sábado, 28 de março de 2015

#129 ANTOLOGIA, RECEITAS FANTÁSTICAS

Pão do Caminho - Mogu-Mogu Chan - 1,5

A referência a Tolkien salvou-o... esperava originalidade e encontrei apenas uma receita com smiles pelo meio :(

Biscoitos da Vida Eterna - Carina Portugal - 5
É isto que um conto deve ter: o poder de nos causar emoção! Ri-me com diversas partes e fiquei siderada com a imaginação da autora, que vai do grotesco ao humor adorável (ainda assim negro) com uma mestria invejável. Adorei.

Estufado de Miolos - Ana Ferreira - 4
Embora não tão elaborado quanto "Biscoitos da Vida", gostei muito, sobretudo da conclusão, e ri-me bastante. O facto de ser uma receita para zombies pareceu-me bem original.

Túbaros de Troll Estufados - Sara Farinha - 4,5
Igualmente divertida, gostei muito da receita e do elemento fantástico envolvido. Também foi engraçado ler a respeito das propriedades nutricionais da iguaria.

Bolo de Chocolate - Carlos Silva - 4,5
Adorei a ideia de se subscrever uma máquina que faz tudo por nós, que têm aplicações infindáveis, um serviço Premium para panelas! Foi muito divertido, como toda a antologia

#128 ANTOLOGIA - 7 VIRTUDES


3,75


Corpo, Alma e Coração - Carina Portugal - 4
Como li há pouco o "Gula", pareceu-me que de certo modo os dois se relacionam. O que acho mais rico na Carina é o vocabulário, que é a grande jóia da narrativa, e o imaginário, que apesar de narrar o mesmo tipo de auto-consumo do outro conto, contém laivos de originalidade e beleza.



O Que Não Cura, Satisfaz - Ana Ferreira - 3
Faltou uma revisão. Mais parágrafos seria bom, sobretudo na primeira parte. Gostei do conceito, embora não tenha entendido se o contexto (véu, jejum, preceitos) é inventado. O mais aproximado que cheguei em termos culturais foi ao islamismo... O modo como termina parece-me um tanto abrupto. Penso que seria melhor fechar o conto atrás da paciente ao deixar o consultório.



O Paciente é o Mais Forte - Pedro Pereira - 3,5
Pequenos desacordos de número, alguma influência do Senhor dos Anéis, ou talvez de GOT. Excesso de advérbios de modo. Final um tanto abrupto, gostei da ideia mas achei-a simplista (o que, de certo modo, joga com a essência do conto).



Castidade - Sara Farinha - 3,5
Conto pequeno, com pontuação por vezes em falta, onde "decadência" surge demasiadas vezes. Luxo e opulência marcam a 2ª parte do setting, que considerei exagerada em termos descritivos. A primeira parte é muito interessante, bem como o contexto do voto. Terminou de forma abrupta, reli várias vezes as frases sem entender. No geral dava um bom livro de fantasia.



Diligência - Carlos Silva - 4,5
Má articulação de algumas frases, mas um vocabulário interessante. Gostei muito do modo como o autor conduziu a mensagem. "Último folgo" será fôlego? Adorei o nome, Semião e, apesar de não chegar a ser descrito, o setting que o mesmo sugere cativou-me. Gostei.



O Documento - Ana Ferreira - 3,8
Desacordo de género e falta de parágrafos. Ai ai, Ana! Bons diálogos, gostei do antagonismo escritor/editora e da relação de ambos. Não estou certa de ter visto "fantasia" no conto, mas não me importo. A autora poderia ter continuado para uma história maior... só tem de se preocupar menos com o chocolate quente e os chás!



O Protótipo - Pedro Cipriano - 4
A ideia (e a própria conclusão) é tão semelhante à de "Nada e Tudo" que me recordei de imediato do autor. Acabei por apreciar os trejeitos técnicos, significa que sabe do que fala. E gosto do modo como conduz a alma humana, que acaba por deixar ir... Se tiver algum livro publicado, penso que gostaria de lê-lo em busca deste espírito com o qual, de certo modo, me identifico.

#127 ANTOLOGIA - 7 PECADOS

2,97



Gula - Carina Portugal - 4,5
Nunca tinha lido nada da Carina, foi a primeira vez. Gostei muito da linguagem, limpa e não demasiado floreada. Achei o imaginário admirável, um simples "capítulo" que faz sentido por si só e que, ainda assim, poderia fazer parte de algo maior.



