Críticas e Entrevistas


Opiniões d' “O Funeral da Nossa Mãe”
1 - Cátia Correia

Num espaço de poucos meses fiquei completamente rendida à escrita da Célia, menina simpática que conheci através da paixão dos livros que temos em comum, foi ela que me apresentou a sua primeira obra escrita – Demência, a qual li demasiado depressa e que quando acabou eu queria saber mais sobre aquelas vidas. Isto aconteceu em Agosto, a partir dai fiquei expectante pela chegada do novo livro da Célia, previsto para Outubro, e já cá canta, recebi-o na semana passado e logo passou para a minha prioridade de leitura, pois sabia que o que ai vinha seria de certeza muito bom e não me enganei. Fiquei mesmo muito fã da história de Demência, portanto pensei logo que este novo romance não o suplantaria, mas abri o livro, respirei-o e entreguei-me a ele e foi meu companheiro durante 3 dias em que o li num ápice e com muita avidez. E agora no final percebo que gostei tanto, senão mais deste Funeral como do Demência, por isso, honestamente não me atrevo a escolher um deles como preferido, prefiro os dois, aconselho os dois e vou guardar os dois religiosamente na prateleira dos livros preferidos. O que mais me comove na escrita da Célia, é que ao ler estas suas histórias, elas me parecem tão familiares, tão humanas, tão possíveis de se tornarem reais.. as personagens, essas, tenho a certeza que as conheço, estão algures em alguém que sei quem é, são tias, ou amigas da famílias, são vizinhas da avó ou residentes na aldeia que tão bem conheço. É esse sentimento extraordinário que a Célia consegue imprimir no papel através da sua escrita, é uma vontade enorme de virar a página e querer saber mais, como quando ligamos a tv para mais um episódio de uma série muito boa, quando termino os livros dela, queria tb ligar a tv ou abrir outro livro para saber mais, saber como continua, se ficam felizes, se concretizam objetivos, se amam ou sofrem, riem ou choram. Neste livro somos levados a visitar uma família, tão característica portuguesa, conhecemos as manas Luísa, Cecília e Inês, que infelizmente apenas se unem para concretizar um ultimo pedido de vida da mãe delas, e assim se juntam no funeral de sua mãe. Mas não quero alongar-me nem resumir a história, porque essa têm mesmo de a ler! O que vos quero passar é que ao ler este livro (tal como o outro), conseguimos ver o empedrado das calçadas da vila, sentir o cheiro de alfazema (adorei a escolha desta planta), ouvir a música popular e os grilos cantarem de madrugada. Sentimos o calor de uma noite de Junho alentejana, sem sombra de brisa alguma, e sentimos o fresco ao entrar na igreja. Ouvimos os degraus de madeira chiarem ao subir as escadas e conhecemos os sons das casas antigas, mas restauradas, é isto que quero dizer, que esta fantástica escritora, transmite-nos as melhores sensações que se podem obter com pequenos pormenores. E por isso, minha querida Célia, desejo-te o maior sucesso, e espero que os restantes leitores tenham gostado deste livro tanto ao mais que eu. Sou tua fã e espero MESMO sinceramente que já estejas a preparar mais um trabalho.


Opiniões do “Demência”

1 - Isabel Almeida
5/5

Blogue: “Os Livros nossos”


2 - Andreia Ferreira (autora de “Soberba Escuridão”)
5/5

Blogue: “D311nh4”


3 - Clarinda Cortes
5/5

Blogue: “Ler é Viver”


4 – Cristina
4+/5 (?)

Blogue: O tempo entre os meus livros


5 - Carla M. Soares (autora de “Alma Rebelde”)
5/5

Blogue: “Monster Blues”


Outras:

