terça-feira, 1 de maio de 2012

#28 KEATING, Barbara e Stephanie - Irmãs de Sangue

Sinopse: Quénia, 1957. Durante a infância, três meninas de meios sociais muito diferentes tornam-se irmãs de sangue: a irlandesa Sarah Mackay, a africânder Hannah van der Beer e a britânica Camilla Broughton-Smith juram que nada nem ninguém quebrará o laço que as une. Mas o que o futuro lhes reserva vai pôr à prova os seus sonhos e certezas. Separadas pela distância e pelas obrigações familiares, as três jovens são atiradas para um mundo de interesses em conflito. Camilla alcança o sucesso como modelo na animada Londres da década de 1960; Sarah Mackay é enviada para a universidade na sua Irlanda natal, uma experiência penosa que apenas fortalece a sua determinação de voltar para África; e a família de Hannah Van der Beer esforça-se para manter a fazenda que os seus antepassados africânderes erigiram na viragem do século. Os seus laços serão constantemente postos à prova e, a par do exotismo de África, a sua amizade será pano de fundo para interesses amorosos cruzados e promessas quebradas.

Opinião: Comecei a ler este livro há anos atrás. Se não me engano, comprei-o na feira do livro de 2010. Portanto comecei a lê-lo aí, em Maio de 2010. Tem 670 páginas e devorei 600 delas num instante. Não posso dizer que me recordo de todos os pormenores da história, mas recordo-me dos núcleos centrais, da Hannah, da Sarah e da Camilla. Das vidas e das angústias de cada uma. Recordo-me de que a Sarah foi sempre apaixonada pelo irmão da Hannah, o Piet, e que o Piet foi sempre um capacho da Camilla (até certo ponto). Depois recordo-me de que a Camilla era apaixonada por um homem da savana que combate caçadores ilegais, o Anthony, e que este Anthony é um mulherengo. E lembro-me das tradições africanas, deste Quénia dos anos 60, quando a Inglaterra finalmente recua e o país fica entregue a si próprio. Recordava-me das violências raciais e do medo e das atrocidades que foram pautando as vidas daquelas três amigas.


Hoje, 01 de Maio de 2012, peguei nas últimas 70 páginas e li-as de enfiada. Recordei-me do sentimento geral do livro - tão humano. Da história de África, do seu perfume, tão bem transmitido nestas linhas... Não sei se é de África - que sempre me chamou através do meu avô materno - ou se é do talento inegável destas duas irmãs e autoras, mas o que é certo é que há meses que não chorava ao ler um livro, e quando dei por mim, estas 70 páginas renascidas de outras 600 lidas em 2010 levaram a lágrimas involuntárias. Levaram a um sentimento de saudade e melancolia e pertença. E fiquei ansiosa por ler os próximos desta trilogia, por muito maçudos que sejam!
Classificação: 5*****

»Leituras para Maio/relatório Abril

Sendo que em Abril não comecei sequer o Monte dos Vendavais, nem acabei o meu Demência, nem acabei o A Rainha no Palácio das Correntes de Ar, vou ser menos ambiciosa este mês... vejamos.


1 - Acabar o Demência
2 - Acabar A Rainha no Palácio das Correntes de Ar
3 - Começar e acabar O Monte dos Vendavais (substitui A Guerra dos Tronos)
4 - Começar e acabar o Soberba Escuridão
5 - Começar e acabar o Promessas de Amor
6 - Começar e acabar o Ficarei à Tua Espera (substitui o Eu Sei que Voltarás)

Quanto ao mês passado:

Li 250/715 páginas d'A Rainha no Palácio das Correntes de Ar, Stieg Larsson
Li 191/334 páginas do Mil Noites de Paixão (e terminei-o: http://castelos-de-letras.blogspot.pt/2012/04/26-hunter-madeline-mil-noites-de-paixao.html), Madeline Hunter
Li 113/432 páginas do Nunca Me Esqueças (e terminei-o: http://castelos-de-letras.blogspot.pt/2012/04/27-pease-lesley-nunca-me-esquecas.html), Leasley Pearse
Li 56/400 páginas do Demência, Célia Correia Loureiro
Li 50/379 da Guerra dos Tronos, George R. R. Martin

