quinta-feira, 18 de outubro de 2012

TOP 5 - Orgulhos da Prateleira (Gula)

Porque como vocês sabem os livros são uma relíquia e... há livros que fazem parte da vida de uma pessoa e trazem conforto só ao olhar.

Quis muito uma edição clássica d'O Conde de Monte Cristo, mas eram absurdamente caras. E então esbarrei, na Feira do Livro 2012, com várias caras da literatura minhas conhecidas. Entre elas estava esta a um preço hiper acessível. Acho que é muito século XX e que o Sr. Dumas não está nada favorecido no "desenho". Mas ainda assim não lhe topei uma gralha nas páginas que li (291/880), as folhas são de qualidade (não vão começar a desfazer-se) e quis muito, muito, este clássico. Fica comigo para sempre... ou até que saia uma edição com cara de séc. XIX.

Comprei esta obra do José Luís Peixoto, autor tão familiar dos portugueses, ainda antes de lhe conhecer a amplitude da fama... E não gostei. Ou melhor, descobri em Maio de 2012 na Feira do Livro de Lisboa, quando tive oportunidade de me sentar ao lado do autor, não o entendi. Prometi-lhe uma releitura esclarecedora, um reencontro com a poesia das suas palavras a ver se é desta que lhes gabo o sentido. Entretanto a dedicatória é linda e é um dos orgulhos pessoais da minha "biblioteca".

Esta magnifica arrumação da História do nosso Portugal pelo punho de Rui Ramos tem dois méritos. Primeiro é o crème de la crème dos meus interesses pessoais. Toda a gente sabe que quando começo a falar de História ninguém me cala... e tem dado imenso jeito em pesquisas para romances. Em segundo foi-me oferecido pelos meus amigos, em peso, posto que não é exactamente baratinho. Foi um aniversário feliz em que abracei, fui abraçada e presenteada com o que de melhor combinaria comigo, por aqueles que mais amava...

Nº 2 - Anna Karenina
Custou-me a conseguir reunir os fundos necessários para adquirir esta obra de 832 páginas, mas a Fnac! deu um empurrãozinho: 50% de desconto em clássicos! Graças a isso jamais falarei alguma vez mal da Fnac! É uma edição lindíssima da Relógio d'Água, uma obra de excelência tanto a edição quanto o romance, e prefácio do Nabokov! Promete. Ainda não o li, por isso não sei ao certo o que dizer dele. Mas a cada vez que o relanceio na prateleira suspiro de contentamento...

De longe o meu livro favorito de todos os tempos, soube desde que comecei a persegui-lo a fim de o comprar... mais do que um livro qualquer na prateleira, é meu: onde está dobrado assinala as passagens que me falaram, foi transcrito e citado diversas vezes. Deu corpo ao meu filme favorito e narra a maior e mais complexa história de amor e guerra que li até ao presente. Duvido, seriamente, que algum livro o destrone.
Margaret Mitchell - devia ser Nobel da Literatura

terça-feira, 16 de outubro de 2012

TOP 5 - Livros da Minha Vida

Nº 5 - Baunilha e Chocolate
Porquê? Não se deve certamente à qualidade inegável do livro, mesmo porque se coloca no mesmo patamar de tantos outros mas... eu tinha treze ou catorze anos quando o li pela primeira vez. Pareceu-me tudo sofisticado e soberbamente interessante. A avó a ouvir recitais de piano e a declarar que ia fumar até morrer, por muito que isso lhe acelerasse a morte, as cadeiras Chippendale, um professor com uma tartaruga, o universo e a História italianos, nomes quase exóticos - Andrea, Penelope - uma mulher bonita, com a aura das italianas, desrespeitada por um marido infantil e atraente... Mulheres fortes, sedutoras e seguras de si e, ainda assim, sofredoras. A Itália das villas e dos verões, a itália da indústria e da moda... e eu a lê-lo outra vez, e outra, e outra... só pelo prazer de absorver de novo a aura a frescura e doçura da baunilha e do chocolate.