6 - Margarida Costa (via goodreads)
5/5

Acabei de ler o livro e estou absolutamente encantada!
Nunca pensei dar a minha opinião sobre um livro publicamente. Não sou crítica literária, sou apenas uma leitora que gosta de bons livros. Por norma apenas partilho a minha opinião com as pessoas mais chegadas e a quem gosto de “tentar” com as minhas leituras, para depois partilharmos pensamentos, sensações e até talvez criticas, mas nunca me atrevi a fazê-lo publicamente.
Este caso foi diferente! As emoções ao ler o livro foram tão intensas que senti que tinha de dizer alguma coisa.
Gosto muito de autores portugueses! Gosto de “estórias” sobre este nosso cantinho e tenho sempre curiosidade em conhecer os nossos novos autores.
Ao ler a sinopse fiquei conquistada. Talvez pelo facto de referir uma aldeia beirã e as minhas raízes virem de uma! Ou pelo tema ou talvez apenas curiosidade por ser uma autora tão jovem e portuguesa. Não sei, conquistou-me e não descansei enquanto não consegui o livro, o que aconteceu exactamente através da autora, com quem troquei alguns e-mail e cuja personalidade naquelas poucas palavras me fascinou. E não me enganei! Ela é fascinante.
Assim que comecei a ler o livro, confirmou-se uma boa escolha! É um livro com bastante ritmo, que nos prende desde a primeira frase e que se torna difícil de pousar. Uma história arrebatadora!
Os temas que escolheu são ambiciosos por dolorosos e difíceis, infelizmente reais mas a autora não teve medo de lhes pegar e trabalhou-os com uma maturidade que nos espanta numa pessoa tão jovem. Mostrou um conhecimento profundo do Mal e da alma humana e do Mundo, que gente bastante mais velha não possui.
A escrita é acessível e fluída, arrebatadora mas também profunda e nota-se que foi crescendo ao longo do livro. Gostei e tive dificuldades em “livrar-me” dele depois de lido, é tão intenso que permanece em nós mesmo depois de terminado, e talvez por isso sentisse necessidade de falar sobre ele, tinha de o “expulsar”.
No final da leitura fica a sensação que somos amigos, vizinhos ou simples conhecidos das personagens e que gostaríamos de continuar com elas, é difícil despedirmo-nos…
São personagens fortes com uma grande carga psicológica intensa, que ao longo do livro nos emocionam, nos revoltam, que nos fazem ter vontade de interferir, que nos fazem “torcer” por elas. Os “recadinhos” de Olímpia a ela própria são enternecedores, e fazem-nos pensar como deve ser desesperante não conseguir lembrar. Luz e Maria são as filhas que todos gostaríamos de ter, embora ache que pelo menos a Luz podia ter tido um papel mais relevante. A força e a coragem de Letícia impõem-se no decurso da trama e emocionam-nos ainda que por vezes nos revolte a falta de reacção perante o que pensam dela e não reaja perante tanta injustiça, mas é um romance e não a vida real.
As personagens masculinas principais, Sebastião e Gabriel, embora de gerações diferentes, são movidas pelos mesmos sentimentos: amizade, amor, e acima de tudo a necessidade de proteger as mulheres que de uma forma ou outra fazem e fizeram sempre parte da sua vida, são personagens muito ricas. Acho que o Sebastião podia ter sido um pouco mais explorado e ter tido um papel mais activo.
Não vou obviamente contar a história. Essa terá de ser uma experiência pessoal, mas digo: vale a pena. É uma história sobre o nosso tempo, mas é também intemporal. É uma história sobre sentimentos, emoções, lutas interiores, mas é também uma história sobre o nosso Portugal interior com grande riqueza de pormenores, com cor, com cheiros…
A Célia tem talento, na minha humilde opinião muito talento! Tenho a certeza que virá a ser um grande nome no panorama literário português. Leiam este “Demência” e compreenderão o que digo. Eu já o fiz e já espero ansiosamente o próximo livro.
Obrigada Célia. Continue sempre e sempre igual a si própria.
Parabéns.
(quase chorei, Margarida, obrigada!!!)
7 - Susana Cardoso (via goodreads)
3,5/5

