segunda-feira, 8 de outubro de 2012

#56 QUINN, Julia - Peripécias do Coração


Sinopse: A sensata Kate Sheffield está decidida a encontrar para a sua meia-irmã Edwina um marido de reputação impecável. Mal ela sabe que o visconde Anthony Bridgerton já traçou um plano... que inclui a belíssima jovem! E ele não está habituado a ser contrariado... Embora Anthony seja o solteirão mais cobiçado da temporada, a sua reputação de mulherengo perturba Kate. Ela terá de agir rapidamente, pois Edwina vê com muito bons olhos os avanços do visconde. Mas Edwina fez uma promessa que não está disposta a quebrar: nunca casará sem a bênção de Kate. Cabe, pois, a Anthony convencer aquela que (espera) será a sua futura cunhada. Ele é um homem determinado e seguro de si... e não contava encontrar uma adversária à sua altura. Frente a frente, Kate e Anthony apercebem-se de que têm mais em comum do que imaginaram. Mas o que os une ameaça separá-los para sempre

Opinião: A Julia Quinn já tinha conquistado um lugar no meu coração com o Crónica de Paixões e Caprichos. Acontece que, em certa medida, o ritmo é o mesmo. As personagens são adoráveis – a seu modo únicas –, mas o enredo pareceu-me um pouco semelhante ao anterior. E com isto digo um homem atormentado por motivos ligados ao pai a deixar que isso se interponha, à semelhança do romance anterior da série, entre si e a felicidade ao lado da mulher que ama.
A Kate é, de facto, sensata, mas a relação dela e da Edwina peca um pouco – talvez por ser tão apregoada na sinopse. Há raros momentos entre as duas e não chega a existir de facto um conflito relacionado com o Anthony. A modos que o amor dos dois não tem grandes obstáculos se não eles mesmos, porque as mães e a sociedade em geral estão de acordo. A própria Edwina acaba por ser convenientemente emparelhada com outro senhor… Enfim, estou a falar demais?
Não atribuo 5 porque esse lugar, nos romances históricos, continua a estar reservado para as minhas meninas do costume – Sherry Thomas, Laura Lee Guhrke e Lisa Kleypas com as Wallflowers (a propósito, o segundo livro sai agora em Outubro! Título vergonhosamente lamentável, assim como o primeiro, porque a série tem tão mais classe do que os mesmos sugerem!). Atribuo 4 porque, a partir do meio, a leitura tornou-se compulsiva, fácil de absorver, nada aborrecida. Ri-me muitas vezes, gostei bastante do Anthony e acho-o, assim como à Kate, muito humanos. E os irmãos Bridgerton são uma risada que só…! Continuo ansiosamente à espera do enlace do Colin e da Penelope no quarto volume…

Classificação: 4

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

#55 CABOT, Patricia - Rosa Selvagem


Sinopse: Como nunca houvera uma mulher que não conseguisse encantar, Edward tinha a certeza de que iria conquistá-la. Mas Pegeen MacDougal não era nem velha, nem criança - era muito mulher, com uma língua aguçada, uns olhos verdes de levar ao inferno e uma sensualidade que o deixava doente. Infelizmente, ela desprezava-o, assim como à ostentação da sua classe social e à falta de consideração que mostravam pelos menos afortunados. Mas, pelo bem do seu sobrinho Jeremy, Pegeen concordou que ambos se mudariam para a propriedade de Edward. O risco tornou-se rapidamente aparente. Pois ela sabia que podia resistir ao dinheiro de Edward, ao seu poder, à sua posição... a todo o seu mundo. No entanto, era o seu beijo que prometia ser a sua destruição.

Opinião: Este foi o primeiro romance que li deste género. Ou seja, o primeiro livro em que factos históricos, romance tradicional (a importância do casamento, dos bons costumes, da virgindade e essas coisas todas) e uma panóplia de outros ingredientes que, tendo lido entretanto mais 100 ou 200 livros do género, parecem estar sempre presentes em todos. Na altura tudo me pareceu estupidamente romântico... com a rapariguinha que poderia ser facilmente interpretada por uma Adriana Esteves tapeadora e o rapazinho como um autêntico Apolo...

