terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

#108 TIAVÉA, Tuiavii, O Papalagui


Sinopse: Obra incluída no Plano Nacional de Leitura (LER+)

"Papalagui é um humilde contributo a respeito da natureza humana e da busca da felicidade que continua a tocar milhões de pessoas em todo o mundo.

Este livro resulta de uma coletânea de textos escritos por Tuiavii, chefe da tribo samoana de Tiavéa, e dados a conhecer ao ocidente em 1920 por Erich Scheurmann, que com ele conviveu naquela ilha do Pacífico Sul.
Escrito de uma forma simples e honesta – fruto de uma capacidade de observação sem igual–, oferece‐nos um relato impressionante e sincero a respeito da civilização ocidental.
Depois de uma visita à Europa, Tuiavii regressa à sua ilha natal e escreve vários discursos com a finalidade de dar a conhecer ao seu povo os usos e costumes da sociedade ocidental.

Pleno de verdade e com salpicos de humor, Tuiavii descreve ao seu povo a vida dos Papalagui (os ocidentais), narrando os seus hábitos, sensibilidades e maneiras de pensar, obstinados com a necessidade de possuir riqueza e bens materiais, cheios de ilusões e arrogância perante a natureza, mas carentes de afectos, sabedoria e verdadeira felicidade.
Oferece-nos uma visão cheia de amor e sabedoria que nos mostra como o dinheiro, o egoísmo, a produção e o consumo maciços de bens de que não necessitamos nos levaram ao individualismo, à falta de tempo e ao esgotamento dos recursos da Terra."


Opinião: Quem primeiramente me falou deste livro foi a minha professora de Psicologia do secundário. Considerei a temática interessante e fiz uma nota mental para um dia ler. O "dia" foram as horas perdidas no aeroporto no voo Lisboa-Madrid e vice-versa, quase oito anos depois. Como a sinopse indica, o conteúdo da obra são os relatos do chefe da tribo samoana de Tiavéa a respeito do que observou na Europa. Pelos seus escritos, que datam de 1914-15, subentendemos que missionários cristãos chegaram à ilha e introduziram a tribo aos hábitos europeus. Um dos pontos chave era a religião, e tentaram afastar os tribais do culto à natureza e ao Grande Espírito, empurrando-os para o "nosso" Deus de amor e penitência. A evidente inteligência e sentido crítico do chefe levam-no a compreender que o Papalagui/homem branco não segue os ensinamentos que prega, e por esse motivo começa a questionar o seu modo de vida. Tira algumas conclusões que servem para analisarmos o nosso estilo de vida e a vivência em sociedade, mas sobretudo que me puseram a pensar sobre o afastamento da natureza e sobre a montanha de apetrechos com que nos cobrimos. O chefe lamenta que nos fechemos em caixas de cimento mal arejadas, que o verdadeiro deus que louvamos seja o dinheiro e que tenhamos a "doença do pensamento". Que não baste admirar a montanha mas tenhamos que querer ver além da mesma. Que percamos tempo a medir o tempo. Que usemos caixas para guardar caixas e bolsas e bolsinhas. Que inventemos coisas de que, na realidade, pouca precisão temos.
Gostei sobretudo da conclusão, em que o chefe pede aos da sua tribo que virem as costas à escuridão, à insatisfação e às mentiras do homem branco, que prega amor, irmandade, cooperação. Informa-os de que, na realidade, o depôr das armas a que convenceu este povo é uma mera manobra de se aproximar e de os influenciar porque, na realidade, o Papalagui está armado até aos dentes a destruir o seu irmão Europa fora (I Guerra Mundial).
É o testemunho e um apelo de um líder que identifica as ameaças da sociedade ocidental, os seus vícios e fraquezas, e que suplica ao seu povo para que este dê valor à simplicidade com que vive; sem sobressaltos de maior, em plena harmonia e cumplicidade. 