Total: 1160 páginas em Abril


sexta-feira, 27 de abril de 2012

»Compras literárias para breve

Prioridades de compras literárias

1- Soberba Escuridão, Andreia Ferreira
2- Sob o Céu de Paris, Jorge Campião e Elisabete Caldeira
3- Promessas de Amor, Sherry Thomas
4- O Conde de Monte Cristo, Alexandre Dumas
5- Eu Sei que Voltarás, Mary Higgins Clark
7- O Monte dos Vendavais, Emily Brönte
8- Mansfield Park, Jane Austen
9- Northanger Abbey, Jane Austen
10- Frankenstein, Mary Shelley (wordsworth)
11- O Homem da Máscara de Ferro, Alexandre Dumas
12- As Novas Meninas dos Chocolates, Annie Murray + oferta fnac (A Rainha dos Gelados, Anthony Capella)
14- Moby Dick, Herman Melville
15- Mrs Dalloway, Virginia Wolf
16- The Portrait of a Lady, Henry James
17- Vanity Fair,William Makepeace Thackray
18- War and Peace, Leo Tolstoi
6- Dracula, Bram Stocker
13- The Scarlett Letter, Nathaniel Hawthorne

Os clássicos são da wordsworth, custam entre 2,78€ e 3,09€ na FNAC, em inglês.
Também ando a adiar o momento de comprar estes em italiano:
Come stelle cadenti, Sveva Casati Modignani
Lo Splendore della Vita, Sveva Casati Modignani
Mas o custo de expedição da Fnac deles é 16,00€, ando a adiar...

quinta-feira, 26 de abril de 2012

#27 PEASE, Lesley - Nunca Me Esqueças

Sinopse: Num dia… Com um gesto apenas… A vida de Mary mudou para sempre. Naquele que seria o dia mais decisivo da sua vida, Mary – filha de humildes pescadores da Cornualha – traçou o seu destino ao roubar um chapéu. O seu castigo: a forca. A sua única alternativa: recomeçar a vida no outro lado do mundo. Dividida entre o sonho de começar de novo e o terror de não sobreviver a tão dura viagem, Mary ruma à Austrália, à época uma colónia de condenados. O novo continente revela-se um enorme desafio onde tudo é desconhecido… como desconhecida é a assombrosa sensação de encontrar o grande amor da sua vida. Apaixonada, Mary vai bater-se pelos seus sonhos sem reservas ou hesitações. E a sua luta ficará para sempre inscrita na História. Inspirada por uma excepcional história verídica, Lesley Pearse – a rainha do romance inglês – apresenta-nos Mary Broad e, com ela, faz-nos embarcar numa montanha-russa de emoções únicas e inesquecíveis.

Opinião: Antes de mais, é preciso informar de que demorei uns quatro ou cinco meses a percorrer a viagem destas páginas. Comecei com o coração nas mãos e a indignação de quem vê o "simples" roubo de um chapéu punido com uma deportação desumana para a Austrália. Depois soube que a Mary Bryant, ou Broad, existiu mesmo e isso deu novo realismo à história. Li a primeira metade do livro de um sopro, a vida a bordo do Dunkirk - o tifo, a imundície, as febres, as intempéries, etc., os actos grotescos de uma das nações que se diz entre as mais civilizadas desde sempre. A partir da última metade, o livro torna-se entediante, aborrecido com pormenores de uma rotina miserável, pobre de alma e de condições humanas. Tanta desgraça junta... Mas enfim, o pior é que a sombra das catástrofes paira sobre todo o livro e esperamos, esperamos e esperamos por vê-la tomar os protagonistas. As últimas cem páginas deviam ter sido resumidas para 25. Achei que o ritmo geral do livro era lento. Ontem consegui tomá-lo pelos cornos e terminá-lo de vez, mas não tenho especial gosto por livros que me sabem a obrigação. Além disso detestei o facto de a Mary ser adorada por todos e de distribuir beijos nos lábios de todos como uma irmãzinha grata a dar esmolas aos tolos enamorados. Dou três porque o livro tem um evidente e trabalhoso cuidado de pesquisa por trás. Teve rasgos interessantes por entre outros que me causaram enfado. Em geral estou feliz que tenha acabado, foi uma leitura custosa e não estou a ver-me a passar por ela de novo.