Nº 4 - Chocolate
Li o livro muito antes de ver o filme e - embora com desfechos e enredos ligeiramente diferentes - sou apaixonada por ambos. A Joanne Harris estava num transe inspirador quando o escreveu, certamente. O aroma do chocolate quente, o balcão para onde os aldeões de Lansquenet-sûr-Tannes (numa França até então desconhecida para mim) são misticamente atraídos para os chocolates e os pratinhos e apetrechos Maias da Vianne. E há a sua pequena filha, Anouk, e o seu canguru imaginário. Há os sapatos vermelhos da Vianne no empedrado da aldeia, o desafio que lança a todos ao abrir a La Céleste Praliné - a chocolataria mais badalada de todos os tempos - em plena Quaresma e sob as barbas do Padre Reynaud que, além de velar pelas almas, vela também pelos caminhos e condutas pessoais de cada membro desta pequena comunidade...


Nº 3 - O Monte dos Vendavais
Li-o pela primeira vez este ano e foi um choque literário e emocional. Foi a primeira vez que vi o amor - um amor mútuo e correspondido - ser explorado nesta perspectiva. Por muito que esta obra-prima da Emily Brontë tenha sido publicada em 1847, esta leitora só pousou nele os olhos em 2012. E foi assim que fui absorvida a duzentos por cento pelo amor conturbado - quase doentio, enlouquecedor - da Cathy e do Heathcliff. Tocam-se almas, ultrapassa-se a vida e a morte neste romance arrebatador. O contraste entre o negrume destes actos e a luz dos seus sentimentos, guardados como relíquias e tantas vez silenciado, os diálogos são desconcertantes: Que direito tem uma pessoa que ama outra de a privar do seu amor? De os privar a ambos da luz desse amor? Foi esta a reflexão mais profunda a que este livro me conduziu. Não é a história de um pai enraivecido que separa dois apaixonados: é a história de uma apaixonada demasiado ambiciosa, arrogante e estranha a si mesma para compreender que dele depende toda a sua felicidade, e assim os condena a ambos a penar pelo outro numa separação imposta por si mesma.

Nº 2 - A Praia do Destino
Tinha dezasseis anos quando o comprei. Como nunca nadei em dinheiro, foi a primeira vez que me permiti a extravagância de comprar um livro de um autor que me era estranho. Que é como quem diz: poderia vir a odiar o livro, mas a sinopse venceu-me. Era sobre uma menina de quinze anos envolvida num caso amoroso com um médico casado de quarenta e um. Somem a isto o facto de estarmos em 1889 e compreenderão a amplitude do escândalo. Os cenários criados pela Shreve são únicos: a Olympia é quase palpável, o Haskell é-nos um homem de carne e osso - com cheiro, sólido, real. A praia de Fortune's Rocks estende-se aos nossos pés. O fulgurante círculo de intelectuais que rodeia o pai da Olympia - e do qual John Haskell faz parte - cativa-nos e entretém-nos em igual medida. A tuberculose ataca as fiações desta pequena povoação. Boston é rígida no julgamento. A Olympia ainda está sentada no alpendre de casa e ainda há um convidado que adquiriu a recente modernice que é a máquina fotográfica. A mulher do Haskell ainda tem hálito a hortelã e ele e a Olympia continuam ambos continuam estáticos, congelados e presos na eterna vergonha do momento que dita a dimensão da sua futura desgraça...

