segunda-feira, 15 de outubro de 2012

#58 RODI, Sara - D. Estefânia; Um Trágico Amor

Sinopse: Quando D. Estefânia saiu da igreja de São Domingos, pela mão do seu marido D. Pedro V, rei de Portugal, as vozes dos portugueses ditaram-lhe o destino: a rainha vai morta! Vai de capela! Três gotas de sangue haviam-lhe manchado o vestido branco imaculado. A jovem princesa alemã não teve forças para aguentar o peso do magnífico diadema que D. Pedro lhe oferecera como prova do seu amor. Um amor cúmplice, puro e apaixonado, entre duas almas gémeas unidas em propósito, durante 14 meses. Apenas 14 meses…. Escrito na primeira pessoa, num tom confessional e recheado de emoção, a autora Sara Rodi revela-nos a apaixonante história de D. Estefânia Hohenzollern-Sigmaringen. Uma rainha que muitos portugueses viram como um anjo que lhes trouxe a esperança que tanto lhes faltava, sempre disposta a ajudar os mais pobres e desfavorecidos. Não fez mais porque morreu jovem aos 22 anos. Sem ter deixado um herdeiro para o trono de Portugal. Mas deixando um último pedido: a construção de um novo e moderno hospital que prestasse assistências às crianças pobres e desvalidas. O Hospital D. Estefânia. D. Pedro cumpriu o último desejo da sua mulher, mas o reiMuito Amado de Portugal não resistiu à morte de Estefânia e dois anos depois partiu para junto dela.

Opinião: Há algo que sucede recorrentemente quando tento ler um livro português, e que é a incapacidade de desassociar o autor ao livro. No caso da Sara Rodi, o nome deixou-me na dúvida. Seria portuguesa? Ou seria um livro traduzido a respeito de uma rainha de Portugal? Não investiguei até terminar a leitura, mas pareceu-me bastante óbvio que a autora era lusa. De facto é-o e começou a sua carreira com as Letras cedo, tendo também trabalhado como guionista nalgumas novelas da TVI.

Em relação ao livro, agradeço-lhe o primeiro verdadeiro contacto que me permitiu com a Rainha D. Estefânia. Embora o Palácio da Ajuda raramente – ou nunca – tenha sido mencionado no livro, é ao visitá-lo que me sinto mais próxima dela e do rei D. Pedro V que, depois desta obra, não voltarei a confundir com o seu irmão D. Luís. Também não sabia que a D. Estefânia tinha tido um reinado tão curto – 14 meses – nem tampouco que tinha falecido aos 22 anos que são, por acaso, a minha idade neste momento. Por aí senti-me bastante próxima do relato… mas houve outras coisas a interporem-se no caminho. Começo por elogiar a pesquisa e o modo inteligente como as informações foram sendo passadas no diálogo – ao contrário do No Coração do Império, que foi um atropelo de factos. Elogio também o momento escolhido para a narração desses catorze meses: o leito de morte da rainha. Sem dúvida que isso confere uma perspectiva única dos factos, elogiando ainda o seu tamanho diminuto (a narração cessa às 185 páginas)… Ainda assim, achei o romance demasiado fatalista, dramático, quase a resvalar o misticismo. Adivinhação do futuro e indícios de desgraças, contraposto à “angelicalidade” da rainha, aborreceram-me seriamente.
O meu interesse pelas monarquias, impérios, etc., prende-se com as pessoas que estiveram à sua frente. Neste romance, narrado na primeira pessoa por D. Estefânia, a mesma autoproclama-se um anjo. Uma Santa. Ocasionalmente surge a insinuação de que tem algumas semelhanças a Maria, visto nunca se ter consumado a união. Esta Estefânia de 22 anos retratada por Sara Rodi não tem problemas de auto-estima. Diz que é inegável que é bonita (quando, na minha opinião, existe um quê de grosseiro no semblante desta rainha que nem os vestidos e as jóias conseguem disfarçar), que toda a vida teve uma missão, que vive para ajudar os outros, que é o anjo de D. Pedro, que sabe que ele a ama como ninguém – a sério? Um homem que se recusa a consumar uma união na flor da idade? – e que tece outros tantos elogios a si própria (é diferente de todas, diferente de todos, diz) e chega a ser vaidosa e nada humilde. É esta criatura aqui descrita que depois, no final, é descrita numa carta verdadeira de D. Pedro como bondosa sem igual. Só me resta considerar que os elogios caem melhor quando não saem da nossa própria boca, pelo que esta abordagem da Sara não me parece muito inteligente, se pretendia santificar a rainha. A nível de escrita não me queixo muito – tem alguma desenvoltura e o livro é francamente melhor do que outros do género que tenho lido. Mas ainda assim encontrei algo como “desassossego impossível de sossegar” e “estranheza por demais estranha”. Não estou a ser literal, mas era basicamente isto. A palavra “esperança” surge de um modo que me irritou… posso estar a ser picuinhas mas “levar uma esperança” às crianças ou “trouxeste-lhes uma esperança” não me soa muito bem.
Se a autora voltar a publicar algo histórico acompanharei. A escrita é razoável, o tamanho idem e as informações são para mim, apaixonada por História, preciosas.
Classificação: 3***

