segunda-feira, 26 de novembro de 2012

#65 CAMPIÃO, Jorge & CALDEIRA, Elisabete - Sob o Céu de Paris

Sinopse: Raquel é uma mulher que nunca tomou o destino da sua vida nas próprias mãos, e tem consciência disso. Carlos é um pintor cujo reconhecimento artístico poderia ser maior se alguma vez tivesse sido metódico, mas não o sabe. Raquel vai organizar a exposição de pintura de Carlos em Paris, no Centro George Pompidou. Mas não vai apenas ordenar a exposição de Carlos, vai estruturar a sua obra, o seu talento, ao mesmo tempo que terá de recompor a sua própria vida pessoal. Pelos cafés, restaurantes e ruas de Paris por onde passam, Raquel ressuscitará um Picasso - cuja crueldade corporiza bem os seus medos - e uma Dora Maar - a talentosa, enigmática e inspiradora do genial artista -, que lhe serve de alter-ego, mas cujo destino não quer imitar.

Opinião: Quem já visitou Paris sabe que “cidade do amor” não é um exagero. Nem uma hora depois de ter aterrado em Paris já tinha visto uma moldura enternecedora de dois namorados a beijar-se com a Torre Eiffel como fundo iluminado, bem como dois amantes a sair de um hotel e a entrar cada um no seu carro. Gostando muito do Jorge Campião - com quem compartilho o gosto pelo Julio Cortázar - e da Elizabete, muito simpática e acessível, esperei que o livro que lançaram com tanta paixão se debruçasse sobre o amor da Torre Eiffel e não sobre o amor do Hotel. Infelizmente (para o meu gosto pessoal), foi ao contrário. As personagens são amantes na cidade mais bonita e romântica do mundo, e mergulham longamente na exploração corporal uma da outra. O facto de trairem outras pessoas não é o que me impediu de apaixonar pela obra... Ontem mesmo vi um documentário sobre o E Tudo o Vento Levou onde se confessou que ninguém dava nada pelo filme, visto ser protagonizado por uma “bitch” e um “bastard”, quem se importaria com esse género de pessoas? Mas a verdade é que toda a gente se identifica com eles, mas não me identifiquei nem com a Raquel nem com o Carlos. Não entendi porque se amam, se se amam. O Picasso e a Dora Maar, que poderiam resgatar o livro do mergulho na intimidade do quarto de hotel dos outros dois personagens, foram meia dúzia de pitadas diluídas no romance. Tive pena porque sei que houve muita pesquisa e muito cuidado envolvido na criação da obra e lamentei a importância atribuída a esses momentos. Pareceu-me que o interesse mútuo das personagens existia apenas a nível carnal e a ida a Paris é um mero pretexto para se envolverem.

A escrita, contudo, é irrepreensível. Apenas achei que exageraram um pouco no uso do ponto de exclamação, mas de resto superam perfeitamente um Tiago Rebelo, uma Margarida Rebelo Pinto, uma Margarida Pedrosa, uma Alexandra Vidal, etc. Sem dúvida são muito mais talentosos no uso da palavra e não tenho dúvidas de que vai agradar muito aos românticos. Infelizmente li-o, a partir da página 100, na diagonal. Não vi muitos vestígios do cubista e da Dora Maar por onde sobrevoeei e não me agradou a conclusão final do livro...

Lamento não ter conseguido apaixonar-me pelas personagens nem pelo enredo. É um livro de qualidade inegável que, simplesmente, não me falou.

Classificação: 2**/*

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

#64 SIMONS, Paullina - O Grande Amor da Minha Vida [O Cavaleiro de Bronze #1]

Sinopse: Tatiana vive com a família em Leninegrado. A Rússia foi flagelada pela revolução, mas a cidade mais cosmopolita do país guarda ainda memórias do glamour do passado. Bela e vibrante, Tatiana não deixa que o dramatismo que a rodeia a impeça de sonhar com um futuro melhor. Mas este será o pior e o melhor dia da sua vida. O dia fatídico em que Hitler invade a Rússia. O dia assombroso em que conhece aquele que será o seu grande e único amor.
Quando Tatiana e Alexander se cruzam na rua, a atração é imediata. Ambos sabem que as suas vidas nunca mais serão as mesmas. Ingénua e inexperiente, Tatiana aprende com o jovem soldado os prazeres da paixão e da sensualidade. Atormentado pela guerra e pela incerteza quanto ao futuro, Alexander descobre a doçura dos afetos. E, enquanto as bombas caem sobre Leninegrado, eles vivem um amor que sabem ser eterno mas impossível. É um amor que pode destruir a família de Tatiana. Um amor que pode significar a morte de todos os que os rodeiam. Ameaçados pela implacável máquina de guerra nazi e pelo desumano regime soviético, Tatiana e Alexander são arremessados para o vórtice da História, naquele que será o ponto de viragem do século XX e que moldará o mundo moderno.
É o primeiro volume da trilogia Tatiana & Alexander.


