Ainda só estamos a 12 de Maio, mas não creio que vá adquirir mais livros este mês, apesar das promoções mirabolantes da FNAC, Continente e etc...
Então cá vai:
O Vermelho e o Negro;
A Quinta dos Animais;
Toda a Luz Que Não Podemos Ver;
A Bela e o Vilão.
É um mês pobrezinho em quantidade, mas com três grandes obras e uma "passa-tempo" que quem me dera conseguir despachar em 30 dias... Nem todos saíram da carteira, alguns saíram da língua... (eheh, das aulas de Inglês!).
Porém, ando a ler o Livro de Crónicas de António Lobo Antunes, e a pescar preciosidades como:
- Encontrámo-nos no pó.
E por isso não consigo dedicar, para já, tempo aos outros.
Em breve quero insistir na mestria do Gabriel García Marquez ("o coração tem mais quartos que uma casa de putas").
Se fosse uma mulher rica (ou tivesse comprado menos uma mala este mês), seriam estes a tentar-me:
Cem Anos de Solidão;
O Amor Nos Tempos de Cólera;
Contos Completos;
A Coisa à Volta do Teu Pescoço;
O Lobo das Estepes.
Célia's quotes
"«On ne voit bien qu'avec le coeur, l'essentiel c'est invisible pour les yeux»"— Antoine de Saint-Exupéry
terça-feira, 12 de maio de 2015
quarta-feira, 6 de maio de 2015
terça-feira, 14 de abril de 2015
#131, MÁRQUEZ, Gabriel García, O Amor nos Tempos de Cólera
Sinopse: O Amor nos Tempos de Cólera constitui na obra de Gabriel García Márquez um marco equiparável ao do célebre Cem Anos de Solidão, considerado até hoje, a sua obra-prima. «O Amor nos Tempos de Cólera é um romance (...) onde se fundem o fulgor imagístico, o difícil triunfo do amor, as aventuras e desventuras da própria felicidade humana (...) Ao longo dum flash-back de quatrocentas páginas vertiginosas, compostas numa espécie de pauta estilística e musical, da qual não estão sequer ausentes o humor, a poesia e a vertigem das imagens (...) o leitor recupera o ritmo enca
ntatório duma escrita que não tem conhecido imitadores à altura.
Opinião: Em
1985, quando publicou “O Amor Nos Tempos de Cólera”, Gabriel García Márquez
tinha 58 anos. Diria mesmo que é uma idade ainda precoce para uma obra tão
madura quanto a que terminei agora de ler. Como sempre se disse que “Cem Anos
de Solidão” era o ex-libris da obra do escritor colombiano falecido a 17 de
Abril 2014 (faz depois de amanhã um ano), comecei por lê-lo nesse registo. Mas
as repetições dos nomes familiares, os amores e desamores surrealistas de uma
mesma família ao longo de várias gerações enevoaram-me. Terá sido há, talvez,
cinco anos. Talvez vinte anos não seja idade suficiente para se compreender a
grandeza de um escritor com este nível de profundidade.
“O Amor nos Tempos de Cólera” é, sim, um livro de amor. Um livro
sobre um amor maior, daqueles que tudo esperam e tudo suportam. Por vezes é
angustiante ver como os anos engolem as personagens principais, Fermina Daza - a
“Deusa Coroada” -, Florentino Ariza, que aos 20 anos já parecia velho, e o Dr.
Juvenal Urbino, pragmático e metódico em cada gesto. Faz-nos pensar acerca da
vida e das suas coincidências e tragédias, como a de um homem que, tão jovem,
se deixa enlevar por uma menina-mulher, e o que torna esse amor tão grande que
o obriga a levar uma meia-vida, uma vida sempre vivida na expectativa de um dia
vir a ganhar o afecto de Fermina. Que fez Fermina Daza para o encantar deste
modo? Ela nunca se esforçou por conquistar-lhe as graças, nem por mantê-las.
Pelo contrário, é teimosa, por vezes um tanto rude, e não é decerto alguém
acessível ou com quem dê gosto falar. É uma mulher difícil, de mais acção do
que palavra, que se deixa iludir por um amor que se lhe apresenta proibido e,
dando azo à casmurrice que a caracteriza, compromete Florentino para a vida.
