sexta-feira, 27 de abril de 2012

»Compras literárias para breve

Prioridades de compras literárias

1- Soberba Escuridão, Andreia Ferreira
2- Sob o Céu de Paris, Jorge Campião e Elisabete Caldeira
3- Promessas de Amor, Sherry Thomas
4- O Conde de Monte Cristo, Alexandre Dumas
5- Eu Sei que Voltarás, Mary Higgins Clark
7- O Monte dos Vendavais, Emily Brönte
8- Mansfield Park, Jane Austen
9- Northanger Abbey, Jane Austen
10- Frankenstein, Mary Shelley (wordsworth)
11- O Homem da Máscara de Ferro, Alexandre Dumas
12- As Novas Meninas dos Chocolates, Annie Murray + oferta fnac (A Rainha dos Gelados, Anthony Capella)
14- Moby Dick, Herman Melville
15- Mrs Dalloway, Virginia Wolf
16- The Portrait of a Lady, Henry James
17- Vanity Fair,William Makepeace Thackray
18- War and Peace, Leo Tolstoi
6- Dracula, Bram Stocker
13- The Scarlett Letter, Nathaniel Hawthorne

Os clássicos são da wordsworth, custam entre 2,78€ e 3,09€ na FNAC, em inglês.
Também ando a adiar o momento de comprar estes em italiano:
Come stelle cadenti, Sveva Casati Modignani
Lo Splendore della Vita, Sveva Casati Modignani
Mas o custo de expedição da Fnac deles é 16,00€, ando a adiar...

quinta-feira, 26 de abril de 2012

#27 PEASE, Lesley - Nunca Me Esqueças

Sinopse: Num dia… Com um gesto apenas… A vida de Mary mudou para sempre. Naquele que seria o dia mais decisivo da sua vida, Mary – filha de humildes pescadores da Cornualha – traçou o seu destino ao roubar um chapéu. O seu castigo: a forca. A sua única alternativa: recomeçar a vida no outro lado do mundo. Dividida entre o sonho de começar de novo e o terror de não sobreviver a tão dura viagem, Mary ruma à Austrália, à época uma colónia de condenados. O novo continente revela-se um enorme desafio onde tudo é desconhecido… como desconhecida é a assombrosa sensação de encontrar o grande amor da sua vida. Apaixonada, Mary vai bater-se pelos seus sonhos sem reservas ou hesitações. E a sua luta ficará para sempre inscrita na História. Inspirada por uma excepcional história verídica, Lesley Pearse – a rainha do romance inglês – apresenta-nos Mary Broad e, com ela, faz-nos embarcar numa montanha-russa de emoções únicas e inesquecíveis.

Opinião: Antes de mais, é preciso informar de que demorei uns quatro ou cinco meses a percorrer a viagem destas páginas. Comecei com o coração nas mãos e a indignação de quem vê o "simples" roubo de um chapéu punido com uma deportação desumana para a Austrália. Depois soube que a Mary Bryant, ou Broad, existiu mesmo e isso deu novo realismo à história. Li a primeira metade do livro de um sopro, a vida a bordo do Dunkirk - o tifo, a imundície, as febres, as intempéries, etc., os actos grotescos de uma das nações que se diz entre as mais civilizadas desde sempre. A partir da última metade, o livro torna-se entediante, aborrecido com pormenores de uma rotina miserável, pobre de alma e de condições humanas. Tanta desgraça junta... Mas enfim, o pior é que a sombra das catástrofes paira sobre todo o livro e esperamos, esperamos e esperamos por vê-la tomar os protagonistas. As últimas cem páginas deviam ter sido resumidas para 25. Achei que o ritmo geral do livro era lento. Ontem consegui tomá-lo pelos cornos e terminá-lo de vez, mas não tenho especial gosto por livros que me sabem a obrigação. Além disso detestei o facto de a Mary ser adorada por todos e de distribuir beijos nos lábios de todos como uma irmãzinha grata a dar esmolas aos tolos enamorados. Dou três porque o livro tem um evidente e trabalhoso cuidado de pesquisa por trás. Teve rasgos interessantes por entre outros que me causaram enfado. Em geral estou feliz que tenha acabado, foi uma leitura custosa e não estou a ver-me a passar por ela de novo.