Opinião: Não me é fácil, tendo já lido tanta coisa, encontrar um livro que abra caminho por entre os outros na minha atenção e gosto pessoal. Descobrir um obra como O Cavaleiro de Bronze (para mim é este o nome dele, bem como o único que faz sentido) - e, mais sorte ainda, saber que se trata de uma trilogia - é fonte de um prazer que se há de prolongar em mais dois volumes. A sinopse anuncia um grande amor; mas este livro é bem mais do que isso. Para mim, que em tempos fui romântica mas que ainda não me esqueci do que é amar, para mim, que sou uma apaixonada da História, este romance significa esses dois ingredientes levados ao expoente máximo. Estamos na II Guerra Mundial e eu conheço o contexto em que tudo se desencadeou sem ir ao google.com: Hitler sobe ao poder em 33, prepara a máquina de guerra mais poderosa da Europa, anexa a Áustria em '38, sob aprovação da restante Europa, reunindo dois imponentes aliados da I Guerra Mundial, e invade a Polónia. Tem um pacto de não agressão com a Rússia, apenas porque desconfia que podem aniquilar-se mutuamente. O que este livro acrescentou - e eu sabia que a Rússia foi essencial para a derrota do Hitler na Europa - foi que os russos andavam a dormir enquanto a máquina de guerra do Hitler se ia tornando mais mortífera. O livro arrasta-se do verão de 1941, quando a URSS é invadida, até 1943, quando estão perto de inverter a nação em desvantagem. O livro é tão poderoso que me foi físico. Para além do frio veio a fome - estava constantemente com fome na primeira metade do livro. Pus-me em pé tardiamente e disse ao meu irmão "este livro é só fome". Depois custou-me um pouco explicar-lhe que isso era bom num livro enquanto mordiscava uma côdea de pão sem mais nada, por solidariedade às personagens que, com racionamentos, nem isso tinham para comer. A dado momento, o livro também foi só frio. Menos 30º. Gelei, os cobertores eram poucos. Depois foram morteiros e espingardas e P-35 (será mesmo 35? é que essa pistola é alemã, espero não me ter enganado), foram estradas sobre lagos gelados e camadas de gelo a estalar. Um mergulho no dito gelo. Foram a russa soviética - a Rússia dos bufos, da NKVD (polícia política russa?), do comunismo exacerbado e prejudicial à saúde.
A Tatiana e o Alexander conhecem-se a 22 de junho, quando a Rússia, através dum comunicado na rádio, informa que a Alemanha violou o pacto de não agressão e, como tal, é doravante sua inimiga no conflito que vai arrastando, aos poucos e poucos, mais nações. Conhecem-se quando ela está despreocupadamente a comer um gelado num dia que ficará para a história da sua pátria. Desde aí, desenrola-se uma série de desenganos e, por vezes (o que em momentos lamentei mas que, a longo prazo, virando a última página, se revelou satisfatório) discussões a meias-palavras. Não aprecio muito rodeios mas a modos que, neste livro, se justificam todos. De início detestei a Tatiana, pareceu-me leviana. A comer gelados quando todo o dinheiro era levantado dos bancos e a comida esgotava nas prateleiras dos estabelecimentos! A dar voltas intermináveis no autocarro até aos limites da cidade e a regressar porque o soldado que conhecera na paragem lhe parecia atraente ou magnético. Enfim, eles estavam destinados e isso torna-se evidente sobretudo a partir da segunda metade do livro. Compreendo o amor deles a partir daí  - ambos querem ser possessivos por si e oferecer liberdade pelo outro, ambos o querem só para si mas compreendem (ou discutem) a necessidade que o mundo parece ter do outro. Dificilmente se posicionam do mesmo lado numa discussão e achei isso estimulante. O Alexandre sim, é bem o homem dos meus sonhos. Dá murros na parede e saltam-lhe lágrimas dos olhos quando está a ferver, mas nessas alturas quase nos é possível (leitor) descortinar com clareza as suas intenções e a sua linha de pensamento sem que o livro o formule. E a Tatiana... identifico-me bastante com ela. Porque é teimosa como uma burra e não confia no juízo de mais ninguém que não no dela própria. Só segue a sua cabeça, para o bem e para o mal. É corajosa e sacrifica tudo pelo Alexander, porque ele vale a pena.
Quando terminei ontem o livro estava desconcertada. Com a sensação de assistir ao desfecho de uma obra épica, com todos os contornos de um clássico, que quero muito ver adaptada ao cinema!
Como ponto um bocadinho mais fraco, mas que nada rouba ao livro e até pode acrescentar para algumas leitoras, compreendo que a autora queira levantar véus sobre a intimidade das personagens para que, desse modo, compreendamos a dimensão admirável da sua comunhão. Mas houve ali uma série de páginas (bastantes) em que já estava a haver intimidade a mais na minha modesta opinião. Compreendo a importância daquele verão em Lazarevo, mas gostaria de ter visto o livro a desenvolver-se mais rápido a partir daí.
Raramente estou na penúltima página de um livro de 688 páginas e a desejar que ele não acabe. Pelo contrário, ando é mais rápido a ver se o termino, classifico, comento, e passo ao próximo. Mas neste bateu-me uma angústia... A última parte é tão bonita...! Todo o livro o é.
A autora não teve escrúpulos; obrigou-me a penar até poder ler o próximo!
Classificação: 5*****
Segundo volume aqui