sábado, 13 de outubro de 2012

Biblioteca Municipal José Saramago

Rua da Alembrança, Feijó

Vindo de Lisboa

4. Pegue a A2

5. Pegue a saída em direção a Almada/Corroios

6. Mantenha-se à esquerda na bifurcação, siga as placas para A2 Sul

7. Mantenha-se à direita na bifurcação, siga as placas para Corroios e pegue a Rua Henrique Mota

8. Na rotatória, pegue a 3ª saída para a Rua Sérgio Malpique

9. Na rotatória, pegue a 2ª saída para aEstrada Vale de Mourelos

10. Curva suave à esquerda na Rua Dr. António Elvas

11. Pegue a 1ª à direita em Estrada Algazarra

12. Na rotatória, pegue a 3ª saída para a Rua Alembrança


Vindo de Almada (centro)


Avenida Dom Nuno Álvares Pereira
Almada

1. Siga na direção nordeste na Av. Dom Nuno Álvares Pereira em direção à Rua Mendo Gomes de Seabra

2. Pegue a 1ª à direita em Praça S. João Baptista

3. Pegue a 1ª à direita em Rua Dom Francisco Xavier de Noronha

4. Vire à esquerda na Rua Padre António Vieira

5. Pegue a 2ª à direita em Av. Rainha Dona Leonor

6. Na rotatória, pegue a 2ª saída para a Rua Cabo Boa Esperança

7. Continue para Largo Filinto Elísio

8. Vire à esquerda na Av. Henrique Barbeitos

9. Na rotatória, pegue a 2ª saída para aVariante à N10
Passe por 1 rotatória

10. Na rotatória, pegue a 3ª saída

11. Na rotatória, pegue a 2ª saída para a Rua Alembrança


terça-feira, 9 de outubro de 2012

#57 TOLKIEN, J. R. R. - O Senhor dos Anéis | #1 A Irmandade do Anel


Sinopse: Em apreciação crítica à obra de Tolkien cuja edição portuguesa apresentamos, o Sunday Times escrevia que o mundo da língua inglesa se encontra dividido em duas partes: a daqueles que já leram O Senhor dos Anéis e a daqueles que o vão ler. Não se enganava o crítico ao indicar assim que estamos perante uma obra de leitura obrigatória, que, sem qualquer sombra de exagero, se insere entre as mais notáveis criações literárias do nosso século. Situando-se na linha da criação fantástica em que a literatura inglesa é fértil (lembremos Lewis carrol com a sua Alice no País das Maravilhas), Tolkien oferece-nos uma obra verdadeiramente monumental, onde todo o mundo é criado de raíz, uma nova cosmogonia arquitectada por inteiro, uma irrupção de maravilhoso que é admirável jogo de criação pura. O sopro genial que perpassa na elaboração deste maravilhoso, traduzido sobretudo no realismo da narração, deixa no leitor o desejo irresistível de conhecer «esse» mundo que, como crianças, chegamos a acreditar que existe. A Irmandade do Anel é o primeiro volume da trilogia O Senhor dos Anéis, em que se integram também As Duas Torres e O Regresso do rei.