Classificação: 3***

terça-feira, 24 de abril de 2012

#26 HUNTER, Madeline - Mil Noites de Paixão

Sinopse: Eles não têm absolutamente nada em comum. Lady Reyna é uma mulher virtuosa e erudita, que preferia morrer a quebrar uma promessa ou voto. Ian de Guilford é um sensual  mercenário, um cavaleiro errante cujo temperamento fogoso lhe valeu a alcunha de Senhor  as Mil Noites. Ela não conhecia a sua fama quando, fazendo-se passar por cortesã, transpôs as linhas inimigas com um plano desesperado para salvar o seu povo. Agora está frente a  frente com o guerreiro a cujos encantos, diz-se, é impossível resistir, Reyna percebe-se que subestimou o inimigo. Ele está decidido a tudo para subjugar a sua virtude. A bem do seu povo, ela não pode ceder... e a sua audácia leva-a a fazer algo com que nunca sonhou: pôr em jogo o seu coração.


Opinião: Este livro foi tão confuso, tão rebuscado, tão desinteressante que fui obrigada a ler mais de 300 páginas, para me obrigar a compensar-me pelo investimento nele, e a largá-lo a cerca de 30 páginas do fim. Interesse? Nenhum. A história (não é de estranhar, não tem nada a ver com o que a sinopse promete) anda em torno de Ian de Guilford, uma espécie de mercenário detestável, inesperadamente honrado e piedoso. Nada de estranho aqui.  simultaneamente Reyna não tem voto algum de castidade, tem sim um segredo tolo mas não se iludam, ela só se dá ao trabalho de o repetir uma vez. O segredo dela era quase transparente. Depois o livro cai numa espiral de tentativas de fuga dela, e ele recupera-a. Depois ele vai combater e ordena-a que fique na torre. Ela foge. Ele tem de ir resgatá-la. É absolutamente ridícula toda a história. É maçadora, sem interesse algum. A Reyna é uma idiota e o Ian é um tolo por andar embeiçado por ela. Ainda para mais surgem a Christiana e o David, do Casamento de Conveniência, e são as únicas personagens toleráveis, porque depois também surge Morvan, a dar ordens à mulher, Anna de Léon, e a Anna, sempre a desobedecer-lhe e a meter-se em situações estúpidas.

Deixem-me apenas esclarecer que, neste momento, tenho sete livros da Hunter. Comprei-os todos porque amei o primeiro que li, As Regras da Sedução, que falava na queda financeira de uma família e neste senhor, um cavalheiro, perto dos outros que vão surgindo nos livros dela, que é o Hayden. Esse teve corpo, daí por diante... Oh God, terei que desistir dos romances ditos românticos? A substância perdeu-se.

A Hunter vai de mal a pior... esperava mais da Asa.

Classificação: 1*

sexta-feira, 20 de abril de 2012

»O que a primeira frase de um livro diz do seu todo?..?

Uma vez uma amiga disse-me que tem um conhecido que abre os livros na livraria, evitando fitar a capa durante mais tempo do que o necessário, para que a primeira impressão seja a da primeira frase do livro. Com base nisto, decidi listar aqui as primeiras frases de alguns livros que tenho aqui na prateleira...

1 - «Uma vez, quando eu tinha seis anos, vi uma imagem magnífica num livro sobre a Floresta Virgem chamado «Histórias Vididas», Antoine de Saint-Exupéry, O Principezinho
2 - «Sofia Amundsen regressava da escola.», Jorteein Gäarder, o Mundo de Sofia
3 - «Mary apertou com força o corrimão do banco dos réus quando o juiz entrou na sala do tribunal», Lesley Pearse, Nunca me esqueças
4 - «Quando eu sair daqui, vamo-nos casar na fazenda de minha feliz infância, lá na raíz da serra.», Chico Buarque, Leite Derramado
5 - «Olímpia Vieira era, aos sessenta e dois anos, um osso duro de roer.» Célia C. Loureiro, Demência

Um bocadinho de egocentrismo não me faz mal... eheh.