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

#63 SIGURDARDÓTTIR, Yrsa, Lembro-me de ti

Sinopse: Três jovens propõem-se recuperar uma velha casa de uma aldeia abandonada, algures nos Fiordes Ocidentais islandeses. Mas não imaginam o cataclismo que este inofensivo trabalho vai desencadear. Na outra margem do fiorde, um psiquiatra investiga o suicídio misterioso de uma mulher mais velha que poderá estar ligado ao desaparecimento do seu próprio filho. Estas duas intrigas vão convergir para uma história de um enorme suspense que os críticos têm considerado tratar-se da melhor que até agora saiu da pena de Yrsa Sigurdardóttir.
"Lembro-me de Ti" foi galardoado com o Prémio de ficção Policial Nórdica de 2011, e os direitos de adaptação ao cinema comprados pelo produtor islandês radicado em Hollywood Sigurjón Sighvatsson ("Wild at Heart" e "The Killer Elite", entre dezenas de outros). Um thriller policial arrebatador, uma leitura saborosamente arrepiante.

Opinião: «A resposta islandesa ao Stieg Larsson» é um pouco enganosa para quem procura policiais. Não que essa componente não exista, mas o livro resolve-se sobretudo a partir do sobrenatural. Para quem gosta de livros que deixam os pelinhos arrepiados, este é ideal. Ontem julguei que toda a casa fazia ruídos ameaçadores enquanto lia as últimas páginas. Confesso que pulei algumas porque achei demasiado descritivo e exaustivo. Também porque me perturbou bastante, logo deste o início. O frio, o branco, os fiordes a desfazerem-se sob as botas de neve, a ameaça do gelo, crianças desaparecidas, estranhas cruzes gravadas nas costas de mortos e um fantasma (criança) ameaçador que se vale do uivo vento para lançar avisos tormentosos. A meio do livro estava frenética para terminá-lo, não andava tão rápido quanto eu desejava, cada capítulo terminando numa revelação/aproximação do medo e deixando-me em alvoroço. Queria muito saber o que aconteceu com aquelas duas crianças desaparecidas...
No final tudo se conjugou: a má natureza humana, a crueldade infantil, a dor, a perda, o desconcerto, o absurdo das situações evitáveis que terminam em desgraças, os motivos por detrás de tanta maldade e sordidez. Tudo faz, afinal, sentido.

Uma boa leitura - sem dúvida perturbadora - que aconselho a todos os que gostem de mistérios, policiais e sobrenatural. Se tiver oportunidade voltarei a ler esta autora, que trouxe a Islândia para a luz.

Classificação: 4****

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

#62 KLEYPAS, Lisa - Sedução Intensa


Sinopse: Quatro jovens da sociedade elegante de Londres partilham um objetivo comum: usar os seus encantos femininos para arranjarem marido. E assim nasce um ousado esquema de sedução e conquista. Num refinado baile londrino, Lillian Bowman depressa descobre que a sua educação tipicamente americana não está propriamente na moda. E encontra no insuportável Marcus, Lord Westcliff, o seu crítico mais implacável. Pena que seja um excelente partido... Quando Lillian cai acidentalmente nos braços de Marcus, vê-se chocada e consumida por uma súbita paixão por um homem que julgava detestar. O tempo parece parar e o corpo da jovem cede ao erotismo do momento, descobrindo sensações que nem sonhava existirem... Marcus, conhecido pela sua constância, também se vê perdido num turbilhão sensual. Cada toque de Lillian é pura tortura, cada beijo o faz gemer por mais. Mas como pode ele pensar em aceitar uma mulher tão pouco adequada para sua noiva?