Nº 1 - E Tudo o Vento Levou
Creio que a Scarlett O'Hara é, literariamente falando, tida como uma "anti-heroína". Na compreensão que tenho desse termo concluo que tal se deve aos muitos erros de carácter que a compõem. Aliás, à falta de carácter que tantas vezes a assiste. Na realidade, são precisamente esses erros que fazem dela a minha heroína favorita da literatura, ou não fosse ela uma mulher de armas como não há  outra! Casa-se com homens que despreza primeiro para curar um amor não-correspondido e depois para salvar a família da miséria. Tem uma mente lógica e matemática, é vulnerável nos momentos menos prováveis e surpreendentemente forte quando todos se deixam ir abaixo. É tão teimosa que passa metade da vida iludida a respeito de um homem que, vai na volta, seria sempre indigno da sua força. E acorda tarde demais - como tantos acordamos - para o que parecia estar-lhe destinado... Diálogos inteligentes, uma complexidade temporal, caracterizadora e descritiva (sobretudo das emoções e do coração humano) sem igual e uma sensibilidade e crueza raras em autoras femininas. Uma mulher que escreveu sobre guerra e amor na mesma medida, e que os elevou a ambos à excelência. A ser relido centenas de vezes... sem dúvida o livro da minha vida! 

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

#58 RODI, Sara - D. Estefânia; Um Trágico Amor

Sinopse: Quando D. Estefânia saiu da igreja de São Domingos, pela mão do seu marido D. Pedro V, rei de Portugal, as vozes dos portugueses ditaram-lhe o destino: a rainha vai morta! Vai de capela! Três gotas de sangue haviam-lhe manchado o vestido branco imaculado. A jovem princesa alemã não teve forças para aguentar o peso do magnífico diadema que D. Pedro lhe oferecera como prova do seu amor. Um amor cúmplice, puro e apaixonado, entre duas almas gémeas unidas em propósito, durante 14 meses. Apenas 14 meses…. Escrito na primeira pessoa, num tom confessional e recheado de emoção, a autora Sara Rodi revela-nos a apaixonante história de D. Estefânia Hohenzollern-Sigmaringen. Uma rainha que muitos portugueses viram como um anjo que lhes trouxe a esperança que tanto lhes faltava, sempre disposta a ajudar os mais pobres e desfavorecidos. Não fez mais porque morreu jovem aos 22 anos. Sem ter deixado um herdeiro para o trono de Portugal. Mas deixando um último pedido: a construção de um novo e moderno hospital que prestasse assistências às crianças pobres e desvalidas. O Hospital D. Estefânia. D. Pedro cumpriu o último desejo da sua mulher, mas o reiMuito Amado de Portugal não resistiu à morte de Estefânia e dois anos depois partiu para junto dela.

Opinião: Há algo que sucede recorrentemente quando tento ler um livro português, e que é a incapacidade de desassociar o autor ao livro. No caso da Sara Rodi, o nome deixou-me na dúvida. Seria portuguesa? Ou seria um livro traduzido a respeito de uma rainha de Portugal? Não investiguei até terminar a leitura, mas pareceu-me bastante óbvio que a autora era lusa. De facto é-o e começou a sua carreira com as Letras cedo, tendo também trabalhado como guionista nalgumas novelas da TVI.