Classificação: 3***

terça-feira, 24 de abril de 2012

#26 HUNTER, Madeline - Mil Noites de Paixão

Sinopse: Eles não têm absolutamente nada em comum. Lady Reyna é uma mulher virtuosa e erudita, que preferia morrer a quebrar uma promessa ou voto. Ian de Guilford é um sensual  mercenário, um cavaleiro errante cujo temperamento fogoso lhe valeu a alcunha de Senhor  as Mil Noites. Ela não conhecia a sua fama quando, fazendo-se passar por cortesã, transpôs as linhas inimigas com um plano desesperado para salvar o seu povo. Agora está frente a  frente com o guerreiro a cujos encantos, diz-se, é impossível resistir, Reyna percebe-se que subestimou o inimigo. Ele está decidido a tudo para subjugar a sua virtude. A bem do seu povo, ela não pode ceder... e a sua audácia leva-a a fazer algo com que nunca sonhou: pôr em jogo o seu coração.


Opinião: Este livro foi tão confuso, tão rebuscado, tão desinteressante que fui obrigada a ler mais de 300 páginas, para me obrigar a compensar-me pelo investimento nele, e a largá-lo a cerca de 30 páginas do fim. Interesse? Nenhum. A história (não é de estranhar, não tem nada a ver com o que a sinopse promete) anda em torno de Ian de Guilford, uma espécie de mercenário detestável, inesperadamente honrado e piedoso. Nada de estranho aqui.  simultaneamente Reyna não tem voto algum de castidade, tem sim um segredo tolo mas não se iludam, ela só se dá ao trabalho de o repetir uma vez. O segredo dela era quase transparente. Depois o livro cai numa espiral de tentativas de fuga dela, e ele recupera-a. Depois ele vai combater e ordena-a que fique na torre. Ela foge. Ele tem de ir resgatá-la. É absolutamente ridícula toda a história. É maçadora, sem interesse algum. A Reyna é uma idiota e o Ian é um tolo por andar embeiçado por ela. Ainda para mais surgem a Christiana e o David, do Casamento de Conveniência, e são as únicas personagens toleráveis, porque depois também surge Morvan, a dar ordens à mulher, Anna de Léon, e a Anna, sempre a desobedecer-lhe e a meter-se em situações estúpidas.

Deixem-me apenas esclarecer que, neste momento, tenho sete livros da Hunter. Comprei-os todos porque amei o primeiro que li, As Regras da Sedução, que falava na queda financeira de uma família e neste senhor, um cavalheiro, perto dos outros que vão surgindo nos livros dela, que é o Hayden. Esse teve corpo, daí por diante... Oh God, terei que desistir dos romances ditos românticos? A substância perdeu-se.

A Hunter vai de mal a pior... esperava mais da Asa.

Classificação: 1*

sexta-feira, 20 de abril de 2012

»O que a primeira frase de um livro diz do seu todo?..?

Uma vez uma amiga disse-me que tem um conhecido que abre os livros na livraria, evitando fitar a capa durante mais tempo do que o necessário, para que a primeira impressão seja a da primeira frase do livro. Com base nisto, decidi listar aqui as primeiras frases de alguns livros que tenho aqui na prateleira...

1 - «Uma vez, quando eu tinha seis anos, vi uma imagem magnífica num livro sobre a Floresta Virgem chamado «Histórias Vididas», Antoine de Saint-Exupéry, O Principezinho
2 - «Sofia Amundsen regressava da escola.», Jorteein Gäarder, o Mundo de Sofia
3 - «Mary apertou com força o corrimão do banco dos réus quando o juiz entrou na sala do tribunal», Lesley Pearse, Nunca me esqueças
4 - «Quando eu sair daqui, vamo-nos casar na fazenda de minha feliz infância, lá na raíz da serra.», Chico Buarque, Leite Derramado
5 - «Olímpia Vieira era, aos sessenta e dois anos, um osso duro de roer.» Célia C. Loureiro, Demência

Um bocadinho de egocentrismo não me faz mal... eheh.