Opinião: Como descrever o facto de, à segunda (ou terá sido terceira?) leitura deste livro, tendo-o lido anteriormente em traduções miseráveis em inglês/pt-br, ter gostado ainda mais dele? Fiquei convencida de que a Kleypas tem realmente um dom. O primeiro deixou-me sem fôlego, às vezes revisito-o. Meu adorado Simon Hunt… Quanto ao Westcliff, por quem eu tinha uma animosidade épica, safou-se bem neste ao dar conta do recado que é a Lillian. Ele é Conde e deve casar bem, especialmente quando as duas irmãs misturaram o seu sangue azul com americanos, o que na época era uma afronta para a aristocracia inglesa. A Lillian é americana e completamente avessa às regras de etiqueta inglesas. Identifico-me bastante com esta personagem – impulsiva, questiona tudo em redor e tem uma aversão natural a tudo o que é autoridade, obrigações, convenções. É por isso que os ímpetos da juventude a fazem chocar directamente na personalidade carismática e séria do seu anfitrião. No romance anterior o Westcliff é descrito como poderoso, responsável e generoso. É uma figura quase paternal, apesar de carrancudo. Neste livro perde as estribeiras com a Lillian e dá por si a pôr a razão de lado a favor daquilo que ela lhe desperta. Gostei do entendimento entre os dois, fizeram-me rir e exasperar. O momento mais emotivo para mim foi quando ele tenta proibir a Lillian de saltar obstáculos a cavalo, porque ela não está habituada a saltar à amazona (na América ela passava uma perna para cada lado do cavalo), e receia que torça o pescoço. A ordem expressa que ele lhe dá, proibindo-a de o fazer quando, na realidade, ela é perita em corridas de obstáculos com cavalos, mexe directamente com o feitio dela, que contraria instantaneamente uma ordem. Confrontado com a desobediência dela, os dois protagonizam uma discussão em frente a todos os convidados dele. Compreendi ambos mas posicionei-me subtilmente do lado da Lillian. Que direito tinha ele de a proibir do tirar prazer de uma actividade só porque receava que ela partisse a coluna? A vida sem risco não faz sentido.
         Mas é a participação do meu (second favorite male character of all time, right after #1 Rhett Butler) adorado St. Vincent que vem apimentar o enredo. A própria Lillian dificilmente lhe resiste, por muito que o Westcliff seja o amor da vida dela. A Kleypas envolveu o Sebastian St. Vincent em sensualidade dissimulada, maldade intrínseca, perigo e tormentos. Agora imaginem a sua ousadia ao emparelhá-lo com a pobre tímida – e gaga – Evie Jenner no terceiro volume desta série… Sem dúvida o meu favorito, mal posso esperar por lê-lo em português!!!

PS - Mais uma vez detesto o nome dado à série - À Flor da Pele? Jesus - e ao livro. No original: Segredos de Uma Noite de Verão e Aconteceu Num Outono traduzidos para Desejo Subtil e Sedução Intensa. Honestly?! Até tenho vergonha de sair de casa com estes livros, só os leio em casa.
Classificação: 4****

domingo, 4 de novembro de 2012

#61 HUNTER, Madeline - O Sedutor


Sinopse: Diane Albret é órfã e passou a maior parte da sua vida num colégio interno. Sem mais família, está habituada a receber apenas uma visita: Daniel St. John, o seu irresistível tutor. Ao longo do tempo, ele visitou-a sempre uma vez por ano. Mas o seu mais recente encontro reserva-lhe uma surpresa: Daniel esperava encontrar uma menina e Diane é já uma bela e carismática mulher. Ele aceita retirá-la da clausura do colégio e levá-la consigo para Londres. Porém, ambos têm planos que preferem manter em segredo. Diane está decidida a descobrir o que se passou com a sua família, que nunca chegou a conhecer. Só Daniel pode revelar o que ela tanto deseja saber, mas ele tudo fará para que o passado permaneça secreto, pois os seus efeitos representam uma ameaça fatal para a vida de ambos. Por seu lado, Daniel está subtilmente a usar a inocência da sua protegida para uma vingança que planeia há mais de uma década. Mas a crescente proximidade entre ambos ameaça dificultar-lhes os planos e, pouco a pouco, eles apercebem-se de que têm mais em comum do que julgavam. Poderá um novo amor triunfar sobre ódios antigos?