Este é um livro de leitura bastante acessível. Que retrata temas muito actuais e que deveriam ser discutidos com mais frequência. Um livro com personagens envolventes e um ritmo constante e agradável. A Célia é uma escritora promissora, e sendo este o seu início de carreira, estou certa de que, se ela realmente optar pela escrita ao longo da vida, terá sucesso junto do público, principalmente feminino.
Toda a evolução temporal é bastante coerente. Não denotei nenhuma falha, e está em completa concordância com a realidade (21 de Dezembro de 1945 foi, de facto, uma Sexta-feira)
Outro ponto bastante positivo, pelo menos na minha opinião, é que o livro não foi escrito obedecendo ao Acordo Ortográfico de 1990. 
Na minha opinião, as duas histórias principais deste livro competem uma com a outra pela intensidade e, julgando pelo título do livro, pensei que se centrasse mais sobre uma delas. Tenho pena que assim não tenha sido. A autora decidiu conferir maior intensidade ao romance do que própriamente à doença mental, o que tenho a certeza cativará mais público.
Ao longo da leitura, apercebi-me de algumas falhas gramaticais, ou de escolhas de um ou outro vocábulo menos felizes, mas nada que o treino não resolva.
No geral, é um bom trabalho, mas com possibilidade de melhorar a nível técnico (uso de mais figuras de estilo, vocabulário mais abrangente). Uma excelente escolha para uma leitura de férias.
(Obrigada Susana, especialmente pelo trabalho de análise profunda à obra que me enviou por e-mail!)
Obrigada às duas e a todos os outros leitores :)
8 - Sofia Rodrigues (via e-mail e facebook)

Podia ser um livro qualquer como tantos outros. Mas este é especial. Soube-o assim que passei os olhos pela sinopse: Alzheimer. Para muitos esta palavra será igual, banal como tantas outras. Não para mim. Seria apenas o reflexo desfocado pelo tempo de uma realidade que me bateu à porta, mas em vez disso deixou marca profunda na minha memória. Hoje adulta, outrora uma criança, que viu a adorada bisavó a ficar estranha, confusa. Ou como diria a Célia, demente. Por que no fundo é disso mesmo que se trata, uma demência que sem pena nem pudor vai roubando a memória aos pedaços, deita fora peças de uma vida, esfuma aquilo que nos faz sentido. Dos muitos episódios estranhos a que assisti, os quais não importa nomear, refiro um. Aquele que até hoje me enche de lágrimas os olhos. Os mesmos olhos que imploraram por reconhecimento. No dia em que tu “avó” (como sempre te chamei) não me reconheceste. Querias ver a tua menina. Vieram todas as da aldeia… e não era nenhuma delas. Até que cheguei eu. Estava ali à tua frente e os teus olhos ignoraram-me com uma frieza atroz. Olhaste para um retrato meu (tirado três anos antes) e lá estava a tua menina. Não eu. Eu, e tantos outros, fomos apagados. Passei a ser uma intrusa. Mais uma estranha aos teus olhos. Doeu demais…
Mas enfim, esta opinião, crítica ou aquilo que lhe queiram chamar não é sobre mim. Quis apenas justificar parte do meu interesse pela história. Isto de sair da história para entrar nas partidas que a memória nos prega enquanto lemos, tem muito que se lhe diga!
O Demência, livro da Célia Correia Loreiro, não é sobre Alzheimer. Também não é sobre violência doméstica. Ou sequer sobre a luta de uma mulher para sobreviver às marcas impressas pelo passado e que o presente insiste em lhe relembrar a cada passada que dá. É, na minha opinião, a simbiose perfeita de tudo isso indo mesmo, diria, um pouco mais além. Numa amálgama de sentimentos, os olhos voam sobre as palavras da Célia. As páginas viram-se sozinhas e quando damos por isso já mergulhámos na história. Não queria desvendar demasiado o que se passa nestas 394 páginas, mas gostaria imenso de que, com as minhas palavras, outras pessoas sentissem curiosidade de as ler. É bom dar uma oportunidade a uma autora portuguesa que está ainda a dar os primeiros passos no mundo dos livros enquanto objecto impresso, mas que já é uma “veterana” neste jogo da palavra, na conjugação perfeita daquilo que são personagens, histórias e destinos.
A certa altura, admito, senti que a Olímpia foi um pouco deixada no esquecimento da história. Perguntei-me o que lhe estaria a acontecer enquanto a Letícia lhe roubava o protagonismo. Não é um reparo ou crítica negativa, mas apenas uma constatação. Com o decorrer da leitura percebi apenas que era o meu lado sentimentalista que se perguntava por ela.
Achei incríveis de tão realistas as descrições dos espaços, das mentalidades e costumes. Também eu cresci num aldeia como aquela que é palco deste livro. E é tal e qual. A integridade e humildade de uns são rapidamente abafadas pela mente fechada, costumes desgastados por um tempo injusto que já foi. Ou deveria ter ido e ainda permanece.
A Letícia é uma mulher fictícia com uma imensa força. Há muitas Letícias por aí. Vítimas da velha (mas sempre recorrente) história do lobo que vestia pele de cordeiro e quase lhe destruiu a vida. Quase. No fim de contas, isto é um romance!
Célia, confesso, que tenho evitado ler os últimos excertos que tens publicado. Li os primeiros e fiquei com uma terrível vontade de ler o teu próximo livro! Penso que já se percebeu que sou fã da forma como escreves. Expões a história ao sabor de um jogo de palavras, conceitos e sentimentos que simplesmente adoro.»
Obrigada também pela dedicatória. Palavras tão simples mas que marcam a diferença. Como vês, apaixonei-me pela história e mantenho contacto contigo!
Um grande beijinho;
Sofia»
  