Opinião: Isto é um fenómeno que acontece com os grandes escritores. Quando menciono o que ando a ler, não digo que estou a ler O Senhor dos Anéis. Digo que estou a ler Tolkien e vejo-o suceder com quem acompanha esta saga em simultâneo. E justifica-se: trata-se de um mundo à parte, criado totalmente de raiz pelo escritor britânico. À excepção da Lua e do Sol, nada parece estar no mesmo sítio. Há criaturas místicas, cenários inventados, lendas imaginadas, cantigas sobre heróis projectados pelo autor. Vão ouvir falar de um mundo de uma complexidade admirável que tem inspirado tantos autores desde então: elfos, orcs, anões, hobbits, feiticeiros, homens e espíritos. Tudo de modo tão credível que as sombras que os ameaçam e os movem pairam também sobre nós. Há uma viagem interminável neste primeiro livro, tão realista quanto as descrições do autor a tornam. Há um mapa deste mundo que foi, por inteiro, imaginado pelo Tolkien. Cinco minutos de narração deste épico à minha irmãzinha de seis anos foi suficiente para a manter entretida durante uma trilogia de quase quatro horas cada filme, antes de se deitar, a vivenciar realmente os receios, as fugas, as urgências das personagens. E talvez ainda tomada pela emoção do culminar de mais de nove horas de filme e de uma banda sonora brilhante, em tudo adequada a esta epopeia, proponho-me a terminar a review do livro.

Quase todo o livro é uma viagem, uma campanha perigosa e fatal para alguns em direcção a Mordor, onde o malfadado anel deve ser destruído. Da minha parte, cheguei a ¾ do livro convencida que lhe atribuiria um 4. À semelhança dos filmes, em que achei o segundo e o terceiro muito mais emocionantes... Acontece que a excelência da Irmandade do Anel é indiscutível, pelo que não me é justo penalizar o autor se os seus três livros são nota 5, visto pessoalmente goste mais duns do que de outros... Muitos alicerces são estabelecidos neste livro em relação à solidez do rumo da trilogia. As personagens são apresentadas: e arrisco dizer que nenhuma se modifica muito ao longo dos três livros. Sam, talvez - e como minha personagem favorita - passa de jardineiro tímido a melhor amigo empenhado, apostado em impedir Frodo de fraquejar. Os hobbits são um pouco caricatos, mas a seu tempo, e já neste volume, vão dando mostras de grande fibra e coragem. Aragorn desdenha um pouco do poder, parece-me, mas não consegue desassociar-se do bem-estar do mundo dos homens, aonde poderia figurar como rei se o reclamasse. Gosto bastante do facto de o Gandalf evoluir em termos de poder, não começa como um feiticeiro poderosíssimo nem é invencível. Nem costuma recorrer, tão pouco, a grandes truques para se livrar de problemas. É interessante o facto de ser um feiticeiro resmungão e não o típico velho sabichão que tudo safa. O Gandalf tem dúvidas, fraquezas – de feiticeiro e de humano – e tantas vezes questiona e duvida do seu próprio juízo. Pede conselho e tem pouco da arrogância e inacessibilidade de outras personagens semelhantes no universo literário e cinematográfico.

Lamento que o Tolkien não tenha feito mais pelo Sam, creio que tem um papel muito mais importante do que o Frodo na trilogia. O Frodo segue o caminho que lhe apontam e que é obrigado a abraçar. Tirando no final deste primeiro livro, creio que não voltará a agir com sabedoria perante uma encruzilhada. Quanto ao Sam, este escolhe estar com o Frodo até ao fim; não tanto porque se identifique com a missão que foi atribuída ao amigo (e que lhe destruiria igualmente o Shire que tanto amam e partilham) mas porque toma aos ombros o fardo que é totalmente do patrão. Amizades destas, num livro - e sobretudo na vida real – são raras. Por isso reconheço-a e valorizo-a tanto como eixo chave sem o qual nem este primeiro volume nem os restantes enveredariam pelos trilhos em que caminham.
Classificação: 5*****

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

#56 QUINN, Julia - Peripécias do Coração


Sinopse: A sensata Kate Sheffield está decidida a encontrar para a sua meia-irmã Edwina um marido de reputação impecável. Mal ela sabe que o visconde Anthony Bridgerton já traçou um plano... que inclui a belíssima jovem! E ele não está habituado a ser contrariado... Embora Anthony seja o solteirão mais cobiçado da temporada, a sua reputação de mulherengo perturba Kate. Ela terá de agir rapidamente, pois Edwina vê com muito bons olhos os avanços do visconde. Mas Edwina fez uma promessa que não está disposta a quebrar: nunca casará sem a bênção de Kate. Cabe, pois, a Anthony convencer aquela que (espera) será a sua futura cunhada. Ele é um homem determinado e seguro de si... e não contava encontrar uma adversária à sua altura. Frente a frente, Kate e Anthony apercebem-se de que têm mais em comum do que imaginaram. Mas o que os une ameaça separá-los para sempre