«O Papalagui quer sempre chegar depressa ao destino das suas viagens. A maioria das suas máquinas tem o único propósito de transportar pessoas rapidamente; mas logo que chega ao fim do caminho quer de imediato enveredar por outro. E assim o Papalagui apressa-se pela vida sem descanso, perdendo cada vez mais a capacidade de caminhar ou correr, e sempre sem alcançar o seu destino; o destino que vem ter connosco sem que o procuremos».

Classificação: 4****

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

#107 QUINN, Julia, A Grande Revelação

Opinião: A Grande Revelação era, pelo menos por mim, o livro mais esperado da série Bridgerton. Afinal, é a história da discreta Penelope e do seu amor de sempre, o Colin. Não gosto de fazer exposições de opinião a revelar a história toda, mas tenho de revelar uns pontinhos desta.
O mais importante é saberem que o nome do livro se deve ao desmascarar de Lady Whistledown, que é, de facto, alguém bastante inesperado. Mesmo eu, que já havia lido o livro em Inglês, já me tinha esquecido de quem era a infame aristocrata.
Neste livro o Colin regressa de outra das suas viagens e está com trinta e três anos. Não é pragmático como o irmão mais velho, Anthony, nem um tolo romântico como o outro irmão, Benedict, mas também não anseia (nem sente repulsa) por casar-se. Sente apenas que ainda não encontrou a mulher ideal e, de repente, Penelope revela-se. Isto porque, aos vinte e seis, a jovem perdeu qualquer esperança de se casar e finalmente começa a dizer o que lhe passa pela cabeça, tornou-se independente e dona do seu próprio nariz.
É neste contexto que os dois se aproximam como amigos e que entendem que, apesar de ele sempre a ter visto como a grande amiga da sua irmã mais nova, e ela sempre o ter tido como o homem ideal, o príncipe dos seus sonhos, há muito que desconhecem sobre o ombro. Vão-se tornando mais nítidos aos olhos do outro, vão entendendo que ninguém é perfeito. Tudo regado a muitas risadas, mas também pontuado por momentos de reflexão e dilemas pertinentes. A Quinn não aposta em casais tolos que discutem por tudo e por nada, e é isso que gosto nos livros dela. É o “eu amo-te, mas neste momento não gosto de ti nem concordo contigo”.
Enfim, foi uma leitura prazerosa, despachei-o desde ontem à noite (li 299 páginas de seguida, eu, que não lia nada na íntegra desde Outubro, e mesmo aí devo admitir que pulei algumas páginas de conversa fiada) e a hora em que cheguei a casa hoje.


Gostei muito e fiquei na dúvida se a série encerra aqui ou prossegue com as histórias da Eloise, da Francesca e da Hyacinth, bem como do Gregory. Pelo que vejo no Goodreads, foram os menos populares.

Não consigo atribuir 5* ao livro porque, apesar de ser o meu favorito da série, apesar de terno e de ambas as personagens principais, bem como quase todas as secundárias também, serem excepcionalmente bem criadas, falta qualquer coisa. Qualquer coisa que a Sherry Thomas consegue com naturalidade - um certo desalento de alma, sentido de sobrevivência, luta pelo que se quer. A Lisa Kleypas também trabalha muito bem a química dos seus casais, falo sobretudo do Simon e da Anabelle (1º livro) e se me ponho a falar no St. Vincent e na Evangeline nunca mais me calo (3º llivro)...!

Sinopse: O coração de Penelope Featherington sofre por Colin Bridgerton há... não pode ser!?? ...mais de dez anos? Sim, essa é a triste verdade. Dez anos de uma vida enfadonha, animada apenas por devaneios apaixonados. Dez ingénuos anos em que julga conhecer Colin na perfeição. Mal ela sabe que ele é muito (mesmo muito) mais do que aparenta... Cansado de ser visto como um mulherengo fútil, irritado por ver o seu nome surgir constantemente na coluna de mexericos de Lady Whistledown, Colin regressa a Londres após uma temporada no estrangeiro decidido a mudar as coisas. Mas a realidade (ou melhor, Penelope) vai surpreendê- lo... e de que maneira! Intimidado e atraído, Colin vai ter de perceber se ela é a sua maior ameaça ou o seu final feliz. ps: este livro contém a chave do segredo mais bem guardado da sociedade londrina.