Um Conto Acerca do Orgulho - Liliana Novais - 1,5
A pontuação surge mal colocada (vírgulas onde deveria estar dois pontos; sujeito e acção apartados), sucede o típico erro em que o condicional "poderia" surge como imperfeito "podia". "Planos do palácio" suspeito que seja "planta do palácio". Os diálogos pecam por construções como "Eu vim roubar" quando bastaria "Vim roubar". Muitos lugares-comuns, pouco original.



Ira - Pedro Pereira - 1,5
"Altos arranha-céus"/"Alguns dias atrás". Tempo verbal oscila do presente para o pretérito perfeito, deixando o leitor deslocado. Má colocação de vírgulas. "Alienígena" é a palavra de ordem. Pouco original e mal executado.



Luxúria - Sara Farinha - 2,5
Achei original na medida em que o final foi imprevisto. Porém, todo o resto são lugares-comuns, decotes generosos, sapatos de salto agulha, lábios vermelhos, homem musculoso e carro desportivo. O próprio cenário é do mais banal: um clube nocturno e uma dança sensual. Este "pecado" poderia ter rendido muito mais...



Nada e Tudo - Pedro Cipriano - 3,8
Tinha-me esquecido de cotar este conto, mas depois de ler "Generosidade", noutra antologia, recordei-me de imediato do estilo (e imaginário) do autor. Achei muito técnico, não é fácil seguir números. Achei o conceito interessante: o de alguém se apoderar de um bem na totalidade, causando o seu desgaste e fazendo com que deixe de ter qualquer importância para os outros, que aprendem a virar-se sem ele.



Preguiça - Carlos Silva - 4
Ainda estou a tentar entender quem é que, no discurso directo, diz "eu fui ter com Maria". Não falta ali um "a"? A meio do texto passou a haver artigo antes de Roberto. Porém gostei da inspiração, achei as descrições gráficas e muito interessantes. Com uma pequena correcção da construção frásica e seria muito bom. Acabou cedo demais!(Deve cortar nos advérbios de modo).



Desejos - Vítor Frazão - 3
Vírgulas sistematicamente mal aplicadas. Acho que a última frase encerra mal o pequeno conto. Senti que já tinha visto aquele final, mas o início poderia dar azo a um conto popular, fez-me sorrir e lembrar-me das historietas da terra da avó.