9 - Ana Filipa Marques (via goodreads)
5/5

«O rating que atribuí ao livro não teve nada a ver com o facto de conhecer a escritora.
A história, por sua vez, teve a capacidade de me transportar para todo aquele mundo imaginário/real com o qual nos vamos deparando ao longo da mesma. A maneira como o percurso das diferentes personagens vai sendo traçado, o desespero destas, a angústia e o sofrimento com o qual nos cruzamos também nos sufoca a nós leitores.
É demasiado fácil criar uma relação de amor/amizade com as personagens. Desde o mais novo ao mais velhinho, passando pelo bom e pelo vilão, todas elas demonstram a sua subtileza, a sua compaixão, o motivo pelo qual agem de certa maneira perante determinado problema.
É extremamente importante que o leitor, enquanto ser humano capaz de compreender todo o mundo e todas as alternativas que tem ao seu dispor ao longo da vida, compreenda o porquê de Letícia ter tomado alguma decisões no passado que irão de encontro à história de vida de Olímpia, que sucumbirá num dos mais lamentáveis e incompreensíveis desfechos.
O bom na história é que ao lê-la é possível que captemos os cheiros daquela explêndida aldeia. No final irão ver que foi tão bom simpatizar com todas aquelas mulheres e aqueles homens. Foi tão bom compreender a Letícia e verter uma lágrima pela Olímpia. Melhor que tudo isto será descobrir, no final, que afinal valeu a pena...que tudo vale a pena. Que a vida é uma montanha russa na qual nos podemos perder e encontrar de novo.»

10 - Vanessa (de) Campos (via goodreads)
4/5

Sou uma leitora de 22 anos, razão pela qual (penso eu) este género literário não é o que mais me estimula. Daí a minha pontuação ser de 4 estrelas.
Em relação ao livro em si, abstraindo-me dos meus gostos literários, penso que é um livro que realmente nos transporta à pequena aldeia beirã, e que nos faz sentir um pouco do que as personagens vão sentido ao longo do livro, tanto física como emocionalmente. Também gostei particularmente das conclusões que se vão tirando ao longo do livro, e de como as personagens vão evoluindo neste campo, pois não mostram ser personagens estáticas, o que na minha opinião é bastante importante tanto na literatura como no cinema (a existência de um arco de personagem).
Sobre a autora do livro, com 22 anos apenas, demonstra realmente alguma maturidade emocional pouco característica desta idade. A forma como descreve situações tão delicadas e nos transporta para lá, pondo-nos mesmo na situação/perspectiva das personagens sem tomar um partido como único é espectacular e delicada, demonstrando um elevado grau de maturidade neste aspecto.
É um livro que aconselho a ler, especialmente a um público mais maduro que com certeza irá sentir o livro de forma mais intensa.
Vanessa de Campos.