#25 REBELO, Tiago - Uma Promessa de Amor


SinopseUm jornalista de televisão no topo da fama. Uma criativa de sucesso no mundo da publicidade. Uma repórter cubana que busca a liberdade. Três pessoas movidas pela força de vontade nas suas profissões que perseguem objectivos maiores para as suas vidas incompletas. A perigosa aventura de Luz María a caminho do exílio leva-a a cruzar-se com Lourenço e este não podia imaginar que uma decisão tomada numa ilha tropical iria afectar irremediavelmente a sua vida. Um encontro fortuito numa estação de comboios em Lisboa, um momento de pânico motivado pela perseguição política, atira Luz Maria para os braços de Lourenço quando este vai ao encontro de Isabel. Se num primeiro instante foi apenas por solidariedade que decidiu ajudar Luz María a começar uma nova vida em Portugal, em breve Lourenço vai ver-se envolvido num turbilhão de sentimentos que o irão obrigar a fazer uma escolha impossível entre a mulher dos seus sonhos e a mulher da sua vida.  Autor de enormes sucessos literários, como O Tempo dos Amores Perfeitos, O Último ano em Luanda e o mais recente O Homem Que Sonhava Ser Hitler, Tiago Rebelo apresenta-nos aqui uma história intensa de paixão, amor e amizade, que prova como a felicidade nem sempre se encontra no caminho mais evidente.

Opinião: Tiago Rebelo, Tiago Rebelo…

Talvez deva gabar a perícia que este senhor tem para reconhecer crianças nos homens. É o segundo livro dele que leio e, segundo sei, a fórmula é a mesma. Metem-se duas mulheres ao barulho, maduras e admiráveis, e um homem indeciso como uma criança numa loja de doces. Recorta-se uma cena em duas, mete-se metade no início e metade no fim e tem-se assim uma fórmula “infalível”. Depois é preciso que as mulheres digam que estão fartas de ser espezinhadas, e que o homem seja tão encantador – e encantador é a palavra favorita do autor – que lhe dê a volta no final sabe-se lá como (ele também não se dá ao trabalho de explicar). O que dizer deste romance em específico?
Temos uma mulher (Luz María) presa ao regime cubano – encantadora – que tem um caso quase fortuito com um homem-criança, idiota, atraente, metido por entre todas as saias que passam. Temos essa mulher a quase arriscar a vida para conseguir fugir do país, com a mãe atrelada. Depois temos outra mulher (Isabel) com uma carreira de sucesso no ramo da publicidade, cuja vida já foi inúmeras vezes estraçalhada pelo mesmo homem que ela considera o amor da sua vida, e a quem este Lourenço, também homem-criança, considera o amor da sua. Posto isto, não entendo como é que a mestria deste senhor se mete a enrolar as cabeças das pessoas. A mim parece-me tudo muito simples – ele passou a vida a destruir a felicidade da mulher que diz amar (apetece-me rir pelo facto de ela, aparentemente, lhe ter dado essas oportunidades todas), e então vem a cubana. A cubana, uma mulher admirável, sem dúvida, embora nunca se entenda muito bem o que a move – sem ser o desejo por liberdade, que me parece comum a qualquer ser-humano num regime opressivo – e por quem ele se encanta. E o encantamento é suficiente para, uma vez que não pode tê-la, meter novamente “a mulher da sua vida” na gaveta. Foi o final que me chocou mais quando uma destas mulheres, descritas como fortes e dignas pelo autor, decide aceitá-lo. E desvie agora os olhos quem tiver intenções de embarcar neste mar de frases feitas, informações dispensáveis e evidente falta de empenho do autor.  Mas ela ACEITA-O. Para mim era evidente que o final do livro é cada uma delas a dispensar o idiota do homem, que viveu por entre pernas uma vida inteira, que se despiu da Isabel porque “não estava preparado”, que voltou para ela só para voltar a deixá-la uma e outra vez. Que final mais perfeito, mais adulto, seria este? Desdenhou tantas vezes do doce que devia era ficar sozinho na sua casa “enorme” no Parque das Nações, a beber o típico uísque e a olhar para as luzes da Vasco da Gama. Aí sim, talvez eu admirasse um pouco este livro. Agora um final feliz para um pulha? Uma mulher de personalidade forte a submeter-se outra vez?
Poupa-me, Tiago. Não me convenceste.
Classificação: 2**