Em relação ao livro, agradeço-lhe o primeiro verdadeiro contacto que me permitiu com a Rainha D. Estefânia. Embora o Palácio da Ajuda raramente – ou nunca – tenha sido mencionado no livro, é ao visitá-lo que me sinto mais próxima dela e do rei D. Pedro V que, depois desta obra, não voltarei a confundir com o seu irmão D. Luís. Também não sabia que a D. Estefânia tinha tido um reinado tão curto – 14 meses – nem tampouco que tinha falecido aos 22 anos que são, por acaso, a minha idade neste momento. Por aí senti-me bastante próxima do relato… mas houve outras coisas a interporem-se no caminho. Começo por elogiar a pesquisa e o modo inteligente como as informações foram sendo passadas no diálogo – ao contrário do No Coração do Império, que foi um atropelo de factos. Elogio também o momento escolhido para a narração desses catorze meses: o leito de morte da rainha. Sem dúvida que isso confere uma perspectiva única dos factos, elogiando ainda o seu tamanho diminuto (a narração cessa às 185 páginas)… Ainda assim, achei o romance demasiado fatalista, dramático, quase a resvalar o misticismo. Adivinhação do futuro e indícios de desgraças, contraposto à “angelicalidade” da rainha, aborreceram-me seriamente.
O meu interesse pelas monarquias, impérios, etc., prende-se com as pessoas que estiveram à sua frente. Neste romance, narrado na primeira pessoa por D. Estefânia, a mesma autoproclama-se um anjo. Uma Santa. Ocasionalmente surge a insinuação de que tem algumas semelhanças a Maria, visto nunca se ter consumado a união. Esta Estefânia de 22 anos retratada por Sara Rodi não tem problemas de auto-estima. Diz que é inegável que é bonita (quando, na minha opinião, existe um quê de grosseiro no semblante desta rainha que nem os vestidos e as jóias conseguem disfarçar), que toda a vida teve uma missão, que vive para ajudar os outros, que é o anjo de D. Pedro, que sabe que ele a ama como ninguém – a sério? Um homem que se recusa a consumar uma união na flor da idade? – e que tece outros tantos elogios a si própria (é diferente de todas, diferente de todos, diz) e chega a ser vaidosa e nada humilde. É esta criatura aqui descrita que depois, no final, é descrita numa carta verdadeira de D. Pedro como bondosa sem igual. Só me resta considerar que os elogios caem melhor quando não saem da nossa própria boca, pelo que esta abordagem da Sara não me parece muito inteligente, se pretendia santificar a rainha. A nível de escrita não me queixo muito – tem alguma desenvoltura e o livro é francamente melhor do que outros do género que tenho lido. Mas ainda assim encontrei algo como “desassossego impossível de sossegar” e “estranheza por demais estranha”. Não estou a ser literal, mas era basicamente isto. A palavra “esperança” surge de um modo que me irritou… posso estar a ser picuinhas mas “levar uma esperança” às crianças ou “trouxeste-lhes uma esperança” não me soa muito bem.
Se a autora voltar a publicar algo histórico acompanharei. A escrita é razoável, o tamanho idem e as informações são para mim, apaixonada por História, preciosas.
Classificação: 3***

sábado, 13 de outubro de 2012

Biblioteca Municipal José Saramago

Rua da Alembrança, Feijó

Vindo de Lisboa

4. Pegue a A2

5. Pegue a saída em direção a Almada/Corroios

6. Mantenha-se à esquerda na bifurcação, siga as placas para A2 Sul

7. Mantenha-se à direita na bifurcação, siga as placas para Corroios e pegue a Rua Henrique Mota

8. Na rotatória, pegue a 3ª saída para a Rua Sérgio Malpique

9. Na rotatória, pegue a 2ª saída para aEstrada Vale de Mourelos

10. Curva suave à esquerda na Rua Dr. António Elvas

11. Pegue a 1ª à direita em Estrada Algazarra

12. Na rotatória, pegue a 3ª saída para a Rua Alembrança


Vindo de Almada (centro)


