quarta-feira, 24 de maio de 2017

#MCNAUGHT, Judith, Lembras-te de mim?

Opinião: Amei este livro, sobretudo o tecido familiar da Diana Foster, a personagem principal, e a delicadeza das expectativas e das suas acções dentro desse círculo. Não me é fácil simpatizar com uma protagonista, mas isso geralmente acontece com a mesma é uma mistura de força e fragilidade. Também apreciei muito as partes em que a autora nos permitia ver vislumbres do passado da reservada Diana e do rapaz que ajudava o seu pai nas cavalariças enquanto estudava. Gostei do desenvolvimento da relação dos dois, foi ternurento e emotivo, sentia-se de facto o afecto a florescer entre eles, e a autora deu-lhe mais sal do que às habituais histórias em que os atributos físicos são rebobinados ao ponto da exaustão. Também me deixei envolver pelos segredos familiares, a mãe um tanto leviana, o pai meio desligado. É nesse contexto que Diana e Cole se aproximam, e, mesmo depois de anos separados, nunca esquecem a familiaridade que partilharam na juventude. É sempre bom ler sobre duas pessoas que calcorrearam as estações da sua vida com garra e determinação, e que no momento certo se reaproximam, cada um com nova bagagem e as com as suas conquistas e derrotas, e reatam algo que ficara por concretizar no passado.
Não costumo ler romances contemporâneos, contam-se pelos dedos os que li (A Montanha entre nós, Sozinhos na Ilha, Segredos do Passado, poucos mais). Mas este, realmente, valeu a pena. Cativou-me e devolveu-me a vontade de ler Judith Mcnaught.
Quando o bilionário Cole Harrison se aproxima dela com dois flûtes e uma garrafa de champanhe, Diana é apanhada de surpresa, pois reconhece nele o moço de cavalariça que desapareceu da sua vida vinte anos antes. E, fazendo jus à sua reputação de magnata, Cole tem uma proposta para ela: um casamento de conveniência, pois arrisca-se a perder uma fortuna se não se casar em breve. Diana dificilmente imaginaria nessa noite que iria reencontrar Cole, muito menos sucumbir ao esquema elaborado dele, para não falar no perigo de ceder a uma paixão avassaladora


Sinopse: É a contragosto que Diana Foster se encontra num extravagante baile de caridade, rodeada pela fina-flor do Texas. O noivo acabou de a deixar, trocando-a por uma herdeira italiana, e a jovem anseia apenas por um pouco de privacidade. Mas está em jogo a sua carreira e o bom nome da família. Como gestora da empresa familiar, Diana tem uma imagem a manter. E a fasquia não podia estar mais alta pois ela é editora da revista Beautiful Living, uma publicação de referência no que toca à tranquilidade doméstica.

Classificação: 5*****/5

Lido aprox.: Dez. 2016

terça-feira, 23 de maio de 2017

#182 MCNAUGHT, Judith, Um Reino de Sonho

Opinião: "Porque será que, quando te rendes, me sinto sempre como se fosse eu que tivesse sido conquistado?"


Foi a segunda vez que li este livro, mas não sabia quando o comprei que já o tinha tido nas mãos.
Jennifer é noviça numa abadia na Escócia, e portanto católica, membro de um clã e inimiga declarada dos ingleses. Royce é o braço direito do rei Henrique nos seus avanços bélicos contra a Escócia, difere em princípios, religião e patriotismo. Neste ponto dou valor à escritora por toda a pesquisa que evidentemente levou a cabo, e por todos os detalhes que nos fornece. Nada a dizer também a nível de contexto histórico (estamos em 1499), e dos contrastes entre a Escócia e a Inglaterra, uma sustentada por clãs temerários e orgulhosos, outra sustida pela ganância de nobres que enriquecem pilhando a outra e aumentando os domínios da sua coroa. É época de torneios, de agitação política, de catolicismo fervoroso enquanto Henrique ameaça virar as costas a Roma e fundar a sua própria religião, de fortificações, cercos, violações e pilhagens.
A minha embirrância começa logo com o nome da personagem principal: Jennifer. Uma rápida incursão na wikipédia diz que é a adaptação de Guinevere, adaptada na língua inglesa durante o sec. XX. História também é um bocadinho de intuição, e não consigo imaginar um diálogo entre a princesa Cátia e a duquesa, a senhora Soraia, enquanto as assiste a boa aia Jéssica, um doce de moça.
Só neste instante fui ver a origem do nome, mas faz-me espécie que não se tenha consultado uma lista de nomes tradicionais escoceses da época, de modo a chamar-lhe Heather, Fiona ou Arabella. Irrita-me que algumas pessoas fiquem agora com a impressão de que alguém se chamava Jennifer no sec. XV.
Depois, o livro começou mais ou menos bem, mas cedo se revelaram as intenções da autora: despejar todo e qualquer conflito possível para o meio do enredo. Então ele é raptos, ele é fugas, ele é conspirações, ele é traições, ele é drama, ele é mal-entendidos, ele é tudo. Se terminasse na página 300, com tudo um pouco melhor gerido, teria sido menos exasperante. Sobre cada duas páginas de felicidade amorosa, abatiam-se cinquenta de uma nova quezília. E, pior, aquela personagem feminina é de bradar aos céus. A autora não me convenceu de modo algum. A pessoa pode cortar com as convenções da sua época, mas só até certo ponto.
Não me importo quando os livros têm obstáculos, quando os problemas se sucedem, mas ao menos o coração das personagens principais tem de ser leal, tem de ser constante. Aqui dei por mim, muito cedo, a perguntar-me o que é que o famoso Lobo Negro via nesta Jenny: eram os seios, os maravilhosos olhos azuis, o ultrasuave cabelo ruivo, o sorriso e os dentes brancos, e a coragem. Sempre a coragem e o desafio, louvados ao ponto do rolar a vista. E o retrato incongruente da noviça de dezassete anos virgem e pouco vivida, enclausurada, que brincava com os rapazes e não teme o guerreiro inglês que todos temem.E Royce? Royce tudo faz por ela, em tudo a poupa, sorri muito de repente e tem atitudes românticas. Tudo engole, o que, para mim, é difícil de entender e desmancha a consistência da personagem.
Não me conseguiram vender este livro. Ele é um mártir às mãos da criança mimada e bipolar que McNaught aqui descreve. O perfil da jovem ingénua mas fogosa, corajosa mas insegura, determinada mas submissa, orgulhosa e que humilha, a de coração bondoso que perdoa todas as provações a que a sujeitam, não funciona para mim. Salva-se a tia Elinor e o gigante Arik; emparelhados puseram-me a rir.
Lembrou-me os livros da Sveva Casatti Modignani, que devorei com os meus 14 aninhos, e que cedo abandonei porque me apercebi de que havia um padrão nas personagens femininas: eram lindas, maravilhosas, ricas mas vindas de famílias operárias, toda a gente lhes admirava a fibra, a garra, o ardor com que se batiam pelo que queriam. Todos as admiravam e lhes teciam os maiores elogios. E elas ali... sem tomarem uma decisão, sem fazerem nada que não deslumbrarem um industrial da moda milanês. Era muita conversa para pouca acção. As atitudes das suas Giulias nunca estavam à altura da admiração que lhes projectava e fartei-me.