11 - Mafalda Férias (via goodreads)
4,5 estrelas

Gostei muito deste livro!! Aliás adorei, uma óptima surpresa, por parte de uma autora portuguesa.
Eu não leio muita literatura portuguesa, esforço-me para ler, mas tirando alguns autores e alguns livros, todos as sinopses parecem-me sem interesse. Foi com bom agrado que li este livro da autora Célia Loureiro, esperemos que seja o primeiro de muitos.
Acho que a sinopse descreve vem a história do livro. A acção decorre numa aldeia, ou seja num ambiente rural, e eu adoro histórias que se passem em ambientes rurais! Não sei porquê mas acho as personagens mais humildes, mais realistas, mais humanas. Isto é um facto, não apenas nos livros mas no mundo real. Moro na cidade e quando vou para o campo, para a vila onde tenho a casa, é um mundo completamente diferente. 
E toda a essência do mundo rural está espelhado no livro. Os vizinhos que se entreajudam, os olhares de lado pelas pessoas da aldeias, os boatos, os problemas sociais e financeiros de uma escola,o preconceito das pessoas da aldeia com as novas habitantes (Letícia, Luz e Maria), o tratar dos animais...todos estes elementos foram importantes, para mim, na leitura porque não só são importantes para o contexto da história mas também transportam o leitor para a história do livro. Eu senti-me completamente absorvida pela história, parecia que era mais uma personagem, uma vizinha, por exemplo!
Por falar em personagens, posso dizer que no geral gostei bastante das personagens, mas claro que simpatizei bastante com as duas miúdas, a Maria e a Luz. A Letícia, gostei dela mas havia certas atitutes que não me cairam bem, mas eram compreensíveis devido a tudo o que ela sofreu. A Olímpia e o Sebastião foram duas personagens que gostei bastante, principalmente o Sebastião. Quanto ao Gabriel, sinceramente não consegui gostar dele a 100%.
Foi uma leitura rápida e bastante intensa, como disse parecia que eu também era uma personagem do livro e convivia com as personagens. Não me lembro de ter encontrado nenhum erro 
gramatical mas houve palavras que não me soaram bem. 
Não acho que seja uma história direccionada para um público mais adulto pelos temas que apresenta, como violência doméstica, a doença de Alzeihmer ou a maldade que as pessoas são capazes de cometer para defender naquilo que acreditam, pois todos os dias somos bombardeados com notícias dessas. É sim um livro maturo, bem escrito, que mostra um dos grandes defeitos dos portugueses que é intrometerem-se na vida dos outros, quando não têm o direito de o fazer. E que por melhores intenções as nossas acções tenham, há sempre alguém para nos julgar, mas também é uma leitura de esperança, onde há o acreditar que amanhã será um dia melhor.
Aconselho todos a lerem, pois a autora merece, e sinto-me orgulhosa por ter uma jovem portuguesa, com apenas 22 anos a escrever um livro com esta qualidade!