#25 REBELO, Tiago - Uma Promessa de Amor


SinopseUm jornalista de televisão no topo da fama. Uma criativa de sucesso no mundo da publicidade. Uma repórter cubana que busca a liberdade. Três pessoas movidas pela força de vontade nas suas profissões que perseguem objectivos maiores para as suas vidas incompletas. A perigosa aventura de Luz María a caminho do exílio leva-a a cruzar-se com Lourenço e este não podia imaginar que uma decisão tomada numa ilha tropical iria afectar irremediavelmente a sua vida. Um encontro fortuito numa estação de comboios em Lisboa, um momento de pânico motivado pela perseguição política, atira Luz Maria para os braços de Lourenço quando este vai ao encontro de Isabel. Se num primeiro instante foi apenas por solidariedade que decidiu ajudar Luz María a começar uma nova vida em Portugal, em breve Lourenço vai ver-se envolvido num turbilhão de sentimentos que o irão obrigar a fazer uma escolha impossível entre a mulher dos seus sonhos e a mulher da sua vida.  Autor de enormes sucessos literários, como O Tempo dos Amores Perfeitos, O Último ano em Luanda e o mais recente O Homem Que Sonhava Ser Hitler, Tiago Rebelo apresenta-nos aqui uma história intensa de paixão, amor e amizade, que prova como a felicidade nem sempre se encontra no caminho mais evidente.

Opinião: Tiago Rebelo, Tiago Rebelo…

Talvez deva gabar a perícia que este senhor tem para reconhecer crianças nos homens. É o segundo livro dele que leio e, segundo sei, a fórmula é a mesma. Metem-se duas mulheres ao barulho, maduras e admiráveis, e um homem indeciso como uma criança numa loja de doces. Recorta-se uma cena em duas, mete-se metade no início e metade no fim e tem-se assim uma fórmula “infalível”. Depois é preciso que as mulheres digam que estão fartas de ser espezinhadas, e que o homem seja tão encantador – e encantador é a palavra favorita do autor – que lhe dê a volta no final sabe-se lá como (ele também não se dá ao trabalho de explicar). O que dizer deste romance em específico?
Temos uma mulher (Luz María) presa ao regime cubano – encantadora – que tem um caso quase fortuito com um homem-criança, idiota, atraente, metido por entre todas as saias que passam. Temos essa mulher a quase arriscar a vida para conseguir fugir do país, com a mãe atrelada. Depois temos outra mulher (Isabel) com uma carreira de sucesso no ramo da publicidade, cuja vida já foi inúmeras vezes estraçalhada pelo mesmo homem que ela considera o amor da sua vida, e a quem este Lourenço, também homem-criança, considera o amor da sua. Posto isto, não entendo como é que a mestria deste senhor se mete a enrolar as cabeças das pessoas. A mim parece-me tudo muito simples – ele passou a vida a destruir a felicidade da mulher que diz amar (apetece-me rir pelo facto de ela, aparentemente, lhe ter dado essas oportunidades todas), e então vem a cubana. A cubana, uma mulher admirável, sem dúvida, embora nunca se entenda muito bem o que a move – sem ser o desejo por liberdade, que me parece comum a qualquer ser-humano num regime opressivo – e por quem ele se encanta. E o encantamento é suficiente para, uma vez que não pode tê-la, meter novamente “a mulher da sua vida” na gaveta. Foi o final que me chocou mais quando uma destas mulheres, descritas como fortes e dignas pelo autor, decide aceitá-lo. E desvie agora os olhos quem tiver intenções de embarcar neste mar de frases feitas, informações dispensáveis e evidente falta de empenho do autor.  Mas ela ACEITA-O. Para mim era evidente que o final do livro é cada uma delas a dispensar o idiota do homem, que viveu por entre pernas uma vida inteira, que se despiu da Isabel porque “não estava preparado”, que voltou para ela só para voltar a deixá-la uma e outra vez. Que final mais perfeito, mais adulto, seria este? Desdenhou tantas vezes do doce que devia era ficar sozinho na sua casa “enorme” no Parque das Nações, a beber o típico uísque e a olhar para as luzes da Vasco da Gama. Aí sim, talvez eu admirasse um pouco este livro. Agora um final feliz para um pulha? Uma mulher de personalidade forte a submeter-se outra vez?
Poupa-me, Tiago. Não me convenceste.
Classificação: 2**