quase perfeito? A baunilha e o chocolate já não combinam? Impossível! Desde sempre, apesar do contraste de cores e sabores, fizeram uma mistura fantástica, como algumas uniões afetivas, que vão aguentando, aguentando, como que levadas por um vento milagroso. Mas o vento, às vezes, deixa de soprar...
Inesperadamente, Andrea revela-se protagonista de inúmeras escapadelas mal escondidas e o seu comportamento, por vezes, é tão infantil e egoísta que Penelope decide oferecer-lhe um presente: deixá-lo sozinho a lidar com os três filhos e com as inúmeras tarefas domésticas, que até agora pesavam única e exclusivamente sobre os seus ombros. Quanto a ela, refugia-se na casa da família em Cesenatico. A separação revela-se, para ambos, um desafio cansativo e, por vezes, angustiante, mas a verdade acabará por vir ao de cima: o amor que os uniu continua vivo...

Opinião: Baunilha e o Chocolate é, para mim, o melhor romance de Sveva Casati Modignani. Por muito singelo que seja, sem grandes sobressaltos ou reviravoltas de cortar a respiração. É um romance sobre compromisso e fidelidade. É sobre Penelope, que apaixona loucamente por Andrea, e sobre Andrea que, mesmo amando Penelope, mesmo sendo pai dos seus três filhos, não consegue que ela lhe baste. Pula de saia em saia e, a cada vez que o faz, Penelope é humilhada ao receber o gelado de baunilha e chocolate que ele traz para forçar as pazes.
É apenas quando Penelope se afasta para a antiga villa da sua avó e deixa o marido mimado a braços com a filha anoréctica, o filho cheio de piercings e com uma cobra como animal de estimação e o pequeno e asmático Luca, que Andrea repensa o seu valor na sua vida.
Andrea tem até este ultimato: não a contactar até que ela meta a cabeça no lugar. É uma viagem agradável pela Itália, com um enredo simples mas enriquecedor, no melhor registro de Sveva que, infelizmente, é o que ela aplicou também a todos os outros livros...
 Classificação: 4****

sexta-feira, 13 de abril de 2012

#23 SOARES, Carla M. - Alma Rebelde

Sinopse: No calor das febres que incendeiam a Lisboa do século XIX, Joana, uma burguesa jovem e demasiado inteligente para o seu próprio bem, vê o destino traçado num trato comercial entre o pai e o patriarca de uma família nobre e sem meios. Contrariada, Joana percorre os quilómetros até à nova casa, preparando-se para um futuro de obediências e nenhuma esperança. Mas Santiago, o noivo, é em tudo diferente do que esperava. Pouco convencional, vivido e, acima de tudo, livre, depressa desarma Joana, com promessas de igualdade, respeito e até amor. Numa atmosfera de sedução incontida e de aventuras desenham-se os alicerces de um amor imprevisto... Mas será Joana capaz de confiar neste companheiro inesperado e entregar-se à liberdade com que sempre sonhou? Ou esconderá o encanto de Santiago um perigo ainda maior?


Opinião: O meu plano inicial, ao ultrapassar o meio do livro, era atribuir-lhe um quatro e meio. Ainda assim, quatro. Estava muito concentrada nas interjeições, e embirro com elas porque dão um tom afectado ao discurso, uma espécie de suspiro muito português. As interjeições (tantos ohs, e ahs! e pontos de exclamação!) mantiveram-me longe da literatura portuguesa, mas sobretudo a má qualidade dos enredos e a pobreza de escrita foram os culpados por esse afastamento. Agora, após perseguir ferozmente este livro durante a tarde de hoje (12.04.2012), em que saiu para a luz do mercado, agora... que acabei de o ler, convido todos nós, portugueses e portuguesas amantes de um bom romance histórico, de um um bom nível de português - acessível e bem alinhavado - a embrenharem-se neste livro, que é quase uma viagem contínua. Li-o de enfiada, como se comprova com facilidade. Fala sobre uma rapariga, Joana, cujo pai é rico e despoleta, assim, as ambições de um nobre na miséria, D. Miguel. Este D. Miguel arranja um casamento entre Joana e o seu filho, Santiago, para que com o dote possa reaver um pouco da sua glória passada. 

O que dizer destas personagens? Gosto mais do Santiago que da Joana, é a verdade. Mas parece-me que ela foi escrita para se entranhar, e ele para nos apaixonar-mos à primeira vista. Contudo, no enredo, é o oposto que sucede entre os dois. Ela estranha-o e ele fica vidrado nela. 