CLASSIFICAÇÃO: 4****

domingo, 2 de fevereiro de 2014

O Elogio do Bom - Máfia das Pizzas

Quando se carrega um sonho durante muito tempo, há que ter em conta duas coisas; a primeira é que é impossível concretizá-lo sem que todo o universo se alinhe nesse sentido, disposto a criar as circunstâncias ideais. A segunda é que, num sonho, geralmente atribuímos contornos difíceis de alcançar àquilo que almejamos. Mas ontem, sentando-me com quatro amigos no Máfia das Pizzas na Rua Cândido dos Reis, em Cacilhas, soube que estava a tomar parte no bonito sonho de alguém. Todos os que chegam (e que fazem fila para entrar, se não tiverem reservado mesa) vêm e, sem querer, tornam-se parte desse mesmo sonho.

A Câmara de Almada há muito que queria reabilitar esta zona, junto ao terminal dos Cacilheiros, e como resultado, agora que o fez, esta zona pedonal, embelezada pela tradicional calçada portuguesa, é uma "espécie de Bairro Alto" na Margem Sul. Há diversas ofertas de restauração e outros entretenimentos, mas o Máfia das Pizzas parece ser detentor de grande parte do movimento da rua, pelo menos no Sábado à noite em que o visitei.

O espaço é algo de arrebatador. Combina bom gosto, criatividade e uma notinha de história, visto que o edifício data do séc. XVII e ainda exibe arcadas e um poço dessa época. No verão, os convivas sentam-se na esplanada em originais "mesas barril". O tom "vinho" intercalado com o branco, no interior, cria um ambiente simultâneamente caseiro e requintado. As paredes exibem uma instalação de caixas de bom vinho com os mesmos em exibição.
Cada recanto denuncia o cuidado com que foi pensado. O winebar/vinoteca também é detendor de uma ambiente a colhedor e especial, ideal para a degustação dos vinhos de qualidade disponíveis no catálogo.

De salientar também a cozinha aberta, que não guarda segredos se não os de uma família de cozinheiros de mão cheia. No meu caso, e porque somos família, vi mais do que alguém a aplicar as receitas que lhe chegaram de Roma na confeccção de pizzas, e mais do que um primo a valer-se de todos os seus dotes culinários para a preparação de uma excelente pasta. Vi profissionais empenhados em partilhar a sua paixão com os apaixonados da boa comida.

A comida, porque foi sobretudo isso que nos reuniu nesse serão, é o grande motivo pelo qual escrevo este "artigo". A fama do primo que faz excelentes pizzas - receitas romanas - já corria na família. A fama do primo cuja pasta é de perder a cabeça, também era há muito comentada entre nós. Eu nunca havia provado as suas confecções, mas sabia que a mãe dos primos faz umas sobremesas de chorar por mais, e parece até que a esposa de um dos primos se empenhou na tarefa de elevar um tiramissù a um pedacinho de perdição. O menu está disponível na página de facebook do restaurante, e poderão verificar que os preços são acessíveis e adequados à qualidade da comida e do serviço.

Para mim pedi um spaghetti com gambas, que depois vim a saber que é a assinatura da casa. A meu lado o meu irmão saboreou um spaghetti com legumes, os meus amigos provaram a pizza Alentejana e a pizza Rústica, e a minha amiga não resistiu à promessa de um bom spaghetti carbonara. Tudo regado a lambrusco. Ao ouvido, a tia orgulhosa dos filhos empreendedores sussurrava-me que os ingredientes são todos frescos, como me foi evidente pela qualidade do meu prato, ali não se trabalha com nada congelado. O doce da casa, que aconselhou para sobremesa, é receita sua. O café equilibra o chocolate; é divinal.


Têm serviço de take-away e continuam empenhados em desenvolver novas receitas de sucesso - quem sabe lasanhas? - para garantirem também a variedade da oferta.