Agora, lendo-o alguns anos depois e em Português correcto, sou obrigada a baixar consideravelmente o meu apreço por ele. Atribuo-lhe 3/5* apenas devido à personagem masculina: o Edward Rawlings está soberbamente criado. Mas a Pegeen? Por ela daria 1/5* ao romance. Ela é vazia, demasiado ruidosa e irritantemente dita “rebelde”. Que é como quem diz que, nas primeiras 50 páginas do livro ela é cheia de ideais; condena o casamento, condena a aristocracia, condena aqueles que não ajudam os pobres e vivem do ócio. Ao fim disso é levada para uma mansão senhorial na qualidade de tia do futuro duque e, rapidamente, abraça tudo isto e não volta a fazer discursos a esse respeito. Isto seria perdoável se ela não fosse tão efusiva a esse respeito no início. Aliás, chega a desprezar aquilo que foi com os inúmeros suspiros em relação ao facto de nunca mais vir a ter de se preocupar com nada. Mas não é só nisto que a personagem falha. Também em relação ao Edward… ora está a esbofeteá-lo ora está enrolada na cama com ele. Quem é como quem diz que vai de um extremo ao outro, o que até teria uma certa piada se o livro não carregasse uma certa carga dramática que não condiz com isto. Se houvesse as piadas da Julia Quinn a pautá-lo… Além do mais parece estar constantemente nua. Camisola de noite transparente, um puxão e o decote do vestido cede, está no quarto de robe revelador, etc… senti-me meio estupidificada pelo facto de a autora não ter dado grande credibilidade à relação deles. Não se entende o que é que ele vê nela... aliás, parece-me que é a cintura que, de tão fina, vem inumeras vezes mencionada... ou, talvez, os olhos verdes da moça.
De histórico não tem nada: se ela não usasse vestidos compridos (muito decotados) eu nem me lembraria que é um romance de época. 

Enfim, valham-me a Sherry Thomas que tanto adoro, a Lisa Kleypas e as suas Wallflowers, a Laura Lee Guhrke e os seus enredos bem estruturados e a Julia Quinn e o bom humor das personagens…! Por esta Cabot e pela Madeline Hunter já me tinha reformado deste género.

Classificação: 3***

domingo, 30 de setembro de 2012

»Plano de Leitura de Outubro/Relatório de Setembro

PLANO DE LEITURA PARA OUTUBRO:




1 - Acabar de ler O Senhor dos Anéis - A Irmandade do Anel
2 - Acabar de ler o Rosa Selvagem
3 - Acabar de ler o Peripécias do Coração
4 - Acabar de ler o Mistério do Quadro de Belini substituído por A Viagem do Elefante
5 - Ler pelo menos 100 páginas do Conde de Monte Cristo
6 - Ler o Um Fogo Eterno

Clube de Leitura:
1 - O Sedutor, Madeline Hunter
2 - D. Estefânia, Um Trágico Amor
3 - Histórias de um Portugal Assombrado

A aguardar o anúncio das obras que me cabem.

Desafio de Setembro: incompleto

Li 26/304 páginas d'O Mistério do Quadro de Belini
Li 24 páginas d'A Grande Mão
Li 236/368 páginas d'A Rosa Selvagem
Li 136/384 páginas do Peripécias do Coração
Li 305/468 páginas do Senhor dos Anéis
Li 85 páginas d'O Funeral da Nossa Mãe
Li 162/615 páginas d'Os Maias e terminei
Li 251/251 páginas d'Uma Escolha por Amor e terminei
Li 140/140 páginas do Budapeste e terminei

Total: 1365

domingo, 23 de setembro de 2012

#54 BUARQUE, Chico - Budapeste


Sinopse: José Costa é um escritor anónimo pago para produzir artigos de jornal, discursos políticos, cartas de amor, monografias e autobiografias romanceadas que outros assinam. Um dia, regressando de um congresso de escritores anónimos em Istambul, é obrigado a fazer uma escala forçada em Budapeste. Fascinado pela língua magiar, «segundo as más-línguas, a única língua que o Diabo respeita», José Costa retorna à capital húngara, passando a ser Zsoze Costa, e tornando-se amante de Kriska, a sua professora. A obsessão de dominar completamente o novo idioma leva-o a viver num tresloucado vaivém entre o Rio de Janeiro, onde vive com a sua mulher Vanda, e Budapeste, onde passa a viver com Kriska. Budapeste é a história de um escritor dividido entre duas cidades, duas mulheres, dois livros e duas línguas, uma intrigante e por vezes divertida especulação sobre identidade e autoria.