Avenida Dom Nuno Álvares Pereira
Almada

1. Siga na direção nordeste na Av. Dom Nuno Álvares Pereira em direção à Rua Mendo Gomes de Seabra

2. Pegue a 1ª à direita em Praça S. João Baptista

3. Pegue a 1ª à direita em Rua Dom Francisco Xavier de Noronha

4. Vire à esquerda na Rua Padre António Vieira

5. Pegue a 2ª à direita em Av. Rainha Dona Leonor

6. Na rotatória, pegue a 2ª saída para a Rua Cabo Boa Esperança

7. Continue para Largo Filinto Elísio

8. Vire à esquerda na Av. Henrique Barbeitos

9. Na rotatória, pegue a 2ª saída para aVariante à N10
Passe por 1 rotatória

10. Na rotatória, pegue a 3ª saída

11. Na rotatória, pegue a 2ª saída para a Rua Alembrança


terça-feira, 9 de outubro de 2012

#57 TOLKIEN, J. R. R. - O Senhor dos Anéis | #1 A Irmandade do Anel


Sinopse: Em apreciação crítica à obra de Tolkien cuja edição portuguesa apresentamos, o Sunday Times escrevia que o mundo da língua inglesa se encontra dividido em duas partes: a daqueles que já leram O Senhor dos Anéis e a daqueles que o vão ler. Não se enganava o crítico ao indicar assim que estamos perante uma obra de leitura obrigatória, que, sem qualquer sombra de exagero, se insere entre as mais notáveis criações literárias do nosso século. Situando-se na linha da criação fantástica em que a literatura inglesa é fértil (lembremos Lewis carrol com a sua Alice no País das Maravilhas), Tolkien oferece-nos uma obra verdadeiramente monumental, onde todo o mundo é criado de raíz, uma nova cosmogonia arquitectada por inteiro, uma irrupção de maravilhoso que é admirável jogo de criação pura. O sopro genial que perpassa na elaboração deste maravilhoso, traduzido sobretudo no realismo da narração, deixa no leitor o desejo irresistível de conhecer «esse» mundo que, como crianças, chegamos a acreditar que existe. A Irmandade do Anel é o primeiro volume da trilogia O Senhor dos Anéis, em que se integram também As Duas Torres e O Regresso do rei.


Opinião: Isto é um fenómeno que acontece com os grandes escritores. Quando menciono o que ando a ler, não digo que estou a ler O Senhor dos Anéis. Digo que estou a ler Tolkien e vejo-o suceder com quem acompanha esta saga em simultâneo. E justifica-se: trata-se de um mundo à parte, criado totalmente de raiz pelo escritor britânico. À excepção da Lua e do Sol, nada parece estar no mesmo sítio. Há criaturas místicas, cenários inventados, lendas imaginadas, cantigas sobre heróis projectados pelo autor. Vão ouvir falar de um mundo de uma complexidade admirável que tem inspirado tantos autores desde então: elfos, orcs, anões, hobbits, feiticeiros, homens e espíritos. Tudo de modo tão credível que as sombras que os ameaçam e os movem pairam também sobre nós. Há uma viagem interminável neste primeiro livro, tão realista quanto as descrições do autor a tornam. Há um mapa deste mundo que foi, por inteiro, imaginado pelo Tolkien. Cinco minutos de narração deste épico à minha irmãzinha de seis anos foi suficiente para a manter entretida durante uma trilogia de quase quatro horas cada filme, antes de se deitar, a vivenciar realmente os receios, as fugas, as urgências das personagens. E talvez ainda tomada pela emoção do culminar de mais de nove horas de filme e de uma banda sonora brilhante, em tudo adequada a esta epopeia, proponho-me a terminar a review do livro.

Quase todo o livro é uma viagem, uma campanha perigosa e fatal para alguns em direcção a Mordor, onde o malfadado anel deve ser destruído. Da minha parte, cheguei a ¾ do livro convencida que lhe atribuiria um 4. À semelhança dos filmes, em que achei o segundo e o terceiro muito mais emocionantes... Acontece que a excelência da Irmandade do Anel é indiscutível, pelo que não me é justo penalizar o autor se os seus três livros são nota 5, visto pessoalmente goste mais duns do que de outros... Muitos alicerces são estabelecidos neste livro em relação à solidez do rumo da trilogia. As personagens são apresentadas: e arrisco dizer que nenhuma se modifica muito ao longo dos três livros. Sam, talvez - e como minha personagem favorita - passa de jardineiro tímido a melhor amigo empenhado, apostado em impedir Frodo de fraquejar. Os hobbits são um pouco caricatos, mas a seu tempo, e já neste volume, vão dando mostras de grande fibra e coragem. Aragorn desdenha um pouco do poder, parece-me, mas não consegue desassociar-se do bem-estar do mundo dos homens, aonde poderia figurar como rei se o reclamasse. Gosto bastante do facto de o Gandalf evoluir em termos de poder, não começa como um feiticeiro poderosíssimo nem é invencível. Nem costuma recorrer, tão pouco, a grandes truques para se livrar de problemas. É interessante o facto de ser um feiticeiro resmungão e não o típico velho sabichão que tudo safa. O Gandalf tem dúvidas, fraquezas – de feiticeiro e de humano – e tantas vezes questiona e duvida do seu próprio juízo. Pede conselho e tem pouco da arrogância e inacessibilidade de outras personagens semelhantes no universo literário e cinematográfico.