Posto isto, e sendo evidente que a minha dieta pós-natalícia ficou assim comprometida - pelos melhores motivos possíveis - sugiro a todos um giro por esta zona. Saboreiem estas pizzas de massa fina, familiares, cozinhadas com amor e cozidas em forno de lenha, e deliciem-se com as pastas pecaminosas.

Não duvidem de que serão bem recebidos; mas não se esqueçam de reservar mesa!

MÁFIA DAS PIZZAS
RUA CÂNDIDO DOS REIS, 81 E 85
2800-270, CACILHAS
ALMADA
00351 212 740 774 - para reservas

*Algumas das fotografias foram recolhidas no facebook do restaurante, outras são da minha autoria na noite em que lá estive a jantar.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Em Parte Incerta - Introdução à opinião

Este livro está a confundir-me imenso. Estou num ponto em que nem sei dizer se estou a gostar ou não. Lê-se com grande facilidade, mas não é bem uma degustação, nem um sorver de páginas. É mais “eh, é tão levezinho que desce bem”. É estranho, como se estivesse perante algo que não é muito coeso. Pressinto mais mudanças ainda. Vou tentar explicar de modo a não revelar demasiado:
No dia em que o Nick e a Amy comemoram o seu 5º aniversário de casados, ela desaparece de casa. A sinopse afirma-o, é verdade. Em seguida ele parece suspeito pelo seu desaparecimento (até aqui é apenas uma “leve nuvem de suspeita”). A irmã vai ajudá-lo (até à página 157 ainda não parou de fazer piadolas no bar, mal apareceu).
O livro é um bocado inquietante. O enredo parece realista, contudo são as personagens que se apresentam deslocadas. Estamos dentro da cabeça de Nick e ele não parece desesperado por não saber do paradeiro da mulher. Pensa em mil e uma coisas mas não é assombrado por aquilo que me assombra desde que o meu gato desapareceu. Onde está? O que aconteceu? Estará vivo? Estará morto? A autora vai acalmando esta ânsia do leitor - então mas este homem não quer saber da mulher? - dando a entender que o Nick ainda está atordoado. A irmã avisa-o que devia fazer uma cara mais “preocupada”, mais “desolada”, mas ele diz que ainda não interiorizou bem as coisas. Eu acho que este homem não ama esta mulher. É algo que me entedia nos romances contemporâneos. Pelo quer que seja que se esteja a dissertar, há sempre intervalos para se falar do trânsito, das grandes urbes, das manchas de tomate nos cortinados, da má qualidade dos motéis, dos telemóveis desligados em momentos cruciais.
Quanto à Amy, identifico-me com ela. Ela luta por silenciar a mulher que há em si. Tenta não aborrecer o marido, deixá-lo em paz, não o questionar demasiado. Aceita e respeita a maneria de ele ser, perdoa-lhe os silêncios a respeito de assuntos importantes e as noitadas de bebedeira. Diz que não quer ser uma dessas mulheres que fazem barulheira e amestram os maridos. Esforça-se demasiado e acaba por se deixar perder sempre. Mas esta mulher guarda segredos, sim. Há algo nela que grita por libertação. Vejamos o que vem a seguir.
É a linguagem um tanto ou quanto infantil que me aborrece. O modo como o suposto mistério se intercala com a vida de classe média alta que este casal viveu em Nova Iorque, e a vida bem mais recatada que adoptaram no Missouri. Entendo a Amy, que perdeu as rédeas da sua existência. Vê-se arrastada para uma vida que não é bem a que tinha imaginado, e fá-lo por amor. Mais do que por amor, ela guarda a imagem da relação perfeita dos pais na ideia, e até aqui não fez nada que destabilizasse a harmonia do seu casamento. Submete-se ao que for preciso, e isso trá-la amarga e insatisfeita.
Agora é ver a que é que esse estado leva porque, entretanto, só me pergunto o que é que esta mulher linda, rica e inteligente está a fazer com este idiota egoísta que é o Nick.

domingo, 19 de janeiro de 2014

Aquisições e Leituras para 2014

Porque, em 2014, ainda não nada de jeito e estou a dar em maluca, obrigo-me a estas coisas.