Opinião: «Budapeste: no exacto momento em que termina, transforma-se em poesia». Foi isto que li na badana do «Leite Derramado» a propósito do Budapeste e que me deixou de expectativas tão altas. Em consequência de ter lido um livro de autor brasileiro, estou novamente escrevendo a crítica nessa língua transatlântica. Devia ser proibido debochar de quem se aventura em língua estrangeira. Como eu adoro aventuras por língua estrangeira, e conheço bem os seus triunfos e embaraços, achei sublime esta primeira frase. Tendo gostado bastante do livro anterior, esperei apaixonar-me também por este outro, sobretudo debruçado sobre uma capital europeia na qual deposito bastante curiosidade. No entanto, o estilo corrido do livro, por vezes a desconexão dos acontecimentos, fez-me sentir meio perdida no meio do livro. Reconheci-lhe bastante mérito, porque quebrar com a lógica dos eventos é algo que eu não teria ainda coragem de fazer. Por enquanto vou explicando as cabeças daqueles sobre quem escrevo. Mas a qualidade da escrita do Chico Buarque é inegável. Tem reviravoltas que apreciei bastante, como um rosto reflectido numa lente de câmara fotográfica, ou mesmo um «jacaré com controle remoto» que me pôs a rir no voo. Não perdi a fé no talento deste autor por ter gostado um pouco menos deste segundo livro seu que li. Hei de ler o «Estorvo» também. Felizmente o livro é pequeno e, apesar dos parágrafos de três páginas, li-o em três fôlegos.

Classificação: 3***

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

#53 SPARKS, Nicholas - Uma Escolha Por Amor

É para aí o décimo livro que leio de Nicholas Sparks depois de uma pausa de alguns anos… o último que tinha lido foi o Juntos ao Luar. Resumindo: continua o mesmo. Se querem conhecer o estilo recorrente de NS somem estes ingredientes:
- Muitos diálogos a propósito de nada com piadas aleatórias.
- Chavalinho porreiro com covinhas na cara que bebe cerveja
- Chavalinha com mau feitio que bebe Light Coke
- Encontros comuns – jantares, barbecues – combinados e sem nada de espontâneo, onde eles discutem a espontaneidade e decidem que vão dar um mergulho, aprender a andar de mota, algo do género.
- Beijos conservadores no final desse primeiro encontro
- Um viúvo
- Alguém estéril
- Um acidente
- Uma doença
- Um cão (ou mais)
- Refeições (com respectiva descrição dos pitéus)
- Alpendres
- Barquinhos (o senhor costuma adorar velejar)
- Uma ligação inexplicável com um animal que não lembra a ninguém – como o Noah da Alquimia do Amor com o cisne, ou agora o Travis com um pombo.
- Um dilema moral complicado, do género: a) ela está a morrer, vale a pena ficar com ela? b) ela diz que para ficar com ela tenho que deixar de mandar garrafas com mensagens à minha mulher que morreu c) ela não pode ter filhos, fico com ela? d) o irmão dela é que atropelou e matou a minha mulher, fico com ela? e) ela pediu que, caso ficasse em coma, etc., eu devia desligar as máquinas ao final de doze semanas. Desligo?
Este dilema e) teria dado um livro excelente. A sério. Gabo-lhe o ter pensado nessa questão, embora não seja totalmente nova, e teria sofrido e vivido realmente este tema. Tudo porque, saberei lá eu explicar, fiz o mesmo pedido a uma pessoa próxima. Se por algum motivo ficar em estado vegetativo, ajudem-me a morrer, já que cá não se pode escolher esse desligar das máquinas, segundo sei. A pessoa disse que não o faria. Não o faria porque gosta de mim. Bom eu devo ter uma ideia muito distorcida do amor, detestei. Não, detestei não chega, DETESTEI, em caps, a mensagem que o Sparks passa neste livro. Fiquei indignada com a pequenhez deste amor que ele descreve e que vende, e que muitas mulheres/homens, se é que o lêem, compram como o ideal. O único, o genuíno. E a dignidade humana? A mulher teria de ficar meses – anos…! – à espera de acordar numa cama, quem sabe se aprisionada no próprio corpo mas consciente, a ansiar por ser libertada? Por poder morrer? Para lhe removerem os tubos que lhe sustêm a vida? Com o corpo a atrofiar-se? O rabo a ser limpo por terceiros? Amor, para mim, tem de ser mais. Mais do que ele gostar dela e não imaginar a vida sem ela. Se a ama respeita-a. Se a respeita cumpre o que ela lhe pediu, em desespero. Mas não, mais vale arriscar, queimar os papéis legais onde ela estipula esse pedido e fazer figas para que ainda esteja vivo um dia, se ela acordar. E depois, como é Nicholas Sparks *spoiler* a senhora claro que acorda. E nem se zanga! É escusado dizer que, se fosse eu, embora agradecesse a oportunidade para ter regressado, me separasse quase certamente de um homem em que não podia confiar. É isso o amor, não? Pedir a alguém que nos dê voz quando ela nos falta, e esperar que repita as nossas palavras sem egoísmos. E ele foi egoísta, tão egoísta…!      Não concebo amores assim.