Quando se dá conta de que o que sentia era uma mera ilusão de jovem, já
Florentino vive somente para ela, e por ela gere toda a sua vida, a ela dedica
todas as suas lágrimas, e nela deposita a sua única esperança de felicidade
numa vida que está condenada à banalidade.
A
beleza do livro consiste, claro está, na mestria com que o Nobel colombiano
dirige a passagem do tempo, as perspectivas dos três personagens principais, o
modo como os sentidos se conjugam para criar imagens vívidas do afável Urbino, do
reservado Florentino, da volúvel Fermina. A narrativa crua do autor, que não
recai em floreados mas sim num poder de descrição que só pode ser descrito como
um “dom”, atribui uma beleza quase negra ao romance. Tudo nele tem um lado belo
e um lado oculto. A vida que se vive de prazeres fugazes porque a felicidade
total nos está vedada. A vida enganosa de quem teimou em seguir pela estrada
tal, e que só se dá conta de que o faz por teimosia, e por nada mais, quando é
demasiado tarde. O retrato da sociedade da época, das viúvas-alegres às
carpideiras, as ruas da cidade dos vice-reis, os vícios e virtudes dos humanos,
todos os estratos sociais tão bem ilustrados, caídos nas mesmas fraquezas, rastejantes
nos mesmos receios… - a morte, a velhice, o desamor.
Histórias
de amor há muitas, mas o imaginário de García Márquez é um só e presenteou-nos
com esta obra singular: um amor diferente de todos, sofrido, calejado,
cimentado ao longo de mais de cinquenta anos, mas concretizado, como todos os
amores que realmente o são.
Um
livro cujas páginas, mais tarde, quererei, com certeza, revisitar. Quem nunca
leu um livro assim – que vejo um tanto aproximado, de facto, de um Saramago ou
de uma Isabel Allende, pelo modo como as pessoas vivem em diversas dimensões (a
realidade, o passado, o futuro projectado, a superstição e o sonho) – não pode,
tão-pouco, imaginar a complexidade desapiedada de uma obra assim.
Classificação: 5/5*****
sexta-feira, 10 de abril de 2015
#Mal me quer, bem me quer...
A magia dos perfumes levou-me a abrir o meu blogue a esse assunto, também.
O que diz um perfume sobre a mulher?
Eu sempre fui fã de um só cheiro para cada mulher.
Na realidade, tenho dois...
Coco Mademoiselle (Chanel) para o inverno;
Amor Amor (Cacharel) para o verão.
Estou apostada em comprar um novo, então fui desenterrar as minhas memórias olfativas na hora da escolha...
Opções:
Daisy (Marc Jacobs)
O que diz um perfume sobre a mulher?
Eu sempre fui fã de um só cheiro para cada mulher.
Na realidade, tenho dois...
Coco Mademoiselle (Chanel) para o inverno;
Amor Amor (Cacharel) para o verão.
Estou apostada em comprar um novo, então fui desenterrar as minhas memórias olfativas na hora da escolha...
Opções:
Downtown (Calvin Klein)
Tem algo de jovial, urbano e independente. E a Rooney Mara ajudou-me a ter interesse em cheirá-lo. Foi amor à primeira cheiradela...
Cabeça
pêra, ameixa, bergamota, neroli, limão
Corpo
pimenta rosa, gardénia, folhas de violeta
Base
vetiver, olíbano, almíscar, cedrus
Daisy (Marc Jacobs)
Este perfume marcou a minha ida para a Alemanha e o primeiro perfume que comprei para mim. Fui buscar o Amor e Amor e saí, em Hamburgo, com uma amostra deste maravilhoso Daisy do Marc Jacobs. Intenso e feminino...
Cabeça
toranja, violeta, morango
Corpo
notas florais, gardénia
Base
madeira, baunilha, almíscar
Trèsor In Love
Ah pois é, este é que eu queria! Mas é caríssimo. Parece-me que os perfumes franceses são bem mais caros que os italianos e britânicos, mas também lhes dão 10 a 0... Tem a dose certa de doçura e irreverência com que me identifico num aroma...