domingo, 22 de março de 2015

#126 APOLLINAIRE, Guillaume, As Onze Mil Vergas


Opinião: Classificado de romance “erótico” pontuado de humor, obscenidade e até erudição, é referenciado como “uma obra-prima”, por Pablo Picasso. De referir que Apollinaire e Picasso deveriam ser grandes amigos, posto que juntos levaram a cabo o roubo da Mona Lisa, em 1911. Apollinaire foi preso pelo suposto roubo. Estes pormenores da vida do autor são interessantes, mas nada nos prepara para o livro que intitulou de “As onze mil vergas”.
Por muito dúbio que o título seja, diria com grande segurança que estas “vergas” não são as óbvias, mas sim as que aplicam “vergastadas”.
O livro, de 1907, narra a história do príncipe romeno Mony Vibescu que, por questões pessoais, deixa Bucareste e viaja para Paris. A carta de despedida que dirige ao vice-cônsul com quem se encontrava amiúde ajuda a explicar esse ensejo por sair da Roménia:
Meu caro Bandi:
Estou farto de ser enrabado por ti. Estou farto das mulheres de Bucareste (…)
Por esta altura estamos na página 13 do livro e já nos deparámos com duas orgias. É assim que se desenrola o livro, todos os acontecimentos entre uma orgia e outra são meros preparativos para a próxima. Sexo em grupo é o que mais vemos no livro. As personagens só servem para se enrolar e trazer um amigo para o próximo encontro amoroso. Temos Cuculina e Alexina Come-Tudo, parisienses que se hão-de cruzar com as personagens noutras paragens. As duas amantes admitem o príncipe e o seu fiel escudeiro, Corno de Boi, na sua alcova. Há a prostituta japonesa, a polaca esposa de um general, a pobre alemã que está a amamentar, o cossaco, e tantos outros personagens que surgem em rol para se envolverem sexualmente com Mony e Corno de Boi, alguns deles vendo-se assassinados no final do interlúdio amoroso.
A sinopse do livro avisa os mais púdicos e os de estômago sensível: há orgias, masoquismo, sadismo, escatofilia (fui ver ao google o que era) e necrofilia. Esqueceram-se de mencionar zoofilia e pedofilia, mas num livro destes, em que as chibatadas se seguem na alvura das nádegas das francesas, e em que se continua a investir sobre o corpo da mulher já expirada, não era necessário mencionar-se que todos os limites seriam ultrapassados.
Duvido que, em toda a minha vida, venha a ler algo mais nojento do que isto. Mas a verdade é que, depois de tanta perversão e envolvimento doentio, por se tornar repetitivo, o livro deixa de chocar. Nem quando um pai viola o filho, ou outro pai viola a filha de quatro meses, nem quando a mãe amamenta o príncipe em vez da filha… Já tudo esperamos e já nada nos contorce o estômago, após as reviravoltas iniciais. Não fui ter com o livro, não é de todo o meu género. Caiu-me no colo e dei-lhe uma oportunidade, mesmo porque era pequeno e tão deslocado de tudo que tive de lê-lo.
Por vezes me perguntei se o livro era uma obra humorística, porque tanto absurdo só poderia resvalar para uma de duas coisas: humor ou tremenda incapacidade de expressão. Sucede que, nas últimas trinta páginas, o autor me surpreendeu um pouco. Não devido a mais cenas de promiscuidade, mas sim devido ao modo como a história (atenção: só é "história" no contexto deste livro, tão estéril) se alinha. As onze mil vergas abatem-se sobre o lombo do príncipe, que não cumpriu a promessa de fornicar vinte vezes seguidas. Depois de tanta crueldade, é Vibescu a vítima do sadismo de outrem, e o exército Japonês, em plena guerra com os Russos, põe assim fim a um livro que, de tão nojento e agoniante, me soltou francas risadas.
Não é para qualquer um, e não é livro em que jamais volte a pegar. Porém, nunca me conseguirei esquecer deste pedaço de loucura literária.

Sinopse: Guillaume Apollinaire foi um dos maiores poetas modernos de língua francesa, um homem erudito e culto, presente em todos os movimentos de vanguarda até à morte, em Paris, no ano de 1918. O presente livro circulou durante muitos anos em edições clandestinas, mas acabou por encontrar um lugar, de corpo inteiro, na obra de Apollinaire. Ninguém deixará de reconhecer o seu espírito num livro tão monstruoso como ternamente erótico.
As Onze Mil Vergas conta a história de um príncipe romeno, Mony Vibescu, no seu périplo de depravação em busca de excitação e aventura que o leva de Bucareste a Paris, passando por vários países da Europa e culminando na China. As suas peregrinações são pontuadas por cenas notavelmente cruas, em que Apollinaire explora, com um humor invulgar, as facetas mais obscenas da sexualidade, do sadismo ao masoquismo, do vampirismo ao safismo, da gerontofilia à pederastia, do onanismo à sexualidade em grupo. Leitor de Sade, Restif de la Bretonne e Andrea de Nerciat, Apollinaire constrói com as suas Onze Mil Vergas a resposta do modernismo aos velhos mestres do erotismo, expandindo e detonando os limites da obscenidade muito para além do imaginável.
Classificação: 1,8/5

sexta-feira, 20 de março de 2015

#1940 - ESTORIL



Estoril, 1940
            Naquele tempo, a única coisa que as distraía dos viajantes que não cessavam de chegar eram os jantares multilinguísticos. Durante a tarde, vestiam-se com esmero, lavavam-se juntas e tacteavam ao longo das janelas sobre a baía sempre que ouviam a buzina de um carro. Através dos vidros viam o porteiro a precipitar-se para o veículo e a recolher as malas que o motorista lhe passava com um aceno de bom dia e uma cordialidade tácitos. Depois as senhoras surgiam: eram os maridos quem lhes abria a porta e lhes estendiam a mão para que pisassem o Estoril. Estudavam o ambiente em redor, açambarcando nos olhos celestes o casino, a praia, os veraneantes. Levantavam os queixos delicados, afastavam os cabelos claros e abraçavam o hotel com o olhar. O Plaza Estoril, cuja fachada conheciam de tanto manusear os postais.
Da janela, Carlota e Mercedes acenavam-lhes sem serem vistas. Depois, ao aviso da mamã, desapareciam para o andar térreo e iam posicionar-se no átrio de pavimento marmóreo, logo atrás do recepcionista, a fim de lhes aspirarem o perfume de estrangeiras.
            Não demorou muito para que as duas irmãs aprendessem a cumprimentar os hóspedes nas suas línguas maternas. Eram fluentes em português e castelhano, filhas de pai madrileno e mãe guardense. O irmão mais velho estudara alemão no liceu e ensinara-lhes a lógica matemática da gramática germânica. Quanto às restantes línguas, conseguiam sempre desviar Annie Abbot das revistas de moda que subscrevia, ou o velho Étienne Claudel dos seus periódicos e das cartas que tanto manejava.
            Os jantares que a mãe dava na sua suite pessoal eram o ex-libris de uma fiada de dias sempre iguais, que começavam por acompanhar Sebastiana à lota de Cascais, pelo paredão, e que terminavam com os coquetéis no terraço do hotel, com o sol a tingir-lhes os rostos de dourado. Carlota já fizera dezanove anos, pelo que fora autorizada pelo pai a beber um cálice de xerez, diluído numa pedra de gelo, a fim de acompanhar os convivas nesses saraus. Mercedes bebia limonada, fingindo, apenas para si, que se atordoava de champanhe.
            Quando o pai dava o dia por encerrado e se juntava aos comensais, por norma o sol já se pusera. As filhas eram instigadas pela mãe a ir cumprimentá-lo com um beijo no rosto. Carlota ria-se do seu bigode aguçado, mas Mercedes, que se sentia intimidada por aquela presença severa, não se atrevia a rir. Emílio, o irmão, acenava ao pai, como se do encontro de dois diplomatas se tratasse. Aquela formalidade entre os dois homens da família Muñoz enternecia a mãe, que continha o riso, quase perdendo os ares de senhora distinta.
            Foi assim que, ao longo do verão de 1940, as recepções se foram sucedendo sob a supervisão cada vez mais exigente da mamã e a carranca do papá, que a cada novo hóspede aferrolhava mais o cenho, como se a prosperidade do hotel fosse um percalço no panorama dos seus investimentos.

quinta-feira, 19 de março de 2015

#125 JARDIM, Pedro, O Monstro de Monsanto


Sinopse: Uma rapariga encontrada morta na floresta de Monsanto. Um delicado vestido azul a cobrir o corpo. O cabelo cuidadosamente penteado. Uma máscara de papel branco com um poema de Florbela Espanca sobre o rosto. É este o cenário que Isabel Lage, inspetora da Brigada de Homicídios da Polícia Judiciária, encontra no local do crime. A primeira vítima de um serial killer que não deixa pistas, que habilmente se move pela floresta e que parece conhecer todos os passos da polícia. Isabel está apostada em resolver este mistério e fazer justiça em nome das mulheres que morrem às mãos de um assassino frio e calculista. Mas todas as pistas levam a João, o seu antigo companheiro de patrulha, e com quem partilhou mais do que aventuras profissionais. Pedro Jardim, chefe de polícia com experiência em investigação criminal, traz-nos no seu romance de estreia um thriller empolgante e arrebatador que nos prende até à última página. Pode haver um monstro em qualquer um de nós...

Opinião:   Interessei-me pelo livro sobretudo pelo trabalho gráfico da capa e pelo título português. Imaginar um monstro no nosso Monsanto, um mistério a ser resolvido à maneira portuguesa, foram isco suficiente para decidir que queria este livro. Já o tinha na mão quando começaram as polémicas. Confesso que só depois de “encomendar” o livro me dispus a ler as reviews, e fiquei de pé atrás. Os leitores do Goodreads ajudam-me, através das suas opiniões, a escolher onde investir o meu dinheiro e o meu tempo. Pus-me a ler o livro de imediato assim que me chegou, e de facto entendi a que se referem as pessoas a quem esta obra não cativou.
Os meus apontamentos aquando da leitura incluem:
- Incongruências a nível da escrita, ora brejeiro, ora numa tentativa esforçada de ascender a um nível literário superior. Esta dicotomia não funciona;
- O personagem masculino principal soa a bronco, ora utiliza terminologia lisboeta ora se sai com expressões alentejanas que não caem nada bem naquele linguajar, de rolas a mitras, parece-me tudo pouco homogéneo e pouco natural;
- No centro da acção, surgem pensamentos filosóficos que em nada se enquadram no momento, além das gralhas e dos tempos verbais desfasados;
- Às vezes parece que a personagem principal se mescla com o autor e tenta explicar, de um modo um tanto atabalhoado, o mundo da polícia, explicados por floreados;
- As frases, por vezes, surgem mal articuladas, o que me sugere que a editora deveria ter tido mais cuidado com a correcção do livro, não foi cuidada o suficiente;
- Clichés como “bons da fita” e “maus da fita” sucedem-se sobretudo na primeira parte da narrativa;
- Estereótipos surgem e enfraquecem a narrativa, sejam de cariz sexual, “homens”, “mulheres”, e também ter uma Psiquiatra e um paciente a referirem-se aos utentes dessa especialidade como “malucos” soa-me redutor e ofensivo;
- A dado momento, posto que o livro é narrado na primeira pessoa, as incoesões atropelam-se. Que uma pessoa se considere um monstro, ou uma feiticeira, muito bem. Que não o confesse a ninguém, okay. Mas que os outros, sem ouvirem essa confissão, também se lhes dirijam como “monstro” e “feiticeira”, é impensável.
- Três das personagens têm personalidades duplas, o que é altamente improvável e demonstra pouca versatilidade por parte do personagem. O livro torna-se repetitivo.
A escrita não é má, o autor tem bons rasgos de expressão. Mas o problema e sobretudo no modo como conduz o romance, não nos dando a chance de tentar adivinhar quem é o suspeito, reduzindo as personagens a loucos e vítimas de transtornos complicados de se lerem à luz da realidade.
Faltou realismo, suspense, mistério a este livro. Um terço dele foi desperdiçado na vida privada de dois polícias e sem grande crime a ser desenvolvido. As mortes que a sinopse enaltece surgem na página 115, quase a meio do livro, e sucedem-se apressadamente. Fala-se da primeira, da segunda, da terceira, etc. Explica-se um pouco dos procedimentos e entende-se que o autor é exímio nesses conhecimentos, mas precisa de trabalhar melhor o planeamento do livro, de modo a captar o leitor.
Este não me cativou, infelizmente.
  
Classificação: 2**/*****

domingo, 15 de março de 2015

#124 KLEYPAS, Lisa, Then Came You

Sinopse: Reckless and wild, beautiful Lily Lawson delights in shocking proper London society and in breaking any rule to flaunt her independence. Now she′s determined to rescue her sister from an undesirable marriage to the ruthless Alex Raiford, the arrogant Earl of Wolverton. She succeeds in rescuing her sister, but in the meantime Alex decides that Lily must be his. He has resolved to make her pay dearly for her interference—with her body, her soul... and her heart.
Opinião: Gostei muito do livro, sobretudo porque foi muito diferente de todos os outros do género. Para começar, a Lily já teve um affair e tem uma filha. Passa todo o livro a tentar recuperá-la. O facto de se apaixonar pelo Raiford é só um contratempo que acaba por ser útil. Mas claro que há incongruências: a família rejeitou-a pela sua conduta escandalosa e, no entanto, quando ela os procura para acabar com o noivado combinado da irmã, todos reagem com a maior naturalidade. São personagens secundárias sem grande alma. O desenvolvimento do romance é muito interessante, sobretudo porque no início eles odeiam-se de facto. Não é aquela tensão sexual preparatória de uma história de amor atribulada. Era realmente um confronto aberto e bem fundamentado. Claro que o Raiford é maravilhoso, protector, ciumento, cheio de método, charme e influência. Em dez páginas resolve tudo o que ela enrolou durante quatro anos. Nalguns momentos, a independência atabalhoada da Lily levou-me a sentir que a Kleypas está a diminuir as mulheres, posto que o Raiford é peça chave para salvar o dia. Ele é o típico estereótipo do perfeito homem do século XIX, e ela é o exemplo de tudo aquilo que uma mulher não deveria ser. Mas gostei do livro. Gostei do modo como o amor deles nasce devagar, sem se anunciar, e quando dão por isso, já não conseguem desligar-se daquela outra pessoa.
Li em inglês, pelo que pude focar-me na escrita pura da autora, nomeadamente no número de vezes que "wryly" surge. Ainda tenho de ir ao dicionário ver o que é isto...
Se o publicarem em Português, lá vou eu comprá-lo e lê-lo. A fórmula nunca falha...
Classificação: 4,5****/*