Lamento que o Tolkien não tenha feito mais pelo Sam, creio que tem um papel muito mais importante do que o Frodo na trilogia. O Frodo segue o caminho que lhe apontam e que é obrigado a abraçar. Tirando no final deste primeiro livro, creio que não voltará a agir com sabedoria perante uma encruzilhada. Quanto ao Sam, este escolhe estar com o Frodo até ao fim; não tanto porque se identifique com a missão que foi atribuída ao amigo (e que lhe destruiria igualmente o Shire que tanto amam e partilham) mas porque toma aos ombros o fardo que é totalmente do patrão. Amizades destas, num livro - e sobretudo na vida real – são raras. Por isso reconheço-a e valorizo-a tanto como eixo chave sem o qual nem este primeiro volume nem os restantes enveredariam pelos trilhos em que caminham.
Classificação: 5*****

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

#56 QUINN, Julia - Peripécias do Coração


Sinopse: A sensata Kate Sheffield está decidida a encontrar para a sua meia-irmã Edwina um marido de reputação impecável. Mal ela sabe que o visconde Anthony Bridgerton já traçou um plano... que inclui a belíssima jovem! E ele não está habituado a ser contrariado... Embora Anthony seja o solteirão mais cobiçado da temporada, a sua reputação de mulherengo perturba Kate. Ela terá de agir rapidamente, pois Edwina vê com muito bons olhos os avanços do visconde. Mas Edwina fez uma promessa que não está disposta a quebrar: nunca casará sem a bênção de Kate. Cabe, pois, a Anthony convencer aquela que (espera) será a sua futura cunhada. Ele é um homem determinado e seguro de si... e não contava encontrar uma adversária à sua altura. Frente a frente, Kate e Anthony apercebem-se de que têm mais em comum do que imaginaram. Mas o que os une ameaça separá-los para sempre

Opinião: A Julia Quinn já tinha conquistado um lugar no meu coração com o Crónica de Paixões e Caprichos. Acontece que, em certa medida, o ritmo é o mesmo. As personagens são adoráveis – a seu modo únicas –, mas o enredo pareceu-me um pouco semelhante ao anterior. E com isto digo um homem atormentado por motivos ligados ao pai a deixar que isso se interponha, à semelhança do romance anterior da série, entre si e a felicidade ao lado da mulher que ama.
A Kate é, de facto, sensata, mas a relação dela e da Edwina peca um pouco – talvez por ser tão apregoada na sinopse. Há raros momentos entre as duas e não chega a existir de facto um conflito relacionado com o Anthony. A modos que o amor dos dois não tem grandes obstáculos se não eles mesmos, porque as mães e a sociedade em geral estão de acordo. A própria Edwina acaba por ser convenientemente emparelhada com outro senhor… Enfim, estou a falar demais?
Não atribuo 5 porque esse lugar, nos romances históricos, continua a estar reservado para as minhas meninas do costume – Sherry Thomas, Laura Lee Guhrke e Lisa Kleypas com as Wallflowers (a propósito, o segundo livro sai agora em Outubro! Título vergonhosamente lamentável, assim como o primeiro, porque a série tem tão mais classe do que os mesmos sugerem!). Atribuo 4 porque, a partir do meio, a leitura tornou-se compulsiva, fácil de absorver, nada aborrecida. Ri-me muitas vezes, gostei bastante do Anthony e acho-o, assim como à Kate, muito humanos. E os irmãos Bridgerton são uma risada que só…! Continuo ansiosamente à espera do enlace do Colin e da Penelope no quarto volume…