Não é o enredo em si que me faz valorizar a história - achei a Joana um pouco queixosa para uma pessoa que tinha a melhor amiga numa situação muito pior - mas sim a humanidade que encontrei nas personagens e, sobretudo, o talento evidente da escritora, que soube valer-se de conta e medida para se manter num terreno seguro. Não dramatizou excessivamente, não caiu em clichés, surpreendeu-me até várias vezes, e agradavelmente, o que raramente acontece quando leio, posto que já li tanta coisa. 

O Santiago é cativante, qualquer mulher o quereria para si. A D. Ana é enternecedora e o D. Miguel é daquelas pessoas frustrantes com quem temos perfeita consciência de que nunca conseguiremos lidar. Considerei todo o desenrolar de acontecimentos bastante pertinente e, apesar de algumas falhas de comunicação entre as personagens principais, a autora teve suficiente mestria para nos fazer compreender, com clareza, o porquê de se compreenderem as asserções de modo oposto. O romance prometia sensualidade e gabo também a elegância, a classe, com que conseguiu envolver-nos nessa sugestão sem cair nas vulgaridades que tenho lido em muitos livros ultimamente. Já me tinha esquecido que, tal como no E Tudo o Vento Levou, meia palavra arrepia muito mais do que uma frase completa à letra. 

Curiosamente, a Joana é a personagem de quem gostei menos. Achei que a Rosália (a ama dela), a dado momento, perdeu-se no enredo, mas adorei a construção geral. Dei por mim a sorrir em diversas partes, dos atrevimentos do Santiago e das explosões da Brites e da doçura da D. Ana. Os desvios de língua da Joana também deram pano para mangas, porque incitaram o Santiago a revelar-se mais. 

Os termos históricos acho que vieram na medida certa. Dei por mim extasiada ante a menção do meu adorado romance Madame Bovary, do Flaubert, e de outras referências históricas que reconheci de imediato porque sou amante da História. O casamento de D. Pedro com D. Estefânia. A América com presidentes e quase, quase em cima da Guerra de Secessão. A inauguração, em 1856, do primeiro troço de caminhos-de-ferro em Portugal. O Brasil e a promessa de uma vida melhor... Nas últimas páginas retive o fôlego, a autora virou o enredo de forma tão convincente que vislumbrei um final alternativo para o livro, vestiu-o de nexo e de credibilidade e deixou-me a arfar por ler mais depressa. 

Em suma, todo o livro foi lido de um só sopro. Os meus sinceros parabéns àquela que considero, sem dúvida, a melhor autora de romances «romance» portuguesa. Destronou a rainha da pop destas bandas (ou rainha da asneira e da futilidade), Margarida Rebelo Pinto (atenção que nunca foi rainha alguma para mim). Um adeus também ao Tiago Rebelo, reforme-se porque não atinge (com o seu jornalismo e quês), metade da perícia com as palavras, metade da profundidade e da complexidade humanas que a Carla expôs. Um triunfo perfeito para um primeiro lançamento. Fico a contar os dias até ao próximo.
Classificação 5*****

segunda-feira, 9 de abril de 2012

#22 WALKER, Alice - A Cor Púrpura


Sinopse: Através das cartas que escrevem uma à outra, duas irmãs negras americanas falam das suas vivências pessoais, dos seus dramas, mas também das suas alegrias, na época que separou as duas guerras mundiais. Obra vigorosa - que levou alguns críticos a comparar Alice Walker com Faulkner - este romance valeu à autora, negra também ela, os dois prémios máximos da literatura norte-americana de ficção em 1983: o Pulitzer e o American Book Award. E deste romance fez Steven Spielberg um filme admirável.

Opinião: Li este livro em Junho de 2006, da última vez que fui à aldeia da minha tia, com 16 anos. É, em parte, devido ao calor das tardes lânguidas que passei a ler, no pátio, que trago lembranças tão boas desta aldeiazinha. O livro é um relato em primeira mão da vida de uma negra no início do séc. XX na América do Norte, e é surreal. Ganhou, inclusive, um Pulitzer. É surreal que, no início do século passado, ainda houvesse segregação. Ainda se tratassem os negros abaixo de cão. É surreal que fosse permitido que a personagem principal, a Celie, fosse arrastada ao sabor das vontades do pai e do marido. Fosse obrigada a abdicar de duas crianças. Fosse obrigada a viver aterrorizada com os humores do marido e humilhada pelo seu amor à famosa cantora negra Shug Avery que, a seu tempo, se torna na melhor amiga de Celie. É um conto ingénuo sobre uma mulher negra no entre-guerras, tantas vezes comovedor, de uma feminilidade tocante e uma mostra inegável do talento da senhora Walker.
Classificação: 5*****