quinta-feira, 19 de abril de 2012

#24 MODIGNANI, Sveva Casati


Sinopse: Um casamento em crise: como se a baunilha e o chocolate já não combinassem tão bem como outrora... O grande "clássico" de Sveva Casati Modignani.
O que se passa com Penelope e Andrea após dezoito anos de um casamento quase perfeito? A baunilha e o chocolate já não combinam? Impossível! Desde sempre, apesar do contraste de cores e sabores, fizeram uma mistura fantástica, como algumas uniões afetivas, que vão aguentando, aguentando, como que levadas por um vento milagroso. Mas o vento, às vezes, deixa de soprar...
Inesperadamente, Andrea revela-se protagonista de inúmeras escapadelas mal escondidas e o seu comportamento, por vezes, é tão infantil e egoísta que Penelope decide oferecer-lhe um presente: deixá-lo sozinho a lidar com os três filhos e com as inúmeras tarefas domésticas, que até agora pesavam única e exclusivamente sobre os seus ombros. Quanto a ela, refugia-se na casa da família em Cesenatico. A separação revela-se, para ambos, um desafio cansativo e, por vezes, angustiante, mas a verdade acabará por vir ao de cima: o amor que os uniu continua vivo...

Opinião: Baunilha e o Chocolate é, para mim, o melhor romance de Sveva Casati Modignani. Por muito singelo que seja, sem grandes sobressaltos ou reviravoltas de cortar a respiração. É um romance sobre compromisso e fidelidade. É sobre Penelope, que apaixona loucamente por Andrea, e sobre Andrea que, mesmo amando Penelope, mesmo sendo pai dos seus três filhos, não consegue que ela lhe baste. Pula de saia em saia e, a cada vez que o faz, Penelope é humilhada ao receber o gelado de baunilha e chocolate que ele traz para forçar as pazes.
É apenas quando Penelope se afasta para a antiga villa da sua avó e deixa o marido mimado a braços com a filha anoréctica, o filho cheio de piercings e com uma cobra como animal de estimação e o pequeno e asmático Luca, que Andrea repensa o seu valor na sua vida.
Andrea tem até este ultimato: não a contactar até que ela meta a cabeça no lugar. É uma viagem agradável pela Itália, com um enredo simples mas enriquecedor, no melhor registro de Sveva que, infelizmente, é o que ela aplicou também a todos os outros livros...
 Classificação: 4****

sexta-feira, 13 de abril de 2012

#23 SOARES, Carla M. - Alma Rebelde

Sinopse: No calor das febres que incendeiam a Lisboa do século XIX, Joana, uma burguesa jovem e demasiado inteligente para o seu próprio bem, vê o destino traçado num trato comercial entre o pai e o patriarca de uma família nobre e sem meios. Contrariada, Joana percorre os quilómetros até à nova casa, preparando-se para um futuro de obediências e nenhuma esperança. Mas Santiago, o noivo, é em tudo diferente do que esperava. Pouco convencional, vivido e, acima de tudo, livre, depressa desarma Joana, com promessas de igualdade, respeito e até amor. Numa atmosfera de sedução incontida e de aventuras desenham-se os alicerces de um amor imprevisto... Mas será Joana capaz de confiar neste companheiro inesperado e entregar-se à liberdade com que sempre sonhou? Ou esconderá o encanto de Santiago um perigo ainda maior?