12 - Mafalda Araújo (via goodreads)
4/5

** spoiler alert ** Ora bem, esta é a primeira crítica que faço neste site e, portanto, a minha primeira crítica pública de um livro, vamos lá ver…
Começo por dizer que este não é de todo o tipo de livros que costumo ler, por isso estava com receio de não gostar da história. Felizmente não foi de todo o que aconteceu.
A primeira parte confesso que me custou um pouco a ler. Achei-a demasiado dramática e um tanto repetitiva. No entanto com o aparecimento de mais personagens, entre as quais o Sebastião (a minha personagem favorita e a quem eu gostava que lhe tivesse sido dado mais protagonismo), a história começa a ganhar forma e as páginas começam a “voar”. 
O livro tem partes mais pesadas e tristes, mas também partes mais cómicas, como por exemplo, quando a mãe do Gabriel lhe entra pelo quarto adentro, depois da Letícia ter passado lá a noite. Toda aquela conversa é ao mesmo tempo surreal e completamente real, porque realmente existem senhoras assim. Um dos meus momentos preferidos foi a maneira como a Olímpia perdoa a Letícia pelo que esta fez (e o que foi que ela fez? leiam o livro!!!). 
E digo, era bom a TVI apanhar este livro e transformá-lo numa telenovela. Seria (pelo menos para mim) a primeira vez em que uma telenovela deles teria de facto uma história interessante e com temas muito pouco explorados!!! Somos um país que parece bater sempre nas mesmas teclas quando ainda há tanta coisa para se falar. O tema da violência, apesar de haver sempre alguém, que conhece alguém que foi vitima de violência doméstica, raramente se fala disso, é sempre melhor falar de futebol... Fico no entanto com pena do livro não se ter focalizado mais na doença, dado que é um assunto que me interessa bastante. 
Não consegui perceber algumas características do carácter da Letícia, não que as pessoas tenham de fazer sentido (porque muitas vezes não fazem) mas acho que me impediu de simpatizar mais com ela. Ah, e uma coisa que me pareceu um bocado estranha foi ela ter entrado no carro com aquele senhor que a andava a ameaçar… Não me fez sentido…
Mas convém dizer que a autora, com apenas 22 anos, demonstra uma grande maturidade, dado que aborda temas muito complicados sem receio nenhum e consegue dar um retrato muito real de uma típica aldeia portuguesa e seus habitantes. 
Em relação à escrita, que é sem dúvida boa, saliento as descrições da aldeia, das casas, etc. Já li muitos livros em que a história era boa mas as descrições não nos transportavam verdadeiramente para os locais e para as situações. Devo também falar dos aspectos mais negativos, que foram algumas falhas gramaticais e o uso de palavras que pareciam não encaixar muito bem em certas frases.
Aconselho a leitura deste livro primeiro, porque devemos apoiar os nossos jovens escritores que de facto têm talento (e não dinheiro e "connections") e segundo, porque é uma boa história e também acessível. O problema é que podem haver alguns leitores que ponham o livro de parte por acharem que é leitura para “senhoras mais velhas”… Resta-me dizer a esses leitores: Deixem-se de coisas e APOIEM OS ESCRITORES PORTUGUESES e LEIAM O LIVRO!!!!!!! (Porque realmente vale a pena)

Entrevistas

1- Isabel Almeida,
Blogue: “Os Livros nossos”

«Sempre fiquei meio assombrada por ver o modo como o ambiente condiciona crenças, modos de vida, costumes, superstições, o próprio certo e o errado. Sempre lhes invejei a liberdade, também. Aquelas pessoas estão cingidas a um pequeno espaço, que assume assim a dimensão do mundo inteiro, e circulam nele como se circulava quase há séculos atrás.»
(http://oslivrosnossos.blogspot.pt/p/entrevistas.html)

2 - Sofia Teixeira
Blogue “Morrighan”

«Quais as tuas influências?
Nenhumas. De todas as vezes que quis aplicar «influências» nos meus enredos, desisti e apaguei tudo. Não sou a Isabel Allende nem a Joanne Harris, por muito que as admire. A cada vez que quis pôr um espectro a atravessar uma sala dei-me conta disso.»
(http://branmorrighan.blogspot.pt/2012/05/entrevista-celia-loureiro-escritora.html)
3 - Andreia Ferreira (autora de “Soberba Escuridão”),
Blogue: “D311nh4”

«De onde surgiu a ideia para esta história?
Não partiu de nenhuma experiência pessoal ou próxima de violência doméstica, mas talvez da minha veia feminista e de considerar um ultraje que os homens se prestem a esse papel de monstros. Creio que, embora actualmente também já existam homens vítimas do mesmo mal, sendo a mulher a vítima é pior ainda porque estamos perante uma situação em que a força dela é subjugada.»
(http://d311nh4.blogspot.pt/2012/02/entrevista-celia-loureiro-correia.html?spref=fb
4 - Cristina
Blogue: O tempo entre os meus livros

«Fala-nos do teu livro:
Quis que ambas as personagens fossem protagonistas de uma história de sobrevivência, que as suas essências coincidissem nesse ponto e fossem motivo de incompreensão mútua. Quis valer-me da ironia da vida, do destino, dos caminhos que parecem despregados e que se entrelaçam e fazem sentido em situações impensadas. Quis incluir um pouco do improvável neste enredo realista. Creio que os acontecimentos retratados são familiares a muitos portugueses.»
(http://otempoentreosmeuslivros.blogspot.pt/2012/01/ao-domingo-com-celia-correia-loureiro.html
5- Sara Baptista
Blogue: Espectacular’te










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