Opinião: A Julia Quinn já tinha conquistado um lugar no meu coração com o Crónica de Paixões e Caprichos. Acontece que, em certa medida, o ritmo é o mesmo. As personagens são adoráveis – a seu modo únicas –, mas o enredo pareceu-me um pouco semelhante ao anterior. E com isto digo um homem atormentado por motivos ligados ao pai a deixar que isso se interponha, à semelhança do romance anterior da série, entre si e a felicidade ao lado da mulher que ama.
A Kate é, de facto, sensata, mas a relação dela e da Edwina peca um pouco – talvez por ser tão apregoada na sinopse. Há raros momentos entre as duas e não chega a existir de facto um conflito relacionado com o Anthony. A modos que o amor dos dois não tem grandes obstáculos se não eles mesmos, porque as mães e a sociedade em geral estão de acordo. A própria Edwina acaba por ser convenientemente emparelhada com outro senhor… Enfim, estou a falar demais?
Não atribuo 5 porque esse lugar, nos romances históricos, continua a estar reservado para as minhas meninas do costume – Sherry Thomas, Laura Lee Guhrke e Lisa Kleypas com as Wallflowers (a propósito, o segundo livro sai agora em Outubro! Título vergonhosamente lamentável, assim como o primeiro, porque a série tem tão mais classe do que os mesmos sugerem!). Atribuo 4 porque, a partir do meio, a leitura tornou-se compulsiva, fácil de absorver, nada aborrecida. Ri-me muitas vezes, gostei bastante do Anthony e acho-o, assim como à Kate, muito humanos. E os irmãos Bridgerton são uma risada que só…! Continuo ansiosamente à espera do enlace do Colin e da Penelope no quarto volume…

Classificação: 4

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

#55 CABOT, Patricia - Rosa Selvagem


Sinopse: Como nunca houvera uma mulher que não conseguisse encantar, Edward tinha a certeza de que iria conquistá-la. Mas Pegeen MacDougal não era nem velha, nem criança - era muito mulher, com uma língua aguçada, uns olhos verdes de levar ao inferno e uma sensualidade que o deixava doente. Infelizmente, ela desprezava-o, assim como à ostentação da sua classe social e à falta de consideração que mostravam pelos menos afortunados. Mas, pelo bem do seu sobrinho Jeremy, Pegeen concordou que ambos se mudariam para a propriedade de Edward. O risco tornou-se rapidamente aparente. Pois ela sabia que podia resistir ao dinheiro de Edward, ao seu poder, à sua posição... a todo o seu mundo. No entanto, era o seu beijo que prometia ser a sua destruição.

Opinião: Este foi o primeiro romance que li deste género. Ou seja, o primeiro livro em que factos históricos, romance tradicional (a importância do casamento, dos bons costumes, da virgindade e essas coisas todas) e uma panóplia de outros ingredientes que, tendo lido entretanto mais 100 ou 200 livros do género, parecem estar sempre presentes em todos. Na altura tudo me pareceu estupidamente romântico... com a rapariguinha que poderia ser facilmente interpretada por uma Adriana Esteves tapeadora e o rapazinho como um autêntico Apolo...

Agora, lendo-o alguns anos depois e em Português correcto, sou obrigada a baixar consideravelmente o meu apreço por ele. Atribuo-lhe 3/5* apenas devido à personagem masculina: o Edward Rawlings está soberbamente criado. Mas a Pegeen? Por ela daria 1/5* ao romance. Ela é vazia, demasiado ruidosa e irritantemente dita “rebelde”. Que é como quem diz que, nas primeiras 50 páginas do livro ela é cheia de ideais; condena o casamento, condena a aristocracia, condena aqueles que não ajudam os pobres e vivem do ócio. Ao fim disso é levada para uma mansão senhorial na qualidade de tia do futuro duque e, rapidamente, abraça tudo isto e não volta a fazer discursos a esse respeito. Isto seria perdoável se ela não fosse tão efusiva a esse respeito no início. Aliás, chega a desprezar aquilo que foi com os inúmeros suspiros em relação ao facto de nunca mais vir a ter de se preocupar com nada. Mas não é só nisto que a personagem falha. Também em relação ao Edward… ora está a esbofeteá-lo ora está enrolada na cama com ele. Quem é como quem diz que vai de um extremo ao outro, o que até teria uma certa piada se o livro não carregasse uma certa carga dramática que não condiz com isto. Se houvesse as piadas da Julia Quinn a pautá-lo… Além do mais parece estar constantemente nua. Camisola de noite transparente, um puxão e o decote do vestido cede, está no quarto de robe revelador, etc… senti-me meio estupidificada pelo facto de a autora não ter dado grande credibilidade à relação deles. Não se entende o que é que ele vê nela... aliás, parece-me que é a cintura que, de tão fina, vem inumeras vezes mencionada... ou, talvez, os olhos verdes da moça.
De histórico não tem nada: se ela não usasse vestidos compridos (muito decotados) eu nem me lembraria que é um romance de época. 