Classificação: 4

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

#55 CABOT, Patricia - Rosa Selvagem


Sinopse: Como nunca houvera uma mulher que não conseguisse encantar, Edward tinha a certeza de que iria conquistá-la. Mas Pegeen MacDougal não era nem velha, nem criança - era muito mulher, com uma língua aguçada, uns olhos verdes de levar ao inferno e uma sensualidade que o deixava doente. Infelizmente, ela desprezava-o, assim como à ostentação da sua classe social e à falta de consideração que mostravam pelos menos afortunados. Mas, pelo bem do seu sobrinho Jeremy, Pegeen concordou que ambos se mudariam para a propriedade de Edward. O risco tornou-se rapidamente aparente. Pois ela sabia que podia resistir ao dinheiro de Edward, ao seu poder, à sua posição... a todo o seu mundo. No entanto, era o seu beijo que prometia ser a sua destruição.

Opinião: Este foi o primeiro romance que li deste género. Ou seja, o primeiro livro em que factos históricos, romance tradicional (a importância do casamento, dos bons costumes, da virgindade e essas coisas todas) e uma panóplia de outros ingredientes que, tendo lido entretanto mais 100 ou 200 livros do género, parecem estar sempre presentes em todos. Na altura tudo me pareceu estupidamente romântico... com a rapariguinha que poderia ser facilmente interpretada por uma Adriana Esteves tapeadora e o rapazinho como um autêntico Apolo...

Agora, lendo-o alguns anos depois e em Português correcto, sou obrigada a baixar consideravelmente o meu apreço por ele. Atribuo-lhe 3/5* apenas devido à personagem masculina: o Edward Rawlings está soberbamente criado. Mas a Pegeen? Por ela daria 1/5* ao romance. Ela é vazia, demasiado ruidosa e irritantemente dita “rebelde”. Que é como quem diz que, nas primeiras 50 páginas do livro ela é cheia de ideais; condena o casamento, condena a aristocracia, condena aqueles que não ajudam os pobres e vivem do ócio. Ao fim disso é levada para uma mansão senhorial na qualidade de tia do futuro duque e, rapidamente, abraça tudo isto e não volta a fazer discursos a esse respeito. Isto seria perdoável se ela não fosse tão efusiva a esse respeito no início. Aliás, chega a desprezar aquilo que foi com os inúmeros suspiros em relação ao facto de nunca mais vir a ter de se preocupar com nada. Mas não é só nisto que a personagem falha. Também em relação ao Edward… ora está a esbofeteá-lo ora está enrolada na cama com ele. Quem é como quem diz que vai de um extremo ao outro, o que até teria uma certa piada se o livro não carregasse uma certa carga dramática que não condiz com isto. Se houvesse as piadas da Julia Quinn a pautá-lo… Além do mais parece estar constantemente nua. Camisola de noite transparente, um puxão e o decote do vestido cede, está no quarto de robe revelador, etc… senti-me meio estupidificada pelo facto de a autora não ter dado grande credibilidade à relação deles. Não se entende o que é que ele vê nela... aliás, parece-me que é a cintura que, de tão fina, vem inumeras vezes mencionada... ou, talvez, os olhos verdes da moça.
De histórico não tem nada: se ela não usasse vestidos compridos (muito decotados) eu nem me lembraria que é um romance de época. 

Enfim, valham-me a Sherry Thomas que tanto adoro, a Lisa Kleypas e as suas Wallflowers, a Laura Lee Guhrke e os seus enredos bem estruturados e a Julia Quinn e o bom humor das personagens…! Por esta Cabot e pela Madeline Hunter já me tinha reformado deste género.

Classificação: 3***