Opinião: Conheci a Madeline Hunter através do Regras de Seduçãoalguns anos. Tenho ainda a primeira edição desse livro, com a respectiva protecção exterior, muito verde e nada a ver com o seguimento que a editora deu a estas publicações. Apostei na autora porque sou uma romântica apaixonada por História e o livro prometia ambos os ingredientes. Desde esse livro não deixei de adquirir e ler as obras da Hunter, mas tenho ficado com um travo amargo na boca graças a livros como Lições de Desejo e Mil Noites de Paixão, que achei desprovidos de ambos, excepto de sexo. Nenhuma das personagens tinha qualquer conteúdo e os livros são, regra geral, maiores do que o necessário. O Sedutor – lamento, uma vez mais, a escolha do título – recupera um pouco da boa Hunter. Daí que lhe dê a nota de 4, é um 4 à luz da obra da Hunter e dentro dos romances do género. A História está bem cimentada, envolve sublimemente o enredo. A intriga é boa, a dado momento dei por mim impelida para continuar a leitura e desvendar o mistério. O Daniel St. John venceu-me, é um daqueles homens atraentes, graciosos e elegantes, que carregam uma certa perturbação neles, um certo senso melancólico e misterioso que me prendeu à leitura. A Diane não é propriamente tola, embora seja ingénua frequentemente. Simpatizei com ambos e, desse modo, não me foi difícil deixar-me cativar pela história. Algumas das personagens surgirão noutros romances desta série e estou sobretudo interessada no romance entre o Julian Hampton e a Penelope, que virá fechar esta fiada de cinco livros. O Julian pareceu-me mais comedido e maduro que o próprio St. John e, deste modo, ficarei ansiosamente atenta aos livros que se seguirem. Faço um reparo ao facto de que o livro tem, uma vez mais, de cem a cento e cinquenta páginas a mais do que o necessário. Perde-se tempo com pormenores exagerados. 
Classificação: 4****

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

»Plano de Leitura de Novembro/Relatório de Outubro


1 - Acabar de ler O Sedutor (Madeline Hunter)
2 - Acabar de ler O Funeral da Nossa Mãe
3 - Ler os Pilares da Terra (Ken Follet) - substituído pel'O Grande Amor da Minha Vida
4 - Ler o Gabriela Cravo e Canela (Jorge Amado) substituído por A Culpa é das Estrelas
5 - Ler cinquenta páginas do Conde de Monte Cristo
6 - Ler O Sedução Intensa (Lisa Kleypas)

Clube de Leitura:
1 - Acabar O Sedutor, MADELINE HUNTER

2 - Lembro-me de ti, SIGUROARDÓTTIR, Yrsa
3 - Histórias de um Portugal Assombrado

A aguardar o anúncio das obras que me cabem p/ Novembro.

Desafio de Novembro: incompleto


Li 640/640 páginas d'Um Fogo Eterno - Trilogia Langani II e terminei-o
Li 248/384 do Peripécias do Coração e terminei-o


Li 163/468 páginas d'O Senhor dos Anéis I - A Irmandade do Anel e termine-o
Li 7/880 páginas d'O Conde de Monte Cristo
Li 258/258 páginas d'A Viagem do Elefante
Li 108/368 páginas d'O Sedutor
Li 208/208 páginas do D. Estefânia - Um Trágico Amor
Li 144/440 páginas d'O Funeral da Nossa Mãe

Total: 1799

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

#60 SARAMAGO, José, A Viagem do Elefante

Sinopse: Em meados do século XVI o rei D. João III oferece a seu primo, o arquiduque Maximiliano da Áustria, genro do imperador Carlos V, um elefante indiano que há dois anos se encontra em Belém, vindo da Índia. Do facto histórico que foi essa oferta não abundam os testemunhos. Mas há alguns. Com base nesses escassos elementos, e sobretudo com uma poderosa imaginação de ficcionista que já nos deu obras-primas como Memorial do Convento ou O Ano da Morte de Ricardo Reis, José Saramago coloca agora nas mãos dos leitores esta obra excepcional que é A Viagem do Elefante. Neste livro, escrito em condições de saúde muito precárias não sabemos o que mais admirar - o estilo pessoal do autor exercido ao nível das suas melhores obras; uma combinação de personagens reais e inventadas que nos faz viver simultaneamente na realidade e na ficção; um olhar sobre a humanidade em que a ironia e o sarcasmo, marcas da lucidez implacável do autor, se combinam com a compaixão solidária com que o autor observa as fraquezas humanas. Escrita dez anos após a atribuição do Prémio Nobel, A Viagem do Elefante mostra-nos um Saramago em todo o seu esplendor literário.