No primeiro trimeste do ano passado, cheguei a comprar 9 livros num mês (não estou certa de estar a falar apenas da Feira do Livro). Como tal, tenho as prateleiras cheias de livros que nunca tive tempo de ler. De vez em quando recordo-me doutro livro que tenho e ignorava a sua existência. Vou prometer que leio os seguintes livros este ano:


A Rapariga que Roubava Livros: vi o filme e fiquei maravilhada. Como resultado, estou só à espera do final do mês para me atirar à leitura desta obra. Estou certa de que será algo de maior.

Sinopse: Esta história decorre num pequeno subúrbio de Munique, em 1939, durante a Segunda Guerra Mundial. Vive-se um dia a dia difícil, e os bombardeamentos são cada vez mais frequentes. Mesmo assim ainda há quem não tenha perdido a capacidade de sonhar. A Morte, a narradora omnipresente, cansada de recolher almas, observa com compaixão e fascínio a estranha natureza dos humanos. Através do seu olhar intemporal, seguimos a história de Liesel, dos seus pais e de todos os seus amigos e vizinhos, incluindo Max que um dia veio viver na cave da casa da menina que roubava livros. Adquirido.



Doutor Jivago: Ora vá lá, Célia. Lembra-te que o adquiriste de lágrimas nos olhos na happy hour da Feira do Livro de 2013, que o PVP é de 29,90€ e que te custou metade desse valor. Já que o querias tanto, o mínimo que podes fazer é abri-lo e lê-lo!
Sinopse: A grande saga épica e maravilhosa da Rússia da primeira metade do século XX, atra-vés da história de Iuri Jivago, que o cinema também imortalizou. Edição comemorativa do cinquentenário da obra-prima de Boris Pasternak e da atribuição do Prémio Nobel da Literatura ao seu autor. Pela primeira vez traduzido directamente do russo por António Pescada. Adquirido




Tatiana and Alexander: O que se diz é que o livro sai em Abril. Anteriormente estava previsto sair em Setembro de 2013. Concluo que as editoras não gostam de ganhar dinheiro. Esta trilogia, enorme e não propriamente barata, poderia morrer na praia com tanto adiamento. Estive tentada a comprar o livro no bookdepository umas quantas vezes. Por muito tentador que seja, tendo adquirido o primeiro, vou aguardar pelos próximos. Também disseram que haveria um filme a sair sobre esta trilogia. Espero bem que sim, porque foi a melhor história de amor que li desde E Tudo o Vento Levou e O Monte dos Vendavais. A adquirir.



Drácula: Agora veremos em que edição. Esta obra de Bram Stoker pode ser adquirida numa edição da Europa-América (normal e de bolso), e é isso. Pronto. Centenas de livros com vampiragem na capa, de autores nacionais e internacionais, séries, filmes e sagas, e é isto. Do autêntico, só duas edições que nem devem muito à estética. Rezava para que saísse uma nova, tenebrosa q.b., para que eu pudesse finalmente ser tentada a lê-lo. Vá lá, editoras... Deixem-se de décimas edições da Anna Karenina e invistam neste. Tenho a edição em inglês da Penguin, mas não me aventuro. A adquirir



Maria Antonieta: Há muitos autores a narrar a história da controversa rainha que perdeu o pescoço na guilhotina. Há até aquele filme da Sofia Coppola igualmente controverso. Parece que ainda não existe uma versão ideal sobre a vida desta rainha, visto que continuam a surgir novas. Peguei por este trabalho do século XX, da autoria do meu querido Stefan Zweig. Vou na página 233 de 416. O Zweig é tão minucioso e tão preciso que a leitura não é fluída, é sim carregada de informações históricas que obrigam a um processamento constante. É por isso que adio a conclusão desta leitura, que no final terá um balanço decerto prazeroso. Adquirido