#21 SÜNSKIND, Patrick - Perfume, História de Um Assassino


Sinopse: Esta estranha história passa-se no século XVIII e é fruto de um extraordinário trabalho de reconstituição histórica que consegue captar plenamente os ambientes da época tal como as mentalidades. O protagonista é um artesão especializado no ofício de perfumista, e essa arte constitui para ele - nascido no meio dos nauseabundos odores de um mercado de rua - uma alquímica busca do Absoluto. O perfume supremo será para ele uma forma de alcançar o Belo e, nessa demanda nada o detém, nem mesmo os crimes mais hediondos, que fazem dele um ser monstruoso aos nossos olhos. Jean-Baptiste Grenouille possui no entanto uma incorrupta pureza que exerce um forte fascínio sobre o leitor. O Perfume, publicado em 1985, de um autor então quase desconhecido, foi considerado um dos mais importantes romances da década e nunca mais deixou de ser reeditado desde então, totalizando os 4 milhões de exemplares vendi dos, só na Alemanha, e 15 milhões em países estrangeiros. Foi traduzido em 42 línguas. Este fenómeno transformou-o num dos mais importantes livros de culto de sempre. Em 2006, O Perfume passa a ser uma longa-metragem inspirada no romance de Patrick Süskind.

Opinião: A minha primeira opinião é a de que não deveria ser indicado para o 7º, 8º e 9º ano no contexto do plano de leitura nacional português - canibalismo? Assassinatos? Jean-Baptiste Grenouille é um dos maiores psicopatas de todos os tempos. Mas também dos que melhor se enraizam no leitor. É necessário explicar que ele tem o sentido do olfacto excepcionalmente desenvolvido, e a sua percepção do real advém sempre daí. Ele é completamente obcecado pelo mundo dos cheiros, e é nele em que gravita, indiferente a tudo o resto. Ele é tão egoísta que, quando mete na cabeça que quer criar a essência do amor, não lhe custa nada acabar com a vida de jovens mulheres, umas atrás das outras, a fim de lhes extrair a fragrância que, combinada, culminará nesta poção poderosa, até se tornar numa espécie de serial killer do século XVIII, perseguido por toda a França conforme deixa para trás o seu rasto doentio. E esta essência do amor é tão poderosa que o próprio Grenouille substima os riscos de a aplicar em si. É maravilhoso sermos despertados para a importância deste sentido que é, em geral, tão menosprezado. Foi um festim de fragrâncias, muitas das quais desconhecidas, que se insinuou perante mim, como leitora, e que me embalou ao longo das páginas do livro. O final foi de génio, o único possível, tiro o chapéu ao senhor Sünskind por mergulhar num universo tão sombrio e emergir dele como um dos escritores mais talentosos de todos os tempos, na minha humilde opinião. Quando pego no livro ainda me cheira às alperces que a ruiva carrega.
 Classificação: 5*****

#20 BROWN, Dan - Anjos e Demónios


Sinopse: Quando um famoso cientista do CERN é encontrado brutalmente assassinado, o professor de simbologia Robert Langdon é chamado para identificar o estranho símbolo gravado no peito do cientista. A sua conclusão é avassaladora: a marca é de uma antiga Irmandade chamada Illuminatti, supostamente extinta há séculos e inimiga da Igreja Católica. Em Roma, o Colégio dos Cardeais está reunido para eleger um novo Papa quando se apercebe do rapto de quatro cardeais, ao mesmo tempo que a Guarda Suíça é informada de que uma perigosa arma está na Cidade do Vaticano com o propósito de a destruir. Robert Langdon – quem não o conhece? – ajudado desta vez por Victoria Vetra, cientista do CERN, procura desesperadamente a antimatéria no meio das intricadas pistas deixadas pelos Illuminati, lutando contra o tempo para salvar o Vaticano.

Opinião: Como pessoa que me interesso genuinamente por religião, arte, ciência e viagens, a modos que este livro é um coquetél perfeito destes elementos. O melhor conseguido dos livros do Sr. Brown, segundo os meus gostos pessoais, fala de um intrincado esquema duma suposta organização cinquentenária para atirar a Igreja Católica ao chão por terra. A intriga religiosa, pautada pela visão que a ciência tem do comportamento da Igreja ao longo dos séculos, manteve-me pregada a cada página. As personagens são únicas e vívidas - o Camerlengo foi dos meus favoritos ao longo de todo o livro. A Vittoria e os seus calções são uma imagem nítida ao longo da acção, as igrejas de roma, os seus artistas mais notáveis, as suas obras são esmiuçados de um ponto de vista simbólico e remetem o autor para uma enxorrada de cultura que me deixou extasiada. Foi como reencontrar velhos amigos dentro do livro. É uma óptima intriga que acaba por dar uma pequena lição de História, Arte, Ciência e Religião. Adorei o professor e os colegas de turma.

Aproveito para mencionar que o filme - com aquela banda sonora genial do Hans Zimmer - é igualmente digno de um visionamento.

Classificação: 5****