Opinião: O que esperar de uma obra de um escritor premiado com um Nobel? Já tive algumas experiências com vencedores/indiciados para Pulitzers, Nobels, Booker Prizes, e nem sempre foram agradáveis. Abomino o surrealismo de Murakami. Derrapei no caos de Gabriel García Marquez e ganhei asco à “A Valsa Esquecida” da Anne Enright - uma vez mais, porquê “A Valsa Esquecida” e não, como dizem os franceses do Jeunet, “Yupi-tralala”? Mas o Saramago é diferente, não por ser português, não por ser um velhinho de aspecto afectuoso, mas porque o considero um génio. Um génio com uma escrita tão complicada que eu, que gosto de pensar em mim como dispondo de alguma inteligência, dificilmente acompanho. Já analisaram o surrealismo das suas reflexões? Cegueira branca. A Península Ibérica à deriva da Europa. A Morte de férias. E depois temos esta Viagem do Elefante.

Do Saramago li as entrelinhas da Jangada de Pedra, desistindo a meio e admirando o génio que arquitectou as ideias. Li pouco mais de um terço do Ensaio Sobre a Cegueira e desisti, porque tanta excelência e tanto conteúdo cansam. Fiquei a 30 páginas do final do Memorial do Convento, porque foi como correr a meia-maratona chegar ali. E decidi pegar n’A Viagem do Elefante e fazer dele a primeira obra que leio, de fio a pavio, do Nobel português.

É preciso explicar que esta minha predilecção por esta obra, entre tantas que prometem qualidade, se deve ao delicioso documentário - José y Pilar. No documentário, Saramago corre o mundo a promover os seus livros, com a maravilhosa - e arguta - Pilar del Rio ao lado. E está a escrever A Viagem do Elefante. Sofre um enfarte (?) e é internado. Lamenta, receia, não ser capaz de terminar a Viagem do Elefante. Mas, como ele próprio escolheu para citação de partida, Sempre chegamos ao sítio aonde nos esperam. E o elefante Salomão ou, a dado momento, Solimão, lá vai atravessando a Europa com as suas quatro toneladas. O segundo motivo que me sintonizou para este livro foi a citação: o elefante caga, pois caga. E gravou-se-me de tal modo que a oiço sempre na voz hesitante de Saramago.

A leitura é difícil. É-me sempre difícil ler Saramago, como se o autor atirasse pedras para o caminho do leitor, a fim de aferir quanto queremos lê-lo, quanto estamos dispostos a dar de nós para fazer essa viagem que há, regra geral, num livro qualquer. Mas eu consegui ler os Maias à segunda investida, e o Saramago, desta, não me venceria.

Como ponto alto elejo a amizade cornaca-elefante. O elefante parece compreendê-lo conforme lhe sussurra ao ouvido por muito que Saramago nos recorde, aqui e ali, que o mesmo não passa de um animal. É ternurenta esta relação assim como a de simpatias e antipatias que o elefante vai revelando. Surgem padres e diálogo religioso, como já é habitual, e surge também a história de um Portugal grandioso, ainda a colher os frutos da Expansão Marítima. Estamos regidos por D. João III, veio a inquisição e na Europa prepara-se a contra-reforma em Trento. Tudo isto é mencionado pela voz de um padre Genovês que roga um milagre ao cornaca Subhro, apelando ao muito que a Igreja Católica beneficiaria dum. Por entre interesseiros, milagres de encomenda, insensibilidades para com o elefante e o tratador, discriminação para com um indiano que acredita em deuses-elefante, um jogo hierárquico complexo e uma fogueira de vaidades, Salomão agita as estradas passo a passo, ao caminhar, gravando a ferros a sua passagem pela literatura portuguesa. Inesquecível, daqui por diante, a existência de um elefante de nome Salomão.
A frase "O elefante caga, pois caga", nunca surge no livro.
Houve partes que me pareceram por demais familiares, como se esta obra de Saramago existisse em todas as coisas.
Classificação: 3***/*