Passada a fase da indignação acrescento que isto representa a segunda parte do livro. A primeira deve-se ao modo como estes dois vizinhos se conhecem e a sinopse só se debruça sobre ela. Ora a senhora tem namorado – quase noivo – e, ao final de três dias, já anda enrolada com o vizinho. True love, says Nicholas Sparks. Devo mencionar que, dias depois quando um colega de trabalho dela tenta beijá-la o dito vizinho o esmurra e a aconselha a abrir um processo contra ele de agressão física? Fuck logic. Aonde está a explicação dela ao namorado quando o larga? O livro sofre um pulo. Ora estão a passear de mota e conhecem-se há três dias, ora já ela está em coma e ele a ama perdidamente, anos depois, casados e com filhos. O senhor escreveu o livro nos joelhos. A Presença, mesmo na 8ª edição, tem o livro cheio de gralhas. Não admira que seja dos dele de que menos se fala…

Enfim, se eu entrar em coma, se eu tiver um AVC e não puder falar, se eu partir o pescoço e implorar a alguém que me ajude a ter paz, façam-no! Como dizia Ramón Sampedro (Mar Adentro), Aquele que me ama é aquele que me ajudará a morrer.

PS - O nome do livro devia ser "Uma Escolha por Egoísmo Que Acaba Bem Porque, Afinal, é Nicholas Sparks"
Classificação: 2**/*