Enfim, valham-me a Sherry Thomas que tanto adoro, a Lisa Kleypas e as suas Wallflowers, a Laura Lee Guhrke e os seus enredos bem estruturados e a Julia Quinn e o bom humor das personagens…! Por esta Cabot e pela Madeline Hunter já me tinha reformado deste género.

Classificação: 3***

domingo, 30 de setembro de 2012

»Plano de Leitura de Outubro/Relatório de Setembro

PLANO DE LEITURA PARA OUTUBRO:




1 - Acabar de ler O Senhor dos Anéis - A Irmandade do Anel
2 - Acabar de ler o Rosa Selvagem
3 - Acabar de ler o Peripécias do Coração
4 - Acabar de ler o Mistério do Quadro de Belini substituído por A Viagem do Elefante
5 - Ler pelo menos 100 páginas do Conde de Monte Cristo
6 - Ler o Um Fogo Eterno

Clube de Leitura:
1 - O Sedutor, Madeline Hunter
2 - D. Estefânia, Um Trágico Amor
3 - Histórias de um Portugal Assombrado

A aguardar o anúncio das obras que me cabem.

Desafio de Setembro: incompleto

Li 26/304 páginas d'O Mistério do Quadro de Belini
Li 24 páginas d'A Grande Mão
Li 236/368 páginas d'A Rosa Selvagem
Li 136/384 páginas do Peripécias do Coração
Li 305/468 páginas do Senhor dos Anéis
Li 85 páginas d'O Funeral da Nossa Mãe
Li 162/615 páginas d'Os Maias e terminei
Li 251/251 páginas d'Uma Escolha por Amor e terminei
Li 140/140 páginas do Budapeste e terminei

Total: 1365

domingo, 23 de setembro de 2012

#54 BUARQUE, Chico - Budapeste


Sinopse: José Costa é um escritor anónimo pago para produzir artigos de jornal, discursos políticos, cartas de amor, monografias e autobiografias romanceadas que outros assinam. Um dia, regressando de um congresso de escritores anónimos em Istambul, é obrigado a fazer uma escala forçada em Budapeste. Fascinado pela língua magiar, «segundo as más-línguas, a única língua que o Diabo respeita», José Costa retorna à capital húngara, passando a ser Zsoze Costa, e tornando-se amante de Kriska, a sua professora. A obsessão de dominar completamente o novo idioma leva-o a viver num tresloucado vaivém entre o Rio de Janeiro, onde vive com a sua mulher Vanda, e Budapeste, onde passa a viver com Kriska. Budapeste é a história de um escritor dividido entre duas cidades, duas mulheres, dois livros e duas línguas, uma intrigante e por vezes divertida especulação sobre identidade e autoria.

Opinião: «Budapeste: no exacto momento em que termina, transforma-se em poesia». Foi isto que li na badana do «Leite Derramado» a propósito do Budapeste e que me deixou de expectativas tão altas. Em consequência de ter lido um livro de autor brasileiro, estou novamente escrevendo a crítica nessa língua transatlântica. Devia ser proibido debochar de quem se aventura em língua estrangeira. Como eu adoro aventuras por língua estrangeira, e conheço bem os seus triunfos e embaraços, achei sublime esta primeira frase. Tendo gostado bastante do livro anterior, esperei apaixonar-me também por este outro, sobretudo debruçado sobre uma capital europeia na qual deposito bastante curiosidade. No entanto, o estilo corrido do livro, por vezes a desconexão dos acontecimentos, fez-me sentir meio perdida no meio do livro. Reconheci-lhe bastante mérito, porque quebrar com a lógica dos eventos é algo que eu não teria ainda coragem de fazer. Por enquanto vou explicando as cabeças daqueles sobre quem escrevo. Mas a qualidade da escrita do Chico Buarque é inegável. Tem reviravoltas que apreciei bastante, como um rosto reflectido numa lente de câmara fotográfica, ou mesmo um «jacaré com controle remoto» que me pôs a rir no voo. Não perdi a fé no talento deste autor por ter gostado um pouco menos deste segundo livro seu que li. Hei de ler o «Estorvo» também. Felizmente o livro é pequeno e, apesar dos parágrafos de três páginas, li-o em três fôlegos.

Classificação: 3***