O Menino de Cabul: Tenho prestado atenção aos trabalhos que vão saindo da autoria de Khaled Hosseini, e pretendo estrear-me com este livro (no Goodreads está classificado com 4,20 em 1,058,186 leitores). Há também o filme, do mesmo realizador de À Procura da Terra do Nunca, mas ainda não vi. Lamento apenas a capa, porque transparece um pouco a ideia de livro de auto-ajuda. Se não fosse pelos leitores do Goodreads, nunca teria prestado atenção a esta obra que promete ser um conto moderno de amizade e resistência. A adquirir



Se me for recordando de outros vou acrescentando.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Sobre as personagens d'A Filha do Barão

Uma vez que já vos falei das premissas gerais do livro, falo agora das personagens, que são tantas e tão desafiantes. Sem revelar demasiado, apresento-vos:

Mariana (14 anos no início do livro): não se dá com facilidade, confia no pai e no pai somente. Não entende a frieza da mãe e não consegue esforçar-se para ser o que D. Sofia espera de si. Encontra conforto na maternalidade da velha ama, Nuna. Descobre no Douro um refúgio onde, longe dos olhares de censura da Lisboa aristocrática onde cresceu, pode finalmente correr e viver uma infância desde sempre reprimida.

Daniel: filho de um escriturário da Cornualha, tem um verdadeiro dom no que toca a multiplicar fundos. Despreza a aristocracia e é um homem do povo. Testemunha o modo de ser português com um misto de estranheza e fascínio. Quer investir no vinho do Porto e é nesse contexto que se torna amigo de D. João.

D. João: Detém o título de Barão devido a um favor secreto que o seu avô terá prestado a Sua Majestade Fidelíssima. Com o declínio da nobreza, obrigou-se a prestar atenção aos tempos. Investiu no negócio de mobiliário e viajou várias vezes até à Índia. Dando-se conta de que a peste cinzenta lhe corrói os pulmões, pede ao seu melhor amigo que cuide da sua única filha, Mariana, e da sua esposa, D. Sofia.

D. Sofia: Deixa Lisboa contrariada. Perdeu o afecto do marido para uma criança que considera mimada e desadequada. Está determinada em tomar as rédeas do novo lar, vingando-se da sua má sorte nas criadas e em Mariana, sempre que pode.

Além deste núcleo principal, ainda temos:

Nuna: Velha ama de D. Sofia, cuida de Mariana com carinho mas não poupa nas reprimendas.

Artur: Velho caseiro do Lodeiro, no Douro. Tem um jeito engraçado (indecifrável) de falar e é inoportuno. Tudo o que lhe vem à cabeça é dito.

Isabel: Portuense, viúva, foi amante de Daniel e gozou da sua protecção contra o tio abusivo. Vê-lo partir para cumprir a sua promessa a D. João significa perder o seu grande amor e voltar para o domínio doentio do tio.

Gustave: Francês, foi posto a combater por Napoleão. Desdenha do exército francês e das suas tiranias. Marcha com Aleksander (Olek), um polaco que é obrigado a arriscar a vida pelas ambições Napoleónicas. É ao decidirem desertar que as suas vidas entram em rota de colisão com as dos habitantes do Lodeiro.

E ainda, entre os serventes:
Zé, Jaime, José, Moisés, Tristão, Joaquim, Aida, Gracinda, Maria e Miriam. 
Os familiares:  
Manuel e Eugénia, Ada e Elizabeth. 
Os amigos/conhecidos: 
O Governador do Porto, o irmão do Governador (Henrique), Duarte,  Conde de Peniche, Condessa de Peniche e o seu séquito de filhos, o Professor Jardim, a prostituta Emília, os monges de Arraiais e o Bispo do Porto, Anthony St. Clair e outros membros da Feitoria Inglesa no Porto.

Não esquecer algumas figuras históricas que fazem pequenas aparições:
Junot, Domingos Sequeira, Napoleão, Vieira Portuense, Wellesley, Cradock, Soult.



Por isso, se calhar, manter um bloquinho conforme se for lendo. Especialmente entre os criados é difícil seguir o rasto a tantas intervenções. Bem me custou criá-los, moldá-los, dar-lhes alma própria.