Uma nota para a tradução portuguesa, que só melhora depois da página 200. Ler "positivamente carregado de galhos", ou "terna ingénua", "doce coração", "esbelto pescoço", etc., foi embaraçoso. Também achei que a culpa é em parte do manuscrito original, porque enjoei o número de vezes em que a escritora repetiu, não fôssemos nós esquecer, que o homem era enorme e tinha ombros muito largos, e que era bronzeado e tinha dentes muito brancos e olhos cinzentos. E ela? Os olhos dela lembram veludo molhado (não importa a cor, desde que molhado), ou safiras líquidas (?), e também tem os dentes muito brancos, a pele leitosa, os seios e os lábios generosos, a cintura muito fina, os cabelos acobreados.Foi tudo repetido ao ponto do enjoo. Mas ai, como era fácil amar no séc. XV!

Sinopse: Chamam-lhe o Lobo Negro. Nunca perde uma batalha. Temido por todos, Royce Westmoreland, duque de Claymore, é um guerreiro inglês intrépido. Tão intrépido que comete a loucura de manter sequestrada a filha do seu maior rival, o chefe do poderoso clã escocês Merrick.

Jenny Merrick pode ter sido raptada do colégio de freiras que frequentava, mas não vai ficar de braços cruzados. A bela e fogosa jovem tenciona lutar com unhas e dentes e destruir este inglês grosseiro que se julga dono de tudo - e o facto é que consegue enfurecê-lo melhor do que ninguém.
Quando, por decreto real, são obrigados a casar, espera-se o pior. A feroz batalha de vontades, porém, não tarda a dar lugar a uma paixão escaldante, mas muito breve… Agora, após uma devastadora traição e uma série de mal-entendidos, Jenny vai ter de decidir a quem deve a sua lealdade…
Um clássico romântico. Uma das obras mais aclamadas da bestseller Judith McNaught.

Classificação: 2,7***/**

quinta-feira, 11 de maio de 2017

#181 QUINN, Julia, Um Pedacinho de Céu

Sinopse: Quem conhece Honoria Smythe-Smith sabe que, para lá das suas inúmeras qualidades, a jovem tem algumas... enfim... particularidades, nomeadamente:
1. É uma entusiástica (e péssima!) violinista
2. Fica fora de si sempre que alguém diz “Bicho”
3. NÃO está apaixonada (não está!) pelo melhor amigo do irmão
3. Sobrevivem ao pior espetáculo musical do mundo



Já Marcus Holroyd, conde de Chatteris, é o seu oposto. É um rapaz tímido e responsável, mais conhecido por:
1. Ser lamentavelmente dado a entorses do tornozelo
2. Carregar o fardo de ser um dos solteirões mais cobiçados
3. NÃO estar (de todo!) apaixonado pela irmã do melhor amigo 

Juntos...
1.São grandes amigos
2. Comem quantidades escandalosas de bolo de chocolate

Julia Quinn tem para eles planos que incluem...
1. Uma febre mortífera 
2. Momentos (muito!) embaraçosos
3. Um final desesperadamente romântico 


Opinião: Foi um livro ao estilo do Amor e Enganos, da mesma autora. É mais doce e romântico do que erótico. Em termos de sequência de acontecimentos, grande parte do livro é despendido na anunciada “febre mortífera”. Não está mal feito, o leitor importa-se realmente com o herói em agonia. Marcus é um tipo porreiro e Honoria tem uma certa força intrínseca. Gostei sobretudo da interação entre a protagonista e a mãe. Achei que a mãe dela poderia ter sido melhor explorada. As aparições da Lady Danbury acrescentam sempre um toque de humor ao livro. Há química entre os protagonistas, é uma bonita história de um amor que surge de mansinho e arrebata os jovens incautos. Não é um livro que arranque suspiros, mas recorda-nos que o amor pode nascer de ajuda mútua e de afeição quase fraternal. Ao contrário daquelas histórias em que a pessoa que se almeja é alguém que parece desadequado e até nos faz mal. Em “Um Pedacinho de Céu”, duas pessoas descobrem que a outra é perfeita para si.

Classificação: 4****/*