terça-feira, 4 de setembro de 2012

#52 QUEIRÓS, Eça de - Os Maias


"Os Maias", obra-prima de Eça de Queirós e romance intemporal, foi primeiramente publicado no Porto em 1888. Popularmente falado por se tratar de uma história de amor incestuoso com uma introdução exageradamente descritiva, onde é apresentada ao leitor a casa da família Maia. De facto, da primeira vez que tentei ler o romance, em 2006, fui desmotivada pela referida descrição do Ramalhete. Pareceram-me quinze páginas sobre chaminés e tapetes. Agora que lhes dei uma segunda oportunidade decidi que ia apreciar a descrição da casa, ia deixar que o Eça me levasse lá pela mestria da sua escrita - de que tinha tido um vislumbre n’A Cidade e as Serras. E sabem que mais? A casa tem uma descrição de meia dúzia de parágrafos. Pronto. Pode ser muito a respeito de uma mera propriedade, mas de facto faz sentido, porque é a introdução a uma vida de luxos e vícios, que retrata bem a sociedade portuguesa no último quartel do séc. XIX.
Eça de Queirós, do pouco que entendo de literatura, pertence à corrente realista. Denota-se, inclusive, um certo despeito pelo romantismo e ultra-romantismo que imortalizaram, por exemplo, Camilo Castelo Branco, cerca de vinte anos antes. Não na pena do autor, mas nas palavras que vai colocando na boca dos seus personagens, todos eles muito críticos, dados a fervorosos discursos de honra e de ideais. Tudo parece digno de esmiuçar nesta sociedade retratada por Eça, e todos se dão ares de grande integridade moral. No entanto, nenhuma personagem é realmente casta ou moralmente correcta.
Ega, Carlos da Maia, o Eusebiozinho, Dâmaso, o Taveira, Cruges, o Cohen, o Craft, Castro Gomes, o Gouvarinho. Nunca se compreende realmente o que fazem estes condes e homens do governo e de pândegas. São, ao que é sugerido, a fina flor das relações de Lisboa. No entanto nunca se chega a compreender muito bem aonde vão buscar os rendimentos que sustentam as suas vidas de luxos, whist (jogo de cartas muito apreciado à época), charutos, cigarrettes, teatro, grémios e passeiozinhos de charrete em Sintra. O retrato geográfico de Portugal é delicioso - com o comboio até ao Porto, “estradas de ferro”, assim chamados os caminhos de ferro, numa desconfiaça muito lusitana, mais de cem anos depois de a Inglaterra ter dado o impulso à Revolução Industrial, o vapor para o Alfeite, etc. A Lawrence, em Sintra, os travesseiros, os ovos moles de Aveiro, os fados assim mencionados, louvados mais de cem anos antes de se tornarem património mundial...! Eça foi um visionário. Tantas referências que tive de absorver no estudo do turismo assim naturalmente descritas, como se Eça adivinhasse que, pela sua qualidade, perdurariam no tempo... Tão contemporâneo e intemporal quanto se tivesse sido escrito hoje sob o signo dos romances de época, tão em voga.
Referências literárias, filosóficas e políticas são outras tantas: Robespierre, Proudhon, Darwin, Voltaire, Garibaldi, democracia, um cheirinho já ao socialismo e à república, etc., etc.. Foi como um meeting de figuras famosas, só que vivenciadas em tempo real. As opiniões sobre tudo e sobre nada preenchem centenas de folhas. Perto do fim, inclusive, as intrigas sociais e as discussões políticas e literárias multiplicam-se, ficando a Maria Eduarda e o Carlos um pouco esquecidos. Todo o livro é muito boémio, com trejeitos de ironia preciosos e um clima bonacheirão e de bazófia que ora nos desespera, ora nos enche de bom humor. A cobardia, os falsos ares de finura, os falsos escrúpulos, duelos de florete, ameaças de escarros em faces gorduchas, a falta de moral para se discursar sobre determinado assunto, o amante da mulher casada que se ofende com o seu marido, por se ter atrevido a surpreendê-los...! E as mulheres? Fonte de problemas, infiéis, frágeis, insistentes, a personificação do pecado. E então surge Maria Eduarda, um aparente modelo de virtudes, ainda assim corruptível, que se revela a maior das desgraças na vida de Carlos da Maia... mas também a maior das lições.
As últimas linhas, o último raciocínio deste romance, são desconcertantes, esperançosos, trazem um sorriso aos lábios e um inchaço bom ao peito. Não há trevas no final de uma intriga que tanta dor causa a tantas personagens que acabamos por amar. Há, sim, um certo optimismo de quem tem noção de ser impotente perante os grandes factos. Aqui também vejo o realismo, porque por muito difícil que seja o desafio, por muito que doa a perda, a vida continua. E, quando tivermos de voltar a correr, correremos. Está-nos no sangue, é a nossa natureza.
Ao nível dos grandes clássicos, e digo-o enquanto leio, em paralelo, O Conde de Monte Cristo. Mostra uma vanguarda de pensamentos, uma insolaridade que nos é típica, um carácter muito português e uma influência - na realidade pouco influente, quase ridícula de tão mal absorvida - dos estrangeiros, sobretudo da França. Tudo é motivo para se colocar uma expressãozinha francesa. Tudo é très chique, chique a valer. No fundo, o “português” prevalece sobre o cavalheiro, de cabeça quente e punho cerrado, apostado em encher cabeças de bengaladas ao primeiro desaforo... Um autêntico teatro de civilidade ensaiada. Um romance único que requer pés e cabeça durante a leitura. Quase quatro semanas depois, terminei-o finalmente. O sentimento é um misto de feito grandioso - e de admiração perante um feito grandioso que foi, para Eça, escrever uma obra ao nível dos grandes clássicos - e de alívio.
Já conheço os Maias.

Classificação: 5*****

sábado, 1 de setembro de 2012

»Desafio de Setembro e relatório de Agosto

Para Setembro: 

Volume II da trilogia Langani:
KEATING, Barbara e Stephanie - Um Fogo Eterno - substituído por O Senhor dos Anéis - Parte I
Volume II da série Bridgerton:
QUINN, Julia - Peripécias do Coração
GOODWIN, Jason - O Mistério do Quadro de Bellini
QUEIRÓS, Eça - Os Maias (terminar)

Leitor luso:
BUARQUE, Chico - Budapeste

Faltam 2 a 3 livros do clube de leitores.

[Este mês não posso ser muito ambiciosa porque há as férias culturais pelo meio...]

Relatório de Agosto:

Li 232/232 páginas d'A Valsa Esquecida e acabei-o
Li 240/240 páginas do No Coração do Império e acabei-o
Li 368/368 páginas d'Um Verão Inesquecível e acabei-o
Li 296/296 páginas d'O Véu Pintado e terminei-o
Li 378/582 páginas d'Os Maias 
Li 127/880 páginas d'O Conde de Monte Cristo
Li 23/360 páginas d'A Grande Mão


Desafio de Agosto : incompleto

Total de páginas lidas: 1664