Espero que os amem/odeiem.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

9# A Rapariga que Roubava Livros



Título oficial: The Book Thief @ 2013

Realizador: Brian Percival
Banda Sonora:  John Williams
Actores principais: Sophie Nélisse, Geoffrey Rush, Emily Watson
Classificação IMDb: 7,7
Minha classificação: 9


Et voilà! Talvez seja este o segredo para se gostar realmente de um filme. Nada de expectativas. Já ouvi falar imenso do livro, está inserido no PNL e já o folheei algumas vezes na livraria, contudo o preço (PVP 22,21€) desmotivou-me. Além disso, por muito que a estética da Segunda Guerra Mundial (e a temática, e os pormenores sórdidos) me interessem, como boa amante de História, dou-me agora conta de que fujo de livros a esse respeito. Se pensar nisso, li um “Noivas de Guerra”, numa Itália que desistiu da aliança com os Alemães e se vê ocupada pelos Britânicos num clima de “light romance”, e “O Grande Amor da Minha Vida” (que tristeza de título, sobretudo se comparado à grandiosidade da história que encerra e ao título original, “The Bronze Horseman”, passado numa Leninegrado cercada pelos Alemães. Fugi da Anne Frank e doutros clássicos em torno dos horrores desse conflito. E fugi também deste livro, mesmo porque a capa não me parecia apelativa.
Sendo a actriz principal deste filme (12 anos) lindíssima, não consigo tirar os olhos desta nova capa, e certamente que vou adquirir o livro. Estou ansiosa por lê-lo. Para começar, a Morte é o narrador da história. Imaginem as atrocidades deliciosas – tocantes, angustiantes – que esta morte complacente diz. Por muito que a banda sonora do John Williams tenha ajudado, foi óbvio, desde a primeira cena do filme, que vinha aí um filme com uma narrativa fortíssima. Daquelas que recordam os livros que tanto nos impressionaram por terem sido os primeiros, ou por terem sido lidos quando éramos demasiado pequenos para os compreender. E, conforme a história avançava, e a humanidade se expandia, a beleza se adensava, por diversas vezes senti que estava perante algo de maior. Algo de grandioso e de inesquecível. Há muito tempo que não me via perante uma história assim. A II Grande Guerra é sempre um tópico que, decerto, mexe com o imaginário e a sensibilidade de qualquer criador de arte. Escritores e cinematógrafos entre estes, e é por demais tentador criar algo novo – sem que seja realmente novo – a seu respeito. Mas este livro é novo. Esta Liesel (Sophie), adoptada devido às simpatias comunistas da sua mãe, num contexto em que o cerco doentio dos nazis se fecha, é inesquecível. Este Hans (Geoffrey), cujo coração “é mais leve do que o de uma criança”, a sua relação com esta esposa, Rosa (Emily), que de viver uma existência tão dura parece tão amarga e depois, mesmo perante situações dolorosas, desabrocha para uma bondade inesperada, são inesquecíveis. O Rudy, cujo “cabelo ficará para sempre da cor dos limões”, é o melhor amigo que qualquer menina arisca gostaria de ter, e o Max é aquela pessoa que surge na nossa vida para que nos desafiemos, a cada dia. Para que nos obriguemos a ser mais e a nos posicionarmos, mesmo em tempos em que uma palavra ou um silêncio determinam a diferença entre o sobreviver ou o estar-se condenado.

A ternura que se desprende destas pessoas, que pouco mais têm do que umas às outras e às promessas que têm de cumprir, recorda-nos da força do amor como verdadeira pólvora numa guerra, actuando como matéria de união, coragem e sacrifício. O certo e o errado vistos por outro prisma, os pequenos gestos como algo de decisivo e perpétuo, capaz de mudar vidas, de findar existências. E não esquecer o papel, a doçura, dos livros como cura para os corações quebrados e as almas inquietas.
Em Fevereiro vou adquirir o livro para voltar a Heaven’s Street. Já começo a sentir saudades destas pessoas tão tridimensionais.