Opinião: O meu plano inicial, ao ultrapassar o meio do livro, era atribuir-lhe um quatro e meio. Ainda assim, quatro. Estava muito concentrada nas interjeições, e embirro com elas porque dão um tom afectado ao discurso, uma espécie de suspiro muito português. As interjeições (tantos ohs, e ahs! e pontos de exclamação!) mantiveram-me longe da literatura portuguesa, mas sobretudo a má qualidade dos enredos e a pobreza de escrita foram os culpados por esse afastamento. Agora, após perseguir ferozmente este livro durante a tarde de hoje (12.04.2012), em que saiu para a luz do mercado, agora... que acabei de o ler, convido todos nós, portugueses e portuguesas amantes de um bom romance histórico, de um um bom nível de português - acessível e bem alinhavado - a embrenharem-se neste livro, que é quase uma viagem contínua. Li-o de enfiada, como se comprova com facilidade. Fala sobre uma rapariga, Joana, cujo pai é rico e despoleta, assim, as ambições de um nobre na miséria, D. Miguel. Este D. Miguel arranja um casamento entre Joana e o seu filho, Santiago, para que com o dote possa reaver um pouco da sua glória passada. 

O que dizer destas personagens? Gosto mais do Santiago que da Joana, é a verdade. Mas parece-me que ela foi escrita para se entranhar, e ele para nos apaixonar-mos à primeira vista. Contudo, no enredo, é o oposto que sucede entre os dois. Ela estranha-o e ele fica vidrado nela. 

Não é o enredo em si que me faz valorizar a história - achei a Joana um pouco queixosa para uma pessoa que tinha a melhor amiga numa situação muito pior - mas sim a humanidade que encontrei nas personagens e, sobretudo, o talento evidente da escritora, que soube valer-se de conta e medida para se manter num terreno seguro. Não dramatizou excessivamente, não caiu em clichés, surpreendeu-me até várias vezes, e agradavelmente, o que raramente acontece quando leio, posto que já li tanta coisa. 

O Santiago é cativante, qualquer mulher o quereria para si. A D. Ana é enternecedora e o D. Miguel é daquelas pessoas frustrantes com quem temos perfeita consciência de que nunca conseguiremos lidar. Considerei todo o desenrolar de acontecimentos bastante pertinente e, apesar de algumas falhas de comunicação entre as personagens principais, a autora teve suficiente mestria para nos fazer compreender, com clareza, o porquê de se compreenderem as asserções de modo oposto. O romance prometia sensualidade e gabo também a elegância, a classe, com que conseguiu envolver-nos nessa sugestão sem cair nas vulgaridades que tenho lido em muitos livros ultimamente. Já me tinha esquecido que, tal como no E Tudo o Vento Levou, meia palavra arrepia muito mais do que uma frase completa à letra. 

Curiosamente, a Joana é a personagem de quem gostei menos. Achei que a Rosália (a ama dela), a dado momento, perdeu-se no enredo, mas adorei a construção geral. Dei por mim a sorrir em diversas partes, dos atrevimentos do Santiago e das explosões da Brites e da doçura da D. Ana. Os desvios de língua da Joana também deram pano para mangas, porque incitaram o Santiago a revelar-se mais. 

Os termos históricos acho que vieram na medida certa. Dei por mim extasiada ante a menção do meu adorado romance Madame Bovary, do Flaubert, e de outras referências históricas que reconheci de imediato porque sou amante da História. O casamento de D. Pedro com D. Estefânia. A América com presidentes e quase, quase em cima da Guerra de Secessão. A inauguração, em 1856, do primeiro troço de caminhos-de-ferro em Portugal. O Brasil e a promessa de uma vida melhor... Nas últimas páginas retive o fôlego, a autora virou o enredo de forma tão convincente que vislumbrei um final alternativo para o livro, vestiu-o de nexo e de credibilidade e deixou-me a arfar por ler mais depressa. 

Em suma, todo o livro foi lido de um só sopro. Os meus sinceros parabéns àquela que considero, sem dúvida, a melhor autora de romances «romance» portuguesa. Destronou a rainha da pop destas bandas (ou rainha da asneira e da futilidade), Margarida Rebelo Pinto (atenção que nunca foi rainha alguma para mim). Um adeus também ao Tiago Rebelo, reforme-se porque não atinge (com o seu jornalismo e quês), metade da perícia com as palavras, metade da profundidade e da complexidade humanas que a Carla expôs. Um triunfo perfeito para um primeiro lançamento. Fico a contar os dias até ao próximo.
Classificação 5*****