Cabeça
pêra, bergamota, pimenta, pêssego careca
Corpo
violeta, jasmim, rosa, pêssego
Base
almíscar, cedrus
E vocês? Têm um perfume para ocasião? Ou há um eleito para todos os momentos?
quarta-feira, 8 de abril de 2015
#130 CALDWELL, Erskine, A Estrada do Tabaco
Sinopse: O humor de Caldwell, como o de Mark Twain, tem como fonte a imaginação que agita as emoções do leitor. Durante a Grande Depressão americana, a família Lester não sabe como
sobreviver à miséria que se avizinha. Residem e gerem os territórios
rurais da Geórgia, cultivados com tabaco e algodão, mas já nem isso os
salva. Debilitados pela pobreza ao ponto de atingirem um estado de
ignorância e egoísmo cruel, os Lesters preocupam-se com a fome, os
apetites sexuais que os devoram e o medo de que a hierarquia social os
empurre para uma camada ainda mais desfavorecida.
A pobreza, o racismo e a bestialidade dos homens são aqui postas a nu,
despindo a sociedade americana dos anos 20 com crueza e violência, numa
tragicomédia de mestre. A Estrada do Tabaco é um dos grandes clássicos
americanos de Erskine Caldwell.
Opinião: Foi a capa que, uma vez mais, me levou até este
livro. Quando o recebi em mãos entendi que esta pequena obra de 200 páginas
seria devorada com rapidez. Sucede que cada livro é uma caixinha de surpresas,
e este não foi excepção... A psiquiatria, nascida na Alemanha, deu o braço a
várias teorias de eriçar os pêlos no século XIX. Durante a Grande Depressão
(que começou em Out 1929 na América), essa ciência relativamente recente
avaliada as capacidades das pessoas, a sua utilidade social. A "Eugenia",
corrente da qual o próprio autor seria aficcionado, defende a esterilização
involuntária daqueles que a Sociedade considere não aptos a reproduzirem-se.
Persone non grate. Enfim... O certo é que "A Estrada do Tabaco" é um
desfile de algumas das personagens mais abomináveis que jamais li. Scarlett
O'Hara era oportunista e fútil, mas também sensata e persistente. Cathy
Earnshaw é igualmente fútil, vaidosa, demasiado dramática, mas ama Heathcliff.
Que dizer dos Lester? Ignorantes, interesseiros, preguiçosos, oportunistas...
Sempre à espera que "deus" venha salvá-los e o dinheiro chova do
céu... A Grande Depressão é retratada, neste romance, a partir do núcleo de
Lesters que vivem à beira da estrada do tabaco. Jeeter, o pai, Ada, a mãe, a
avó Lester, Ellie May que tem uma fenda no lábio, de nascença, e Dude, um mal
educado de 16 anos, desobediente e obtuso. Jeeter está
"aferroado" ao terreno onde nasceu na Georgia, "the old
south", apenas setenta anos após o Norte industrial ocupar o sul
algodoeiro e libertar os negros. É preguiçoso e vive de procrastinação: amanhá
será sempre o dia em que irá pedir uma mula emprestada, revolver o solo e
arranjar quem lhe conceda crédito para comprar sementes. A sociedade americana vivia de crédito:
mesmo morto de fome Jeeter nunca pondera ir trabalhar para as fábricas, onde se
diz que poderia ganhar até 25 dólares por semana, sendo que 2 bastariam para
alimentar a família durante esse mesmo período. Nada tem, por nada luta. Apenas
se lamuria e culpabiliza terceiros (ou o próprio carro, por não poder levá-lo a Augusta) da situação de miséria
extrema em que se encontra. Tanto ele quanto o filho acham que os ricos
deveriam abrir mão da sua riqueza para melhor a distribuir por quem nada tem.
Ou, ao menos, conceder-lhes crédito. Desconfiam dos ricos, atribuem-lhes más qualidades, embora também se deixem deslumbrar pelas suas vidas e as invejem. A Irmã Bessie é uma hipócrita ignorante de 39
anos que almeja casar-se com Dude (isso mesmo, o rapazinho de 16 anos). Esta
personagem sem nariz, de fé cega num deus evangélico que muito lhe convém, foi
o exemplo de como a religião, sob o signo do medo e a promessa de conforto e
alívio, afasta os homens da Verdade. As situações que se seguem são bizarras,
retrato de uma família sem qualquer luz de conhecimento, cheios de preguiça e
sonhos irrealizáveis que alimentam como pretexto para se manterem quietos. O
esbanjar do que não se tem, a má gestão, mau cálculo, o despojar-se dos filhos
e da avó porque em última instância são meras bocas para alimentar... A lei que
existe mas não é cumprida...
O absurdo do livro estarreceu-me. Fala-se em
humor negro mas não consigo discerni-lo nestas páginas, porque sei que houve e
que há pessoas assim. Aconselho vivamente, ao contrário da glorificação
da humanidade em horas de aperto, o autor leva-nos ao grotesco da ausência de
quaisquer princípios por imposição da fome.
Classificação: 4,5****/5
sábado, 28 de março de 2015
#129 ANTOLOGIA, RECEITAS FANTÁSTICAS
Pão do Caminho - Mogu-Mogu Chan - 1,5
A referência a Tolkien salvou-o... esperava originalidade e encontrei apenas uma receita com smiles pelo meio :(
Biscoitos da Vida Eterna - Carina Portugal - 5
É isto que um conto deve ter: o poder de nos causar emoção! Ri-me com diversas partes e fiquei siderada com a imaginação da autora, que vai do grotesco ao humor adorável (ainda assim negro) com uma mestria invejável. Adorei.
Estufado de Miolos - Ana Ferreira - 4
Embora não tão elaborado quanto "Biscoitos da Vida", gostei muito, sobretudo da conclusão, e ri-me bastante. O facto de ser uma receita para zombies pareceu-me bem original.
Túbaros de Troll Estufados - Sara Farinha - 4,5
Igualmente divertida, gostei muito da receita e do elemento fantástico envolvido. Também foi engraçado ler a respeito das propriedades nutricionais da iguaria.
Bolo de Chocolate - Carlos Silva - 4,5
Adorei a ideia de se subscrever uma máquina que faz tudo por nós, que têm aplicações infindáveis, um serviço Premium para panelas! Foi muito divertido, como toda a antologia
#128 ANTOLOGIA - 7 VIRTUDES

3,75
Corpo, Alma e Coração - Carina Portugal - 4
Como li há pouco o "Gula", pareceu-me que de certo modo os dois se relacionam. O que acho mais rico na Carina é o vocabulário, que é a grande jóia da narrativa, e o imaginário, que apesar de narrar o mesmo tipo de auto-consumo do outro conto, contém laivos de originalidade e beleza.
O Que Não Cura, Satisfaz - Ana Ferreira - 3
Faltou uma revisão. Mais parágrafos seria bom, sobretudo na primeira parte. Gostei do conceito, embora não tenha entendido se o contexto (véu, jejum, preceitos) é inventado. O mais aproximado que cheguei em termos culturais foi ao islamismo... O modo como termina parece-me um tanto abrupto. Penso que seria melhor fechar o conto atrás da paciente ao deixar o consultório.
O Paciente é o Mais Forte - Pedro Pereira - 3,5
Pequenos desacordos de número, alguma influência do Senhor dos Anéis, ou talvez de GOT. Excesso de advérbios de modo. Final um tanto abrupto, gostei da ideia mas achei-a simplista (o que, de certo modo, joga com a essência do conto).
Castidade - Sara Farinha - 3,5
Conto pequeno, com pontuação por vezes em falta, onde "decadência" surge demasiadas vezes. Luxo e opulência marcam a 2ª parte do setting, que considerei exagerada em termos descritivos. A primeira parte é muito interessante, bem como o contexto do voto. Terminou de forma abrupta, reli várias vezes as frases sem entender. No geral dava um bom livro de fantasia.
Diligência - Carlos Silva - 4,5
Má articulação de algumas frases, mas um vocabulário interessante. Gostei muito do modo como o autor conduziu a mensagem. "Último folgo" será fôlego? Adorei o nome, Semião e, apesar de não chegar a ser descrito, o setting que o mesmo sugere cativou-me. Gostei.
O Documento - Ana Ferreira - 3,8
Desacordo de género e falta de parágrafos. Ai ai, Ana! Bons diálogos, gostei do antagonismo escritor/editora e da relação de ambos. Não estou certa de ter visto "fantasia" no conto, mas não me importo. A autora poderia ter continuado para uma história maior... só tem de se preocupar menos com o chocolate quente e os chás!
O Protótipo - Pedro Cipriano - 4
A ideia (e a própria conclusão) é tão semelhante à de "Nada e Tudo" que me recordei de imediato do autor. Acabei por apreciar os trejeitos técnicos, significa que sabe do que fala. E gosto do modo como conduz a alma humana, que acaba por deixar ir... Se tiver algum livro publicado, penso que gostaria de lê-lo em busca deste espírito com o qual, de certo